As Crenças Negras

Os negros africanos acreditavam na existência de dois mundos distintos: o “AYÉ”, que correspondia à Terra e onde se desenrolavam os fenômenos sensíveis e no qual vivem as criaturas, e o “ORUM”, correspondente ao Além, região incomensurável habitada pelos espíritos e, consequentemente, pelos deuses, os Orixás.

Segundo as tradições africanas, originalmente, não havia separação entre esses dois mundos, que se interpenetravam e eram livremente frequentados, tanto pelos espíritos e divindades, como pelo homem.

Ocorreu, porém, em certa época, que um casal sem filhos passou a insistir junto a Oxalá, o Deus da Criação, para que lhes fosse dado um herdeiro, e tanto fizeram que Oxalá acabou cedendo, sob o compromisso de que essa criança jamais ultrapassasse os limites do “Ayé”, penetrando no “Orum”.

O menino, contudo, mais adiante, não apenas desobeceu a essa proibição, como afrontou Oxalá, provocando a ira e a represália do Orixá, que, como castigo a esse “pecado original”, lançou seu cajado, o “Apaxoró” contra o “Ayé”.

No percurso, o cajado separou magicamente os dois mundos, interpondo entre eles o céu visível e o espaço atmosférico, e assim privando o homem de seu acesso ao “Orum”.

Tal como em outras religiões, vê-se que o orgulho desse primeiro “pecador” perdeu toda a humanidade.

O “Igbá-Odu”, a cabaça dividida em duas metades que se ligam, simbolizará, no “Pejí”, esses dois mundos então formados, o mundo invisível e o mundo físico.

Como resultado dessa divisão, o homem passou a ser dependente da realização de cerimoniais, através dos quais, mediante a presença dos Orixás, que se manifestavam no “Ayé”, podia continuar se relacionando e comunicando com o mundo espiritual.

A obrigação de realizarem esses cerimoniais conduziu os negros africanos ao estabelecimento de sequências rituais e à invocação dos Orixás, na medida de suas necessidades de interligação com o mundo espiritual, dando origem aos princípios das religiões tribais.

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