Veja também:

  Bebidas e Comidas de Santo

Os Cultos Afro-Brasileiros fazem diversas oferendas de alimentos, bebidas, flores, velas e sacrifícios de animais para os Orixás e outras entidades.

O sacrifício de animais é prática ainda relativamente comum em certas cerimônias do Candomblé, mas não tem a ver com a prática de trabalhos negativos, constituindo-se em homenagem às entidades.

Na Umbanda, esse tipo de oferta é mais raramente praticado, até por conta da filosofia simplista do culto, ocorrendo apenas em situações especiais e mesmo assim em reduzida parcela das Casas de Culto.

Já a Quimbanda o faz habitualmente, e com a intenção de captar a simpatia de entidades cujos préstimos podem ser utilizados para a prática de trabalhos maléficos, que, de resto, se constituem no principal direcionamento do Culto.

As Comidas de Santo são pratos da culinária afro-brasileira, ritualisticamente preparados e cerimoniosamente oferecidos aos Orixás e a outras entidades, não apenas pelos praticantes como também pelos simpatizantes, sem que tais ofertas signifiquem para estes últimos, sua submissão aos ritos dos cultos.

Cada Orixá tem uma série de pratos e de bebidas que lhe são ofertados, conforme a circunstância.

A entrega das comidas e bebidas significa a aproximação da fonte de energia vibratória oriunda do astral, posto que essas oferendas funcionam como uma espécie de antena captadora, para a qual é atraído o fluxo dessa energia, que se encontra dispersa na natureza.

O sentido de “comer” e “beber” por parte das entidades é obviamente simbólico: o que se oferece não é apenas um prato de matéria orgânica, mas sim a força energética de quem oferece.

“Atraida” pela comida ou bebida, a energia oriunda do astral se aproxima da energia interior de cada ser, e, se por um lado a consome, por outro a vitaliza, numa espécie de troca energética:  o objetivo básico é, portanto, a permuta de energia.

Esse conceito, porém, de certa maneira sofisticado, é compreendido, em termos populares, como uma oração pela qual se pede ao Orixá ou entidade a satisfação de um pedido.

Na verdade, o que ocorre é a concentração mental e vibratória do ofertante em torno do objeto de seu pedido, via a oferta que faz, criando um canal propício à recepção das vibrações astrais.

O oferecimento é feito pela pessoa no dia da semana correspondente ao Orixá, sendo colocado no peji (altar), onde permanece por vários dias.

Nesse período é recomendado que o ofertante passe diariamente pelo peji para, sozinho e concentrado, facilitar a troca de energia com a entidade.

Ao final do período, a comida ou bebida é retirada e despachada no elemento do Orixá: rochas para Xangô, mar para Yemanjá, cachoeiras para Oxum, locais de vento para Iansã, etc.

As oferendas também são realizadas quando da abertura dos cerimonias dos cultos, variando essas ofertas de acordo com o tipo de cerimônia programada.

Face a pouca sistematização dos cultos afro, as comidas e bebidas rituais, assim como os dias da semana que correspondem aos Orixás, variam de terreiro para terreiro, mas, no geral, é a seguinte a correspondência:

 

OXALÁ

Comidas: Doburú, mungunzá, arroz, carneiro, pombo, acaçá de arroz com mel, ebó de milho branco.

Bebidas: Aluá, água pura.

YEMANJÁ:

Comidas: Moqueca de peixe, frutos do mar, farofa branca com camarão, postas de tainhas fritas, manjar de farinha de trigo e leite de coco, mel, carneiro, pato, galinha e pratos preparados à base de milho branco.

Bebidas: Aluá, champanhe, vinho branco doce, água com açúcar.

OGUM:

Comidas: Feijoada, feijão-preto, feijão-fradinho cozido com dendê, feijão-branco, bode, galo, doború, cogumelos, legumes cozidos em azeite de dendê, manga espada.

Bebidas: Vinho de palma, cachaça, cerveja branca.

 

                           

 

 

 

 

 

XANGÔ:

Comidas: Carneiro, cágado, galo, acarajé, rabada, carurú, dendê, pimenta, abará, aberém, olupó, amalá, arroz, pirão de mandioca.

Bebidas: Cerveja preta.

 

 

                          

 

 

 

 

OXÓSSI:

Comidas: Galo, bode, cabrito, conquém, porco, carne de caça, camarão frito no dendê, feijão-fradinho, feijão-preto, milho cozido com coco, inhame, abóbora, coco, mel, frutas em geral.

Bebidas: Vinho branco doce, vinho tinto, cachaça com mel.

 

                            

 

 

 

 

 

OXUM:

Comidas: Cabra, abará, conquém, acarajé, ovos, manjar branco, mel, peixes de água doce fritos no dendê e sem sal, xinxim de galinha, omolocum, cana.

Bebidas: Vinho tinto, vinho branco doce.

 

                                                                                           

 

 

 

IANSÃ

Comidas: Cabra, abará, conquém, acarajé, ipete, xinxim, tudo preparado com azeite de dendê e cebola.

Bebidas: Vinho tinto, vinho branco doce.

 

NHANHÃ:

Comidas: Moqueca de peixe, camarão com cebola, farinha de milho, galinha, axoxó, aberém, pipoca, inhame, milho branco.

Bebidas: Vinho de cereal, gin, genebra, whisky.

 

                      

 

 

 

 

IBEIJI:

Comidas: Doces em geral, guloseimas, carurú com mel.

Bebidas: Bebidas doces não alcoólicas.

 

 

                   

 

 

  

OMULÚ:

Comidas: Carne seca, bode, galo, conquém, porco, dendê, amendoins, farofa, bacalhau, pipocas no dendê, fubá.

Bebidas: Cachaça, suco de laranja lima.

 

                                          

 

 

OBÁ:

Comidas: Carneiro, galinha, conquém, acarajé, abará, farofa de dendê, ovos, frutas diversas.

Bebidas: Vinho branco.

 

 

 

 

 

 

OSSAIM:

Comidas: As mesmas que Oxóssi.

Bebidas: As mesmas que Oxóssi

 

                                     

 

 

 

      

OXUMARÉ:

Comidas: As mesmas que Oxum.

Bebidas: As mesmas que Oxum.

 

                                    

 

 

ELEGBÁ:

Comidas: Carnes cruas, bode, fígado no dendê, farofa de dendê, e, os três primeiros acarajés feitos para Iansã.

 

Bebidas: Cachaça, cerveja, água.

Comidas Rituais ou Comidas de Santo

 

 

 

Abará - bolo de feijão fradinho envolto em folha de bananeira.

Aberém - bolo de massa de arroz e milho, com açúcar e envolto em folha de bananeira.

Acaçá - pasta de farinha de arroz, sem sal.

Acarajé - bolinho feito com feijão-fradinho, temperos e frito no dendê.

Aluá - refresco não alcoólico feito com milho verde, cana de açúcar e gengibre.

Amalá - carurú de quiabo com pirão de farinha de mandioca .

Axoxó - milho amarelo misturado com coco raspado.

Canjica - milho branco cozido na água.

Carurú - massa quase líquida de quiabos, cebola, folhas e ervas, misturada com azeite de dendê.

Conquém - galinha de angola.

Dendê - azeite extraído do fruto do dendezeiro, espécie de coqueiro.

Doburú - pipoca.

Ebó - mingau de milho branco, cozido demoradamente, em água e sal.

Farofa - farinha de mandioca, ovos, azeite de dendê.

Feijoada - feijão preto, carne seca, carnes salgadas de porco, embutidos .

Inhame - tubérculo vegetal saboroso, da família das aráceas.

Ipete - inhame cortado, moído e cozido, temperado com azeite de dendê, camarões moídos e especiarias.

Moqueca - guizado feito com peixes e frutos do mar (ou com galinha, ovos, etc.), e temperado com leite de coco, ervas, azeite de dendê e pimenta.

Mungunzá - milho branco cozido em calda açucarada, leite de coco e polvilhado com canela.

Omolocum - pasta de feijão-fradinho temperada com camarões, cebolas, azeite de dendê e acompanhada de ovos cozidos.

Pipoca - grãos de milho que arrebentam quando submetidos ao calor.

Pirão - pasta grossa de farinha de mandioca escaldada.

Vinho de Palma - bebida alcoólica extraída do dendezeiro.

Xinxim - galinha desfiada, azeite de dendê e temperos diversos.

Comidas de Santos – Representações Gráficas

 

 

Abará (Acarajé):


                                                                                

 

 

 

 

 

Acaça:


                                                                  

 

 

 

 

 

Amalá:

 

 

 

 

 

 

 

Canjica:

      

 

 

 

 

 

                                            

Carurú:

 

 

 

 

                                                                   

Inhame:

 

                                                            

 

 

Doburú:

                                                                

 

 

Farofa:                            

 

    

                                                                

 

 

Feijoada:

 

                                                               

 

 

 

Moqueca de Peixe:


                                                             

 

 

 

 

 

Mungunzá

 

                                                               

 

 

 

 

 

Vatapá

©2020 by Sylvio Pires Gachido. Todos os diretos reservados. WebDesigner Adriana Cruz