Candomblé

O Candomblé é uma religião afro-brasileira que cultua os orixás, deuses das nações africanas de língua ioruba dotados de sentimentos humanos como ciúme e vaidade.

O Candomblé chegou ao Brasil entre os séculos XVI e XIX com o tráfico de escravos negros da África Ocidental. Sofreu grande repressão dos colonizadores portugueses, que o consideravam feitiçaria.

Para sobreviver às perseguições, os adeptos passaram a associar os orixás aos santos católicos, no sincretismo religioso. Por exemplo, Iemanjá é associada a Nossa Senhora da Conceição; Iansã, a Santa Bárbara, etc.

 

As cerimônias ocorrem em templos chamados territórios ou terreiros. Sua preparação é fechada e envolve muitas vezes o sacrifício de pequenos animais.

 

São celebrados em língua africana e marcadas por cantos e o ritmo dos atabaques (tambores), que variam segundo o orixá homenageado.

No Brasil, a religião cultua apenas 16 dos mais de 300 orixás existentes na África Ocidental.

Definição


O Candomblé é uma eligião animista, original da região das atuais Nigéria e Benin, trazida para o Brasil por africanos escravizados e aqui estabelecida, na qual sacerdotes e adeptos encenam, em cerimônias públicas e privadas, uma convivência com forças da natureza e ancestrais.

Por extenção, qualquer das seitas derivadas do candomblé ortodoxo, que sofreram processo de inclusão de heterodoxias (elementos de origem banta, do baixo espiritismo, de mitos ameríndios etc.).

O Candomblé é uma religião afro-brasileira derivada de cultos tradicionais africanos, na qual há crença em um Ser Supremo (Olorum, Mawu, ou Nzambi, dependendo da nação) e culto dirigido a forças da natureza personificadas na forma de ancestrais divinizados: orixás, voduns ou inquices, dependendo da nação.

De origem totêmica e familiar, é a religião declarada de 0,3% da população brasileira, segundo dados do Censo 2010 do IBGE.

Também é possível encontrar praticantes em outros países como Uruguai, Argentina, Áustria, Suíça, Itália, Alemanha, Portugal e Espanha.

Inicialmente reprimido pela sociedade escravocrata, pela Igreja Católica, pelo Estado e rejeitado pela sociedade: o Candomblé (como outros cultos de matriz africana), formava até meados do século XX, uma espécie de instituição de resistência cultural, primeiramente dos africanos, e depois dos afro-descendentes. A dessa época, muita coisa mudou, tornando o Candomblé e as demais religiõesa afro-brasileiras organizações de culto desprendidas das amarras étnicas, raciais, geográficas e de classes sociais.

Os elementos culturais que compõem o Candomblé são, na atualidade, uma parte integrante da cultura do folclore brasileiros.

O Candomblé não deve ser confundido com a Umbanda ou com outras religiões afro-brasileiras e afro-americanas com similar origem (tambor de mina, omolokô, xangô pernambucano ou batuque brasileiros.

També, não pode ser confundico com religiões desenvolvidas em oturas regiões, como o vodu haitiano, a santería cubana, o obeah e o kumina jamaicanos, o winti surinamês, dentre outras, e que são virtualmente desconhecidas no Brasil.




Origens


Gradativamente, os cultos negros foram se propagando pelos engenhos e pelas propriedades onde existiam escravos.

A princípio, em segredo, foram sendo desenvolvidos nas senzalas, e a seguir nas casas particulares, com a aquiescência dos senhores de escravos. Aos poucos foram tomando vulto e reunindo cada vez maior número de adeptos, que, por sua vez, se encarregavam de difundi-los nos grupamentos urbanos que se formavam.

Com o passar dos anos, o culto negro foi assumindo dimensões tais que, em 1830 foi fundada a Casa de Culto do Engenho Velho, na Bahia, que se constituiu no primeiro terreiro público de Candomblé, como já então de denominava o novo culto, no Brasil.




História


No início do século XIX, as etnias africanas eram separadas por confrarias da Igreja Católica na região de Salvador, na Bahia.

Dentre os escravos pertencentes ao grupo dos Nagôs, estavam os Yoruba (Iorubá).

Suas crenças e rituais são parecidos com os de outras nações do Candomblé em termos gerais, mas diferentes em quase todos os detalhes.

Teve início em Salvador, na Bahia. De acordo com as lendas contadas pelos mais velhos, algumas princesas vindas de Oyó e Ketu na condição de escravas fundaram um terreiro num engenho de cana-de- açúcar.

Posteriormente, passaram a reunir-se num local denominado Barroquinha, onde fundaram uma comunidade de Jeje-Nagô pretextando a construção e manutenção da primitiva Capela da Confraria de Nossa Senhora da Barroquinha, atual Igreja de Nossa Senhora da Barroquinha que, segundo historiadores, efetivamente conta com cerca de três séculos de existência.

No Brasil Colônia e depois, já com o país independente mas ainda escravocrata, proliferaram irmandades.

Para cada categoria ocupacional, raça, nação, porque os escravos africanos e seus descendentes procediam de diferentes locais com diferentes culturas, havia uma.

Dos ricos, dos pobres, dos músicos, dos pretos, dos brancos etc. Quase nenhuma de mulheres, e elas, nas irmandades dos homens, entraram sempre como dependentes para assegurarem benefícios corporativos advindos com a morte do esposo.

Para que uma irmandade funcionasse era preciso encontrar uma igreja que a acolhesse e ter aprovados os seus estatutos por uma autoridade eclesiástica.

Muitas conseguiram construir a sua própria Igreja como a Igreja do Rosário da Barroquinha, com a qual a Irmandade da Boa Morte manteve estreito contato.

O que ficou conhecido como devoção do povo de candomblé.

O historiador cachoeirano Luiz Cláudio Dias Nascimento afirma que os atos litúrgicos originais da Irmandade de cor da Boa Morte eram realizados na Igreja da Ordem Terceira do Carmo, templo tradicionalmente frequentado pelas elites locais.

Posteriormente, as irmãs transferiram-se para a Igreja de Santa Bárbara, da Santa Casa da Misericórdia, onde existem imagens de Nossa Senhora da Glória e da Nossa Senhora da Boa Morte.

Desta, mudaram-se para a bela Igreja do Amparo, demolida em 1946 e onde hoje encontram-se moradias de classe média. Daí, saíram para a Igreja Matriz, sede da freguesia, indo depois para a Igreja da Ajuda.

O fato é que não se sabe ao certo precisar a data exata da origem da Irmandade da Boa Morte. Alguns historiadores defendem que a devoção teria começado mesmo em 1820, na Igreja da Barroquinha, tendo sido os Jejes, deslocando-se até Cachoeira, os responsáveis pela sua organização.

Outros ressaltam a mesma época, divergindo quanto à nação das pioneiras, que seriam alforriadas Ketu.

Parece que a composição da irmandade continha variada procedência étnica, já que se fala em mais de uma centena de adeptas nos seus primeiros anos de vida.

Essas confrarias eram os locais onde se reuniam as sacerdotisas africanas já libertas (alforriadas) de várias nações, que foram se separando conforme foram abrindo os terreiros.

Na comunidade existente atrás da capela da confraria, foi construído o Candomblé da Barroquinha pelas sacerdotisas de Ketu, que, depois, se transferiram para o Engenho Velho, ao passo que algumas sacerdotisas de Jeje deslocaram-se para o Recôncavo Baiano, para Cachoeira e São Félix, para onde transferiram a Irmandade da Boa Morte e fundaram vários terreiros de candomblé jeje, sendo o primeiro Kwé Cejá Hundé ou Roça do Ventura.

O Candomblé Ketu ficou concentrado em Salvador. Depois da transferência do Candomblé da Barroquinha para o Engenho Velho, passou a se chamar Ilê Axé Iyá Nassô mais conhecido como Casa Branca do Engenho Velho sendo a primeira casa da nação Ketu no Brasil de onde saíram as Iyalorixás que fundaram o Ilê Axé Opô Afonjá e o Ilê Iya Omin Axé Iyamassé, o Terreiro do Gantois.





O Candomblés

O Candomblé é praticado segundo diversas formas, de acordo com suas origens africanas.

 

Assim:

O Candomblé Ketú (pronuncia-se "quêtu", também chamado Candomblé Queto ou Candomblé de Rito Nagô é a maior e a mais popular "nação" do Candomblé, tendo origens nas tradições dos povos da região Ketu, incluídos entre os iorubás ("nagôs").

Um dos mitos da criação do mundo (conforme afirma Barretti Fª, em sua obra "Ilê-Ifé a Origem do Mundo.") diz que Odúduwá é seu criador, fundador e o primeiro Ọba Òóni Ifè de Ilé-Ifè – o progenitor de todo o povo yorùbá.

Numa sociedade polígama, Odùduwà teve muitas esposas e uma grande prole.

Os filhos, netos ou bisnetos de Odùduwà, os deuses, semideuses e/ou heróis, formaram a base da nação yorùbá, o que faz Odùduwà ser conhecido como "O Patriarca dos Yorùbá", passando a ser aclamado de Olófin Odùduwà Àjàlàiyé.

Alguns de seus filhos geraram as linhagens dos Ọba dos yorùbá (Reis considerados como descendentes diretos do Òrìṣà cultuado, que representam ou "são" o próprio Òrìṣà em vida) e uns foram os precursores dos principais subgrupos, que deram origem à civilização dos yorùbá e, religiosamente falando, de todos os povos do mundo.

O grupo étnico yorùbá é subdividido em vários subgrupos, tais como: os Kétu, Òyó, Ìjèṣà, Ifè, Ifòn, Ègbà, Èfòn etc. Esses deram origem, na diáspora, à religião dos Òrìṣà.

Os Kétu foram um importante precursor das religiões afro-brasileiras. Portanto, nos Candomblés ditos de nação Kétu, de origem étnica Yorùbá, o Òrìṣà Òsóòsì, o senhor da caça e dos caçadores, é revivido, reverenciado e aclamado como "Ọba Alákétu (título real de Kétu), Rei e Senhor de Kétu e dos Kétu": rei do candomblé Kétu.

Nessa mesma nação, o Òrìṣà Èṣù, principal comunicador, "articulador" e "transformador" de todo o sistema religioso yorùbá e do candomblé, ganha ainda maior notoriedade quando é agraciado, saudado e cultuado como Èṣù Alákétu, Rei em Ilé-Kétu.

Esses Òrìṣà tornam-se identificadores indiscutíveis da nação Kétu e possuem em comum o título real Alákétu.

 

Os Òrìṣà Èṣù e Òsóòsì – Òrìṣàs Alákétu - além de seus valores naturais, revelam-se como poderosos identificadores dos Kétu e de fundamental importância para a continuidade do Candomblé Kétu.

Alákétu continua sendo o título do rei da atual cidade de Kétu, antigo Reino Yorùbá, situada na República do Benim (antigo Daomé), país que faz fronteira, a oeste, com a Nigéria .

Essas regiões são conhecidas por yorubaland: terras onde habitam os yorùbá, independentemente das divisões geopolíticas e/ou sociológicas impostas às etnias africanas.

O Candomblé                        Ketú

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Os Orixás no Candomblé Ketú


Os Orixás do Ketu são basicamente os da Mitologia Yoruba.

Olorun também chamado Olodumare é o Deus supremo, que criou as divindades ou Orixás (Òrìsà em yoruba).

As centenas de orixás ainda cultuados na África, ficou reduzida a um pequeno número que são invocados em cerimônias:

OrixaNlá ou Obatalá - o mais respeitado, o pai de quase todos orixás, criador do mundo e dos corpos humanos.

Odudua - Orixá também tido como criadora do mundo, mãe de Oranian e dos yoruba.

Oxalá - Orixá do Branco, da Paz, da Fé.

Oxalufon - Qualidade de Oxalá velho e sábio

Oxaguian - Qualidade de Oxalá jovem e guerreiro

Oranian - Orixá filho mais novo de Odudua

Exu - Orixá guardião dos templos, encruzilhadas, passagens, casas, cidades e das pessoas, mensageiro divino dos oráculos.

Ogum - Orixá do ferro, guerra, fogo e tecnologia.

Oxóssi - Orixá da caça e da fartura.

Logunedé - Orixá jovem da caça e da pesca

Xangô - Orixá do fogo e trovão, protetor da justiça.

Ayrà - Usa branco, tem profundas ligações com Oxalá e com Xangô.

Obaluaiyê - Orixá das doenças epidérmicas e pragas, Orixá da Cura.

Oxumaré - Orixá da chuva e do arco-íris, o Dono das Cobras.

Ossaim - Orixá das Folhas, conhece o segredo de todas elas.

Oyá ou Iansã - Orixá dos ventos, relâmpagos, tempestades, e do Rio Niger

Oxum - Orixá feminino dos rios, do ouro, do jogo de búzios, e do amor.

Iemanjá - Orixá dos mares e da fertilidade, mãe de muitos Orixás.

Nanã - Orixá dos pântanos, e da morte, mãe de Obaluaiê.

Yewá - Orixá do Rio Yewa.

Obá - Orixá do Rio Oba, uma grande guerreira e uma das esposas de Xangô

Axabó - Orixá da família de Xangô

Ibeji - Orixás gêmeos

Irôco - Orixá da árvore sagrada, (gameleira branca no Brasil).

Ifá ou Orunmila-Ifa- Orixá que é o porta-voz de Orunmila, Orixá da Adivinhação e do destino.

Baiani - Orixá também chamado Dadá Ajaká

Olokun - Orixá divindade do mar

Olossá - Orixá dos lagos e lagoas

Oko - Orixá da agricultura

Iyami - Ajé - é a sacralização da figura materna, a grande mãe feiticeira.

Onilé - Orixá do culto de Egungun

Egungun - ancestral cultuado após a morte em casas separadas dos Orixás.

Na África, cada Orixá estava ligado originalmente a uma cidade ou a um país inteiro.

Tratava-se de uma série de cultos regionais ou nacionais.

Şàngó em Oyó, Yemoja na região de Egbá, Iyewa em Egbado, Ògún em Ekiti e Ondo, Òşun em Ilesa, Osogbo e Ijebu Ode, Erinlé em Ilobu, Lógunnède em Ilesa, Otin em Inisa, Oşàálà-Obàtálá em Ifé, subdivididos em Oşàlúfon em Ifo e Òşágiyan em Ejigbo.

No Brasil, em cada templo religioso, são cultuados todos os Orixás, diferenciando que, nas casas grandes há um quarto separado para cada Orixá, enquanto que nas casas menores são cultuados em um único quarto de santo (expressão usada para designar o quarto onde são cultuados os Orixás).




Rituais no Candomblé Ketú


O ritual de uma casa de Ketu é diferente dos das casas de outras nações.

A diferença está no idioma, no toque dos Ilus (atabaque no Ketu), nas cantigas, nas cores usadas pelos Orixás, os rituais mais importantes são: Padê, Sacrifício, Oferenda, Sassayin, Iniciação, Axexê, Olubajé, Águas de Oxalá, Ipeté de Oxum...

A língua sagrada utilizada em rituais do Ketu é derivada da língua Yoruba ou Nagô.

O povo de Ketu procura manter-se fiel aos ensinamentos das africanas que fundaram as primeiras casas, reproduzem os rituais, rezas, lendas, cantigas, comidas, festas, e esses ensinamentos são passados oralmente até hoje.




Hierarquia no Candomblé Ketú


As posições principais do Ketu (são chamados de cargo ou posto: em yoruba, Olóyès, Ogãns e Àjòiès), em termos de autoridade, são:

Babalorixá (pai de santo) – é cargo de autoridade máxima dentro de uma casa de candomblé. São pessoas escolhidas pelos Orixás para ocupar esse posto. São sacerdotes, que após muitos anos de estudo adquiriram o conhecimento para tal função e são as únicas autoridades que podem abrir uma Casa ou Terreiro de Candomblé.

Babalodum - que é um filho do Orixa Máximo, ou seja, Olisa Osala Giyan Ejonile Egbe. É um sacerdote que no caso especifico de pai menino e da quarta hierarquia, significando que detem o axe de cura e da visao, alem de ter que cumprir uma missao ja preestabelecida ha mais de 5 mil anos pelo povo Yoruba/Nago ainda na Africa.

Iyalorixá ou Babalorixá - a palavra iyá do yoruba significa mãe (babá significa pai).

Iyakekerê - (mulher) - mãe pequena, segunda sacerdotisa.

Babakekerê - (homem) - pai pequeno, segundo sacerdote.

Iyalaxé - (mulher) - cuida dos objetos rituaisOjubonã ou Agibonã: mãe criadeira, supervisiona e ajuda na iniciação.

Egbomis - são pessoas que já cumpriram o período de sete anos da iniciação (egbon mi significa "meu irmão mais velho").

Ogãs ou Ogans - tocadores de atabaques (não entram em transe).

Axogun - responsável pelo sacrifício dos animais (não entra em transe).

Alagbê - responsável pelos atabaques e pelos toques (não entra em transe).

Ajoiê ou ekedi - camareira do Orixá (não entra em transe). Na Casa Branca do Engenho Velho, as ajoiés são chamadas de ekedis. No Gantois, de "Iyárobá" e na Angola, é chamada de "makota de angúzo". "Ekedi" é nome de origem Jeje, que se popularizou e é conhecido em todas as casas de Candomblé do Brasil.

Iyabassê - mulher responsável pela preparação das comidas de santo.

Iaô - filha(o) de santo que já entra em transe.

Abiã ou abian - novato.





O Candomblé Bantu ou Candomblé de Angola é uma das maiores nações de candomblé. Desenvolveu-se entre escravos que falavam Kimbundu, Umbundu kikongo.

A palavra bantu é uma reconstrução do “protobanto” com o significado de gente, termo criado pelo linguista alemão Wilhelm Bleek.

O termo bantu ou banto é usado para identificar os povos da África subsariana que falavam línguas bantas.

O Candomblé                     Bantú

Os BANKISI, MINKISI ou NKISI (inquice)


São entidades similares aos Orixás dos Candomblés de Angola e do Congo.

No panteão dos povos de língua quimbunda originários do Norte de Angola, o deus supremo e criador é Nzambi ou Nzambi Mpungu; abaixo dele, estão os Minkisi ou Mikisi (plural do termo quimbundo Nkisi, "receptáculo"), divindades da mitologia banta.

Nkisi é um termo que provém da língua africana Kimbundu.

Nkisi e seus cognatos em muitas línguas bantas podem se referir a um espírito, um amuleto, um tratamento médico, uma máscara e certos seres humanos especialmente qualificados.




Os Principais BANKISI, MINKISI ou NKISI


São eles:

Mpambu Njila - Nkisi/Akixi dos caminhos e encruzilhadas, Mpambu Njila engloba a

energia dos viajantes, povos nômades. Seu nome significa "Caminho e encruzilhada", em idioma kikongo. Divindade também ligada ao conhecimento.

Oluvaiá - Divindade relacionada a segurança de casas, aldeias, cidades. No candomblé Congo/Angola, é responsável pela segurança das jinzó (casas) de culto. Também possui relação com a fertilidade masculina e ao sexo.

Mavambo/Mavile/Mavilotango - Divindade ligada a segurança.

Nkosi/Hoji - Nkisi da guerra, guardião, divindade da fúria. "Nkosi" significa leão em kikongo, enquanto "Hoji" tem o mesmo significado, em idioma kimbundo.

Xauê - Divindade ligada às batalhas.

Nanguê - Divindade ligada à forja e ao progresso.

Mukumbe - Divindade ligada à agricultura.

Gongo Mukongo - Divindade ligada à caça, mora no fundo das matas.

Katende - Divindade masculina ligada às folhas, remédios e aos pequenos répteis.

Mutakaloombo - Divindade da caça, ligado as matas e as faunas selvagens, também tem relação com a fartura.

Kabila - Divindade do pastoreio, das faunas e da fartura.

Nkongo Mbila - Divindade da caça, da fartura, também ligado à pesca.

Nzazi - Nzazi é a divindade dos raios e por isso é chamado de o “Deus da justiça”, porque em território bantu, quando um raio atinge uma casa, uma pessoa ou uma aldeia isso é atribuído a uma cobrança da justiça divina.

Luango - Divindade ligada ao magma, ao fogo e aos vulcões.

Nvunji - Divindade feminina, ligada aos partos e aos assuntos de justiça. Nos candomblés de Angola é também o Nkisi que acompanha o noviço durante todo seu período de iniciação. Tem estreita ligação com Luango.

Karamuse - Divindade guerreira, ligada aos rios, lagos e lagoas.

Kavungu/Kafungê - Divindade masculina ligada à ráfia, à prosperidade, à terra e aos mistérios.

Nsumbo - Divindade relacionada ao elemento terra, ligado as doenças e a cura.

Kuiganga - Divindade ligada à pureza e a feminilidade.

Hongolo - Divindade ligada à chuva, tempestades, nuvens e ao arco-íris. Tem sua contraparte feminina, chamada Hongolo Menya.

Kitembu/Ndembwa - Divindade rei do candomblé Congo/Angola. Seu nome significa vento.Está ligado as estações do ano, as mudanças, ao clima, ao ventos e tempestades.

Matamba - Divindade feminina, guerreira. Nkisi do fogo, da paixão, do desejo sexual.

Kaiango - Divindade feminina das faunas e dos ventos, está ligada aos mortos.

Nvulu Nsema - Divindade feminina da chuva, dos ventos, dos furacões e tempestades.

Nzumba/Nzumbaranda - É cultuada como a divindade das águas turvas dos pântanos e como sendo aquela que conhece os segredos da vida e da morte (talvez por isso muitos a tem como uma anciã).

Em Kimbundu o termo Nzumba serve para designar “a cor arroxeada da lua durante o eclipse lunar” o que explicaria a cor roxa com que se veste o Nkisi.

Samba Kalunga - Em kimbundu samba significa cortesã, dama da corte, ou seja, mulher nobre. Samba, portanto, dama de alta nobreza, acrescida de Kalunga, que é o mar, gera a locução Dama do mar ou rainha do mar. É um Nkisi de natureza marinha, a quem são dedicados tanto lá em Angola, especificamente Luanda, como no Brasil um culto intenso.

Mikaia/Kaia/Kokueto - Divindade ligada aos mares e oceanos.

Ndanda-Nlunda - Divindade feminina ligada às águas dos rios, cachoeiras e as lavouras.

Kisimbi - Divindades ligadas a água doce.

Nkasute - Nkisi da vitória, da conquista, das lutas, da harmonia e da paz.

Lembá/Lembá Dilê/Lembá dia Nganga - Divindade da ancestralidade, da procriação, da clareza, inteligência humana e patrono dos casamentos. É cultuado tanto entre os Tchokwe, Cabindas, Maiacas, entre outros, variando a sua sexualidade, mas atuando nos mesmos campos.

Existem muitos outros Bankisi/Minkisi, uma vez que não há um número certo de divindades cultuadas pelos povos de Congo e Angola, porém os listados acima são os mais conhecidos no Brasil.




Os Sacramentos do Candomblé Bantú ou de Angola


No Candomblé de Angola, os sacramentos são:

Maionga - Banho de ervas frescas maceradas na água doce, feito para limpeza e purificação espiritual.

Mujinga - Ritual de limpeza e purificação, feito com banho de pipoca.

Kudibala koxi kisaba - Rito de caída sob as folhas.

Nkudia Mutue - Ritual de energização de força (ngolo/nguzu), da cabeça (mutuê), feita através de c omidas (Nkudia).

Kukuana - Celebração de divisão dos alimentos.

Nkudia Mutuê Mahinga/Mayonge - Energização de forças da cabeça, através de sangue.

Sakulupemba - Sacudimento; ritual de limpeza e purificação com folhas.

Katula o jindemba - Ritual de tirar os cabelos; raspagem.

Kujinga - Ritual de cortes ritualísticos (kura).

Kutambula Nfita - Ritual do Juramento.

Kuhandeka/Ukalakele - Ritual de iniciação; "feitura de santo".

Kizuá Dijina - Ritual do nome do iniciado.

Kuvumbu Kuala Nkita - Obrigação secreta, realizada na Mata.

Dizungu Kilume - Saída do santo.

Kadianga mivu - Primeiro aniversário.

Katatu Mivu - Terceiro aniversário.

Kakuinhi Iéia mivu - Décimo quarto aniversário.

Kamakuinhi kadianga mivu - Vigésimo primeiro aniversário.

Kituminu - Obrigação para o Nkisi.

Kituminu Kizomba ia Kitembu - Obrigação e festa de Kitembu.

Ndanka kua Nkosi - ritual de jura para Nkosi.

Leri - Ritual de segredo dos Antigos.

Ntambi/Mukondo - Ritual fúnebre.

Kufunda - Cerimônia fúnebre no cemitério (enterro).

Pangu ni Nvumbi - Rito para alma do morto.

Pangu ni Makulu - Ritual para os antepassados.

Maku ia Nvumbi - Ritual de "tirar a mão do morto".

Lukombo - Celebração de homenagem aos mortos.

Kunda kubanga Mivu - Purificação do ano.

Kutambula Ntanda - Obrigação que autoriza os ensinamentos dos oráculos e transmissão dos direitos aos ensinamentos.

Existem muitos outros rituais do candomblé Congo/Angola, porém esses são os mais importantes e conhecidos.




Os Cargos no Candomblé Bantú ou de Angola


Na hierarquia do Candomblé de Angola, os cargos de maior importância e responsabilidade são:

Taata/Maama diá Nkisi - Sacerdote/Sacerdotisa chefe; pai/mãe de santo.

Taata/Maama Ndenge - Pai/Mãe Pequeno(a).

Kambondo - Todos os homens não rodantes confirmados.

Makota - Todas mulheres não rodantes confirmadas.

Koota Maganza - rodantes com mais de sete anos de iniciação.

Maganza - Todos os rodantes iniciados, com mais de 3 anos.

Muzenza - Iniciados com menos de 3 anos.

Ndumbe - Pessoas não iniciadas.

Além desses, existem vários outros cargos.





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Candomblé de Caboclo é todo Candomblé que além do culto aos Orixás, voduns (ou nkisis), cultua também espíritos ameríndios, chamados de entidades, catiços (ou caboclos boiadeiros) e gentileiros.

O Candomblé                  Caboclo

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Definição


O Candomblé é uma eligião animista, original da região das atuais Nigéria e Benin, trazida para o Brasil por africanos escravizados e aqui estabelecida, na qual sacerdotes e adeptos encenam, em cerimônias públicas e privadas, uma convivência com forças da natureza e ancestrais.

Por extenção, qualquer das seitas derivadas do candomblé ortodoxo, que sofreram processo de inclusão de heterodoxias (elementos de origem banta, do baixo espiritismo, de mitos ameríndios etc.).

O Candomblé é uma religião afro-brasileira derivada de cultos tradicionais africanos, na qual há crença em um Ser Supremo (Olorum, Mawu, ou Nzambi, dependendo da nação) e culto dirigido a forças da natureza personificadas na forma de ancestrais divinizados: orixás, voduns ou inquices, dependendo da nação.

De origem totêmica e familiar, é a religião declarada de 0,3% da população brasileira, segundo dados do Censo 2010 do IBGE.

Também é possível encontrar praticantes em outros países como Uruguai, Argentina, Áustria, Suíça, Itália, Alemanha, Portugal e Espanha.

Inicialmente reprimido pela sociedade escravocrata, pela Igreja Católica, pelo Estado e rejeitado pela sociedade: o Candomblé (como outros cultos de matriz africana), formava até meados do século XX, uma espécie de instituição de resistência cultural, primeiramente dos africanos, e depois dos afro-descendentes. A dessa época, muita coisa mudou, tornando o Candomblé e as demais religiõesa afro-brasileiras organizações de culto desprendidas das amarras étnicas, raciais, geográficas e de classes sociais.

Os elementos culturais que compõem o Candomblé são, na atualidade, uma parte integrante da cultura do folclore brasileiros.

O Candomblé não deve ser confundido com a Umbanda ou com outras religiões afro-brasileiras e afro-americanas com similar origem (tambor de mina, omolokô, xangô pernambucano ou batuque brasileiros.

També, não pode ser confundico com religiões desenvolvidas em oturas regiões, como o vodu haitiano, a santería cubana, o obeah e o kumina jamaicanos, o winti surinamês, dentre outras, e que são virtualmente desconhecidas no Brasil.




Origens


Gradativamente, os cultos negros foram se propagando pelos engenhos e pelas propriedades onde existiam escravos.

A princípio, em segredo, foram sendo desenvolvidos nas senzalas, e a seguir nas casas particulares, com a aquiescência dos senhores de escravos. Aos poucos foram tomando vulto e reunindo cada vez maior número de adeptos, que, por sua vez, se encarregavam de difundi-los nos grupamentos urbanos que se formavam.

Com o passar dos anos, o culto negro foi assumindo dimensões tais que, em 1830 foi fundada a Casa de Culto do Engenho Velho, na Bahia, que se constituiu no primeiro terreiro público de Candomblé, como já então de denominava o novo culto, no Brasil.




História


No início do século XIX, as etnias africanas eram separadas por confrarias da Igreja Católica na região de Salvador, na Bahia.

Dentre os escravos pertencentes ao grupo dos Nagôs, estavam os Yoruba (Iorubá).

Suas crenças e rituais são parecidos com os de outras nações do Candomblé em termos gerais, mas diferentes em quase todos os detalhes.

Teve início em Salvador, na Bahia. De acordo com as lendas contadas pelos mais velhos, algumas princesas vindas de Oyó e Ketu na condição de escravas fundaram um terreiro num engenho de cana-de- açúcar.

Posteriormente, passaram a reunir-se num local denominado Barroquinha, onde fundaram uma comunidade de Jeje-Nagô pretextando a construção e manutenção da primitiva Capela da Confraria de Nossa Senhora da Barroquinha, atual Igreja de Nossa Senhora da Barroquinha que, segundo historiadores, efetivamente conta com cerca de três séculos de existência.

No Brasil Colônia e depois, já com o país independente mas ainda escravocrata, proliferaram irmandades.

Para cada categoria ocupacional, raça, nação, porque os escravos africanos e seus descendentes procediam de diferentes locais com diferentes culturas, havia uma.

Dos ricos, dos pobres, dos músicos, dos pretos, dos brancos etc. Quase nenhuma de mulheres, e elas, nas irmandades dos homens, entraram sempre como dependentes para assegurarem benefícios corporativos advindos com a morte do esposo.

Para que uma irmandade funcionasse era preciso encontrar uma igreja que a acolhesse e ter aprovados os seus estatutos por uma autoridade eclesiástica.

Muitas conseguiram construir a sua própria Igreja como a Igreja do Rosário da Barroquinha, com a qual a Irmandade da Boa Morte manteve estreito contato.

O que ficou conhecido como devoção do povo de candomblé.

O historiador cachoeirano Luiz Cláudio Dias Nascimento afirma que os atos litúrgicos originais da Irmandade de cor da Boa Morte eram realizados na Igreja da Ordem Terceira do Carmo, templo tradicionalmente frequentado pelas elites locais.

Posteriormente, as irmãs transferiram-se para a Igreja de Santa Bárbara, da Santa Casa da Misericórdia, onde existem imagens de Nossa Senhora da Glória e da Nossa Senhora da Boa Morte.

Desta, mudaram-se para a bela Igreja do Amparo, demolida em 1946 e onde hoje encontram-se moradias de classe média. Daí, saíram para a Igreja Matriz, sede da freguesia, indo depois para a Igreja da Ajuda.

O fato é que não se sabe ao certo precisar a data exata da origem da Irmandade da Boa Morte. Alguns historiadores defendem que a devoção teria começado mesmo em 1820, na Igreja da Barroquinha, tendo sido os Jejes, deslocando-se até Cachoeira, os responsáveis pela sua organização.

Outros ressaltam a mesma época, divergindo quanto à nação das pioneiras, que seriam alforriadas Ketu.

Parece que a composição da irmandade continha variada procedência étnica, já que se fala em mais de uma centena de adeptas nos seus primeiros anos de vida.

Essas confrarias eram os locais onde se reuniam as sacerdotisas africanas já libertas (alforriadas) de várias nações, que foram se separando conforme foram abrindo os terreiros.

Na comunidade existente atrás da capela da confraria, foi construído o Candomblé da Barroquinha pelas sacerdotisas de Ketu, que, depois, se transferiram para o Engenho Velho, ao passo que algumas sacerdotisas de Jeje deslocaram-se para o Recôncavo Baiano, para Cachoeira e São Félix, para onde transferiram a Irmandade da Boa Morte e fundaram vários terreiros de candomblé jeje, sendo o primeiro Kwé Cejá Hundé ou Roça do Ventura.

O Candomblé Ketu ficou concentrado em Salvador. Depois da transferência do Candomblé da Barroquinha para o Engenho Velho, passou a se chamar Ilê Axé Iyá Nassô mais conhecido como Casa Branca do Engenho Velho sendo a primeira casa da nação Ketu no Brasil de onde saíram as Iyalorixás que fundaram o Ilê Axé Opô Afonjá e o Ilê Iya Omin Axé Iyamassé, o Terreiro do Gantois.





Candomblé de Caboclo, em Itaárica (BA)

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Definição


O Candomblé é uma eligião animista, original da região das atuais Nigéria e Benin, trazida para o Brasil por africanos escravizados e aqui estabelecida, na qual sacerdotes e adeptos encenam, em cerimônias públicas e privadas, uma convivência com forças da natureza e ancestrais.

Por extenção, qualquer das seitas derivadas do candomblé ortodoxo, que sofreram processo de inclusão de heterodoxias (elementos de origem banta, do baixo espiritismo, de mitos ameríndios etc.).

O Candomblé é uma religião afro-brasileira derivada de cultos tradicionais africanos, na qual há crença em um Ser Supremo (Olorum, Mawu, ou Nzambi, dependendo da nação) e culto dirigido a forças da natureza personificadas na forma de ancestrais divinizados: orixás, voduns ou inquices, dependendo da nação.

De origem totêmica e familiar, é a religião declarada de 0,3% da população brasileira, segundo dados do Censo 2010 do IBGE.

Também é possível encontrar praticantes em outros países como Uruguai, Argentina, Áustria, Suíça, Itália, Alemanha, Portugal e Espanha.

Inicialmente reprimido pela sociedade escravocrata, pela Igreja Católica, pelo Estado e rejeitado pela sociedade: o Candomblé (como outros cultos de matriz africana), formava até meados do século XX, uma espécie de instituição de resistência cultural, primeiramente dos africanos, e depois dos afro-descendentes. A dessa época, muita coisa mudou, tornando o Candomblé e as demais religiõesa afro-brasileiras organizações de culto desprendidas das amarras étnicas, raciais, geográficas e de classes sociais.

Os elementos culturais que compõem o Candomblé são, na atualidade, uma parte integrante da cultura do folclore brasileiros.

O Candomblé não deve ser confundido com a Umbanda ou com outras religiões afro-brasileiras e afro-americanas com similar origem (tambor de mina, omolokô, xangô pernambucano ou batuque brasileiros.

També, não pode ser confundico com religiões desenvolvidas em oturas regiões, como o vodu haitiano, a santería cubana, o obeah e o kumina jamaicanos, o winti surinamês, dentre outras, e que são virtualmente desconhecidas no Brasil.




Origens


Gradativamente, os cultos negros foram se propagando pelos engenhos e pelas propriedades onde existiam escravos.

A princípio, em segredo, foram sendo desenvolvidos nas senzalas, e a seguir nas casas particulares, com a aquiescência dos senhores de escravos. Aos poucos foram tomando vulto e reunindo cada vez maior número de adeptos, que, por sua vez, se encarregavam de difundi-los nos grupamentos urbanos que se formavam.

Com o passar dos anos, o culto negro foi assumindo dimensões tais que, em 1830 foi fundada a Casa de Culto do Engenho Velho, na Bahia, que se constituiu no primeiro terreiro público de Candomblé, como já então de denominava o novo culto, no Brasil.




História


No início do século XIX, as etnias africanas eram separadas por confrarias da Igreja Católica na região de Salvador, na Bahia.

Dentre os escravos pertencentes ao grupo dos Nagôs, estavam os Yoruba (Iorubá).

Suas crenças e rituais são parecidos com os de outras nações do Candomblé em termos gerais, mas diferentes em quase todos os detalhes.

Teve início em Salvador, na Bahia. De acordo com as lendas contadas pelos mais velhos, algumas princesas vindas de Oyó e Ketu na condição de escravas fundaram um terreiro num engenho de cana-de- açúcar.

Posteriormente, passaram a reunir-se num local denominado Barroquinha, onde fundaram uma comunidade de Jeje-Nagô pretextando a construção e manutenção da primitiva Capela da Confraria de Nossa Senhora da Barroquinha, atual Igreja de Nossa Senhora da Barroquinha que, segundo historiadores, efetivamente conta com cerca de três séculos de existência.

No Brasil Colônia e depois, já com o país independente mas ainda escravocrata, proliferaram irmandades.

Para cada categoria ocupacional, raça, nação, porque os escravos africanos e seus descendentes procediam de diferentes locais com diferentes culturas, havia uma.

Dos ricos, dos pobres, dos músicos, dos pretos, dos brancos etc. Quase nenhuma de mulheres, e elas, nas irmandades dos homens, entraram sempre como dependentes para assegurarem benefícios corporativos advindos com a morte do esposo.

Para que uma irmandade funcionasse era preciso encontrar uma igreja que a acolhesse e ter aprovados os seus estatutos por uma autoridade eclesiástica.

Muitas conseguiram construir a sua própria Igreja como a Igreja do Rosário da Barroquinha, com a qual a Irmandade da Boa Morte manteve estreito contato.

O que ficou conhecido como devoção do povo de candomblé.

O historiador cachoeirano Luiz Cláudio Dias Nascimento afirma que os atos litúrgicos originais da Irmandade de cor da Boa Morte eram realizados na Igreja da Ordem Terceira do Carmo, templo tradicionalmente frequentado pelas elites locais.

Posteriormente, as irmãs transferiram-se para a Igreja de Santa Bárbara, da Santa Casa da Misericórdia, onde existem imagens de Nossa Senhora da Glória e da Nossa Senhora da Boa Morte.

Desta, mudaram-se para a bela Igreja do Amparo, demolida em 1946 e onde hoje encontram-se moradias de classe média. Daí, saíram para a Igreja Matriz, sede da freguesia, indo depois para a Igreja da Ajuda.

O fato é que não se sabe ao certo precisar a data exata da origem da Irmandade da Boa Morte. Alguns historiadores defendem que a devoção teria começado mesmo em 1820, na Igreja da Barroquinha, tendo sido os Jejes, deslocando-se até Cachoeira, os responsáveis pela sua organização.

Outros ressaltam a mesma época, divergindo quanto à nação das pioneiras, que seriam alforriadas Ketu.

Parece que a composição da irmandade continha variada procedência étnica, já que se fala em mais de uma centena de adeptas nos seus primeiros anos de vida.

Essas confrarias eram os locais onde se reuniam as sacerdotisas africanas já libertas (alforriadas) de várias nações, que foram se separando conforme foram abrindo os terreiros.

Na comunidade existente atrás da capela da confraria, foi construído o Candomblé da Barroquinha pelas sacerdotisas de Ketu, que, depois, se transferiram para o Engenho Velho, ao passo que algumas sacerdotisas de Jeje deslocaram-se para o Recôncavo Baiano, para Cachoeira e São Félix, para onde transferiram a Irmandade da Boa Morte e fundaram vários terreiros de candomblé jeje, sendo o primeiro Kwé Cejá Hundé ou Roça do Ventura.

O Candomblé Ketu ficou concentrado em Salvador. Depois da transferência do Candomblé da Barroquinha para o Engenho Velho, passou a se chamar Ilê Axé Iyá Nassô mais conhecido como Casa Branca do Engenho Velho sendo a primeira casa da nação Ketu no Brasil de onde saíram as Iyalorixás que fundaram o Ilê Axé Opô Afonjá e o Ilê Iya Omin Axé Iyamassé, o Terreiro do Gantois.





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