Origens

                                           Portugal, à época da colonização do Brasil tinha uma população pequena, de cerca de dois milhões de pessoas, e não tinha condições de dispensar parte de seus habitantes para sua colônia americana.

                                           Para suprir os braços que faltavam, os colonizadores usaram a escravidão, que já era praticada na África e no mundo árabe.

                                           No início do processo de colonização no Brasil, empregou-se a mão de obra indígena escravizada: os índios, nativos do Brasil, eram capturados por meio de expedições como as bandeiras ou obtidos como espólio das guerras intertribais.

                                           Os portugueses também estabeleciam alianças com algumas tribos e, em troca, obtinham  mão de obra escrava indígena.

                                           Contudo, esses indígenas escravizados eram considerados pouco aptos ao trabalho.

                                           Os  índios somente deixaram de ser escravizados, quando as condições econômicas da colônia passou a permitir a compra dos negros.

                                           A escravidão indígena foi abolida por iniciativa do Marques de Pombal, primeiro por uma lei promulgada em 1775, que proibiu a prática nos Estados do Grão Pará e do Maranhão, e, depois, em 1758, quando a medida foi ampliada para todo o Brasil

 

                                           Os portugueses, espanhóis, franceses, holandeses e ingleses, no entanto, à essa época, já faziam da  escravidão um negócio lucrativo, superlotando os porões de seus navios – os chamados navios negreiros – com os negros que aprisionavam e depois vendiam nos portos de toda a América.

 

                                           Em 1535, chegava ao porto de Salvador (BA),  o primeiro navio com negros escravizados trazidos para serem comercializados em nosso País. 

                                           Esse ano é o marco do início da escravidão dos negros no Brasil que só 353 anos depois, em 13 de maio de 1888, terminaria, com o advento da Lei Áurea, promulgada pela Princesa Dona Isabel, filha do imperador  Dom Pedro !!.

                                           Esses negros eram originários principalmente do Golfo da Guiné, e, em menor proporção, da Senegâmbia, da Ilha de São Lourenço e de Moçambique, e pertenciam a diversas tribos nativas, destacando-se: os Nagôs (Iorubás), os Bantús, os Gegês (Daomeanos), os Marrins, os Fons, os Harsás, os Fantís, os Ashantís, os Malês, os Fulas e os Congos, entre outros agrupamentos de menor expressão.

 

                                           No Brasil, os escravos foram misturados, independentemente de suas origens étnicas e culturais, e foram sendo distribuídos pelas senzalas da Bahia e Pernambuco, num primeiro momento, e depois pelas de Minas Gerais, do Rio de Janeiro, de São Paulo e do Sul do País.

                                           Esses negros possuíam tradições culturais e religiosas que, embora não sendo perfeitamente idênticas em suas tribos de origem, representando, em consequência, grande variedade de credos, tinham, contudo, alguns pontos em comum: a crença em um Deus Único, Criador e Ordenador; a crença em um panteão de deuses menores que administravam a criação, e a crença na existência de dois mundos distintos, o material, visível, e o espiritual, invisível.

                                           Esses conceitos, antiquíssimos, continham em seu bojo uma diferenciada visão do mundo, pela qual, antecipando-se à Física mais atual, afirmavam que tudo no Universo, do grão de areia às estrelas, da folha seca ao homem, é uma interligação precisa e harmoniosa de forças, das quais o aspecto visível constitui apenas a aparência, não a verdadeira essência.

                                           Assim, tudo que existe é uma transformação dessa correlação de forças, animada pelo “MUNTÚ”, o conjunto das forças dotadas de inteligência.

                                          “MUNTÚ” é a classificação do homem essencial, vivo ou morto, os Orixás, os tutelares familiares e Deus ...

 

                                           Misturados nas senzalas, e, a partir da época colonial nos grupamentos urbanos que foram se formando, esses povos tiveram que superar suas diferenças de origem, de língua e de costumes, miscigenando também suas crenças e ritos religiosos, num processo de acomodação que deu origem a novos costumes comuns, que se perpetuaram através das gerações seguintes.

                         sylvio

©2020 by Sylvio Pires Gachido. Todos os diretos reservados. WebDesigner Adriana Cruz