Candomblé

O Candomblé é uma religião afro-brasileira que cultua os orixás, deuses das nações africanas de língua ioruba dotados de sentimentos humanos como ciúme e vaidade.

O Candomblé chegou ao Brasil entre os séculos XVI e XIX com o tráfico de escravos negros da África Ocidental. Sofreu grande repressão dos colonizadores portugueses, que o consideravam feitiçaria.

Para sobreviver às perseguições, os adeptos passaram a associar os orixás aos santos católicos, no sincretismo religioso. Por exemplo, Iemanjá é associada a Nossa Senhora da Conceição; Iansã, a Santa Bárbara, etc.

 

As cerimônias ocorrem em templos chamados territórios ou terreiros. Sua preparação é fechada e envolve muitas vezes o sacrifício de pequenos animais.

 

São celebrados em língua africana e marcadas por cantos e o ritmo dos atabaques (tambores), que variam segundo o orixá homenageado.

No Brasil, a religião cultua apenas 16 dos mais de 300 orixás existentes na África Ocidental.

Definição


O Candomblé é uma eligião animista, original da região das atuais Nigéria e Benin, trazida para o Brasil por africanos escravizados e aqui estabelecida, na qual sacerdotes e adeptos encenam, em cerimônias públicas e privadas, uma convivência com forças da natureza e ancestrais.

Por extenção, qualquer das seitas derivadas do candomblé ortodoxo, que sofreram processo de inclusão de heterodoxias (elementos de origem banta, do baixo espiritismo, de mitos ameríndios etc.).

O Candomblé é uma religião afro-brasileira derivada de cultos tradicionais africanos, na qual há crença em um Ser Supremo (Olorum, Mawu, ou Nzambi, dependendo da nação) e culto dirigido a forças da natureza personificadas na forma de ancestrais divinizados: orixás, voduns ou inquices, dependendo da nação.

De origem totêmica e familiar, é a religião declarada de 0,3% da população brasileira, segundo dados do Censo 2010 do IBGE.

Também é possível encontrar praticantes em outros países como Uruguai, Argentina, Áustria, Suíça, Itália, Alemanha, Portugal e Espanha.

Inicialmente reprimido pela sociedade escravocrata, pela Igreja Católica, pelo Estado e rejeitado pela sociedade: o Candomblé (como outros cultos de matriz africana), formava até meados do século XX, uma espécie de instituição de resistência cultural, primeiramente dos africanos, e depois dos afro-descendentes. A dessa época, muita coisa mudou, tornando o Candomblé e as demais religiõesa afro-brasileiras organizações de culto desprendidas das amarras étnicas, raciais, geográficas e de classes sociais.

Os elementos culturais que compõem o Candomblé são, na atualidade, uma parte integrante da cultura do folclore brasileiros.

O Candomblé não deve ser confundido com a Umbanda ou com outras religiões afro-brasileiras e afro-americanas com similar origem (tambor de mina, omolokô, xangô pernambucano ou batuque brasileiros.

També, não pode ser confundico com religiões desenvolvidas em oturas regiões, como o vodu haitiano, a santería cubana, o obeah e o kumina jamaicanos, o winti surinamês, dentre outras, e que são virtualmente desconhecidas no Brasil.




Origens


Gradativamente, os cultos negros foram se propagando pelos engenhos e pelas propriedades onde existiam escravos.

A princípio, em segredo, foram sendo desenvolvidos nas senzalas, e a seguir nas casas particulares, com a aquiescência dos senhores de escravos. Aos poucos foram tomando vulto e reunindo cada vez maior número de adeptos, que, por sua vez, se encarregavam de difundi-los nos grupamentos urbanos que se formavam.

Com o passar dos anos, o culto negro foi assumindo dimensões tais que, em 1830 foi fundada a Casa de Culto do Engenho Velho, na Bahia, que se constituiu no primeiro terreiro público de Candomblé, como já então de denominava o novo culto, no Brasil.




História


No início do século XIX, as etnias africanas eram separadas por confrarias da Igreja Católica na região de Salvador, na Bahia.

Dentre os escravos pertencentes ao grupo dos Nagôs, estavam os Yoruba (Iorubá).

Suas crenças e rituais são parecidos com os de outras nações do Candomblé em termos gerais, mas diferentes em quase todos os detalhes.

Teve início em Salvador, na Bahia. De acordo com as lendas contadas pelos mais velhos, algumas princesas vindas de Oyó e Ketu na condição de escravas fundaram um terreiro num engenho de cana-de- açúcar.

Posteriormente, passaram a reunir-se num local denominado Barroquinha, onde fundaram uma comunidade de Jeje-Nagô pretextando a construção e manutenção da primitiva Capela da Confraria de Nossa Senhora da Barroquinha, atual Igreja de Nossa Senhora da Barroquinha que, segundo historiadores, efetivamente conta com cerca de três séculos de existência.

No Brasil Colônia e depois, já com o país independente mas ainda escravocrata, proliferaram irmandades.

Para cada categoria ocupacional, raça, nação, porque os escravos africanos e seus descendentes procediam de diferentes locais com diferentes culturas, havia uma.

Dos ricos, dos pobres, dos músicos, dos pretos, dos brancos etc. Quase nenhuma de mulheres, e elas, nas irmandades dos homens, entraram sempre como dependentes para assegurarem benefícios corporativos advindos com a morte do esposo.

Para que uma irmandade funcionasse era preciso encontrar uma igreja que a acolhesse e ter aprovados os seus estatutos por uma autoridade eclesiástica.

Muitas conseguiram construir a sua própria Igreja como a Igreja do Rosário da Barroquinha, com a qual a Irmandade da Boa Morte manteve estreito contato.

O que ficou conhecido como devoção do povo de candomblé.

O historiador cachoeirano Luiz Cláudio Dias Nascimento afirma que os atos litúrgicos originais da Irmandade de cor da Boa Morte eram realizados na Igreja da Ordem Terceira do Carmo, templo tradicionalmente frequentado pelas elites locais.

Posteriormente, as irmãs transferiram-se para a Igreja de Santa Bárbara, da Santa Casa da Misericórdia, onde existem imagens de Nossa Senhora da Glória e da Nossa Senhora da Boa Morte.

Desta, mudaram-se para a bela Igreja do Amparo, demolida em 1946 e onde hoje encontram-se moradias de classe média. Daí, saíram para a Igreja Matriz, sede da freguesia, indo depois para a Igreja da Ajuda.

O fato é que não se sabe ao certo precisar a data exata da origem da Irmandade da Boa Morte. Alguns historiadores defendem que a devoção teria começado mesmo em 1820, na Igreja da Barroquinha, tendo sido os Jejes, deslocando-se até Cachoeira, os responsáveis pela sua organização.

Outros ressaltam a mesma época, divergindo quanto à nação das pioneiras, que seriam alforriadas Ketu.

Parece que a composição da irmandade continha variada procedência étnica, já que se fala em mais de uma centena de adeptas nos seus primeiros anos de vida.

Essas confrarias eram os locais onde se reuniam as sacerdotisas africanas já libertas (alforriadas) de várias nações, que foram se separando conforme foram abrindo os terreiros.

Na comunidade existente atrás da capela da confraria, foi construído o Candomblé da Barroquinha pelas sacerdotisas de Ketu, que, depois, se transferiram para o Engenho Velho, ao passo que algumas sacerdotisas de Jeje deslocaram-se para o Recôncavo Baiano, para Cachoeira e São Félix, para onde transferiram a Irmandade da Boa Morte e fundaram vários terreiros de candomblé jeje, sendo o primeiro Kwé Cejá Hundé ou Roça do Ventura.

O Candomblé Ketu ficou concentrado em Salvador. Depois da transferência do Candomblé da Barroquinha para o Engenho Velho, passou a se chamar Ilê Axé Iyá Nassô mais conhecido como Casa Branca do Engenho Velho sendo a primeira casa da nação Ketu no Brasil de onde saíram as Iyalorixás que fundaram o Ilê Axé Opô Afonjá e o Ilê Iya Omin Axé Iyamassé, o Terreiro do Gantois.





O Candomblés

O Candomblé é praticado segundo diversas formas, de acordo com suas origens africanas.

 

Assim:

O Candomblé Ketú (pronuncia-se "quêtu", também chamado Candomblé Queto ou Candomblé de Rito Nagô é a maior e a mais popular "nação" do Candomblé, tendo origens nas tradições dos povos da região Ketu, incluídos entre os iorubás ("nagôs").

Um dos mitos da criação do mundo (conforme afirma Barretti Fª, em sua obra "Ilê-Ifé a Origem do Mundo.") diz que Odúduwá é seu criador, fundador e o primeiro Ọba Òóni Ifè de Ilé-Ifè – o progenitor de todo o povo yorùbá.

Numa sociedade polígama, Odùduwà teve muitas esposas e uma grande prole.

Os filhos, netos ou bisnetos de Odùduwà, os deuses, semideuses e/ou heróis, formaram a base da nação yorùbá, o que faz Odùduwà ser conhecido como "O Patriarca dos Yorùbá", passando a ser aclamado de Olófin Odùduwà Àjàlàiyé.

Alguns de seus filhos geraram as linhagens dos Ọba dos yorùbá (Reis considerados como descendentes diretos do Òrìṣà cultuado, que representam ou "são" o próprio Òrìṣà em vida) e uns foram os precursores dos principais subgrupos, que deram origem à civilização dos yorùbá e, religiosamente falando, de todos os povos do mundo.

O grupo étnico yorùbá é subdividido em vários subgrupos, tais como: os Kétu, Òyó, Ìjèṣà, Ifè, Ifòn, Ègbà, Èfòn etc. Esses deram origem, na diáspora, à religião dos Òrìṣà.

Os Kétu foram um importante precursor das religiões afro-brasileiras. Portanto, nos Candomblés ditos de nação Kétu, de origem étnica Yorùbá, o Òrìṣà Òsóòsì, o senhor da caça e dos caçadores, é revivido, reverenciado e aclamado como "Ọba Alákétu (título real de Kétu), Rei e Senhor de Kétu e dos Kétu": rei do candomblé Kétu.

Nessa mesma nação, o Òrìṣà Èṣù, principal comunicador, "articulador" e "transformador" de todo o sistema religioso yorùbá e do candomblé, ganha ainda maior notoriedade quando é agraciado, saudado e cultuado como Èṣù Alákétu, Rei em Ilé-Kétu.

Esses Òrìṣà tornam-se identificadores indiscutíveis da nação Kétu e possuem em comum o título real Alákétu.

 

Os Òrìṣà Èṣù e Òsóòsì – Òrìṣàs Alákétu - além de seus valores naturais, revelam-se como poderosos identificadores dos Kétu e de fundamental importância para a continuidade do Candomblé Kétu.

Alákétu continua sendo o título do rei da atual cidade de Kétu, antigo Reino Yorùbá, situada na República do Benim (antigo Daomé), país que faz fronteira, a oeste, com a Nigéria .

Essas regiões são conhecidas por yorubaland: terras onde habitam os yorùbá, independentemente das divisões geopolíticas e/ou sociológicas impostas às etnias africanas.

O Candomblé                        Ketú

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Os BANKISI, MINKISI ou NKISI (inquice)


São entidades similares aos Orixás dos Candomblés de Angola e do Congo.

No panteão dos povos de língua quimbunda originários do Norte de Angola, o deus supremo e criador é Nzambi ou Nzambi Mpungu; abaixo dele, estão os Minkisi ou Mikisi (plural do termo quimbundo Nkisi, "receptáculo"), divindades da mitologia banta.

Nkisi é um termo que provém da língua africana Kimbundu.

Nkisi e seus cognatos em muitas línguas bantas podem se referir a um espírito, um amuleto, um tratamento médico, uma máscara e certos seres humanos especialmente qualificados.




Os Principais BANKISI, MINKISI ou NKISI


São eles:

Mpambu Njila - Nkisi/Akixi dos caminhos e encruzilhadas, Mpambu Njila engloba a

energia dos viajantes, povos nômades. Seu nome significa "Caminho e encruzilhada", em idioma kikongo. Divindade também ligada ao conhecimento.

Oluvaiá - Divindade relacionada a segurança de casas, aldeias, cidades. No candomblé Congo/Angola, é responsável pela segurança das jinzó (casas) de culto. Também possui relação com a fertilidade masculina e ao sexo.

Mavambo/Mavile/Mavilotango - Divindade ligada a segurança.

Nkosi/Hoji - Nkisi da guerra, guardião, divindade da fúria. "Nkosi" significa leão em kikongo, enquanto "Hoji" tem o mesmo significado, em idioma kimbundo.

Xauê - Divindade ligada às batalhas.

Nanguê - Divindade ligada à forja e ao progresso.

Mukumbe - Divindade ligada à agricultura.

Gongo Mukongo - Divindade ligada à caça, mora no fundo das matas.

Katende - Divindade masculina ligada às folhas, remédios e aos pequenos répteis.

Mutakaloombo - Divindade da caça, ligado as matas e as faunas selvagens, também tem relação com a fartura.

Kabila - Divindade do pastoreio, das faunas e da fartura.

Nkongo Mbila - Divindade da caça, da fartura, também ligado à pesca.

Nzazi - Nzazi é a divindade dos raios e por isso é chamado de o “Deus da justiça”, porque em território bantu, quando um raio atinge uma casa, uma pessoa ou uma aldeia isso é atribuído a uma cobrança da justiça divina.

Luango - Divindade ligada ao magma, ao fogo e aos vulcões.

Nvunji - Divindade feminina, ligada aos partos e aos assuntos de justiça. Nos candomblés de Angola é também o Nkisi que acompanha o noviço durante todo seu período de iniciação. Tem estreita ligação com Luango.

Karamuse - Divindade guerreira, ligada aos rios, lagos e lagoas.

Kavungu/Kafungê - Divindade masculina ligada à ráfia, à prosperidade, à terra e aos mistérios.

Nsumbo - Divindade relacionada ao elemento terra, ligado as doenças e a cura.

Kuiganga - Divindade ligada à pureza e a feminilidade.

Hongolo - Divindade ligada à chuva, tempestades, nuvens e ao arco-íris. Tem sua contraparte feminina, chamada Hongolo Menya.

Kitembu/Ndembwa - Divindade rei do candomblé Congo/Angola. Seu nome significa vento.Está ligado as estações do ano, as mudanças, ao clima, ao ventos e tempestades.

Matamba - Divindade feminina, guerreira. Nkisi do fogo, da paixão, do desejo sexual.

Kaiango - Divindade feminina das faunas e dos ventos, está ligada aos mortos.

Nvulu Nsema - Divindade feminina da chuva, dos ventos, dos furacões e tempestades.

Nzumba/Nzumbaranda - É cultuada como a divindade das águas turvas dos pântanos e como sendo aquela que conhece os segredos da vida e da morte (talvez por isso muitos a tem como uma anciã).

Em Kimbundu o termo Nzumba serve para designar “a cor arroxeada da lua durante o eclipse lunar” o que explicaria a cor roxa com que se veste o Nkisi.

Samba Kalunga - Em kimbundu samba significa cortesã, dama da corte, ou seja, mulher nobre. Samba, portanto, dama de alta nobreza, acrescida de Kalunga, que é o mar, gera a locução Dama do mar ou rainha do mar. É um Nkisi de natureza marinha, a quem são dedicados tanto lá em Angola, especificamente Luanda, como no Brasil um culto intenso.

Mikaia/Kaia/Kokueto - Divindade ligada aos mares e oceanos.

Ndanda-Nlunda - Divindade feminina ligada às águas dos rios, cachoeiras e as lavouras.

Kisimbi - Divindades ligadas a água doce.

Nkasute - Nkisi da vitória, da conquista, das lutas, da harmonia e da paz.

Lembá/Lembá Dilê/Lembá dia Nganga - Divindade da ancestralidade, da procriação, da clareza, inteligência humana e patrono dos casamentos. É cultuado tanto entre os Tchokwe, Cabindas, Maiacas, entre outros, variando a sua sexualidade, mas atuando nos mesmos campos.

Existem muitos outros Bankisi/Minkisi, uma vez que não há um número certo de divindades cultuadas pelos povos de Congo e Angola, porém os listados acima são os mais conhecidos no Brasil.




Os Sacramentos do Candomblé Bantú ou de Angola


No Candomblé de Angola, os sacramentos são:

Maionga - Banho de ervas frescas maceradas na água doce, feito para limpeza e purificação espiritual.

Mujinga - Ritual de limpeza e purificação, feito com banho de pipoca.

Kudibala koxi kisaba - Rito de caída sob as folhas.

Nkudia Mutue - Ritual de energização de força (ngolo/nguzu), da cabeça (mutuê), feita através de c omidas (Nkudia).

Kukuana - Celebração de divisão dos alimentos.

Nkudia Mutuê Mahinga/Mayonge - Energização de forças da cabeça, através de sangue.

Sakulupemba - Sacudimento; ritual de limpeza e purificação com folhas.

Katula o jindemba - Ritual de tirar os cabelos; raspagem.

Kujinga - Ritual de cortes ritualísticos (kura).

Kutambula Nfita - Ritual do Juramento.

Kuhandeka/Ukalakele - Ritual de iniciação; "feitura de santo".

Kizuá Dijina - Ritual do nome do iniciado.

Kuvumbu Kuala Nkita - Obrigação secreta, realizada na Mata.

Dizungu Kilume - Saída do santo.

Kadianga mivu - Primeiro aniversário.

Katatu Mivu - Terceiro aniversário.

Kakuinhi Iéia mivu - Décimo quarto aniversário.

Kamakuinhi kadianga mivu - Vigésimo primeiro aniversário.

Kituminu - Obrigação para o Nkisi.

Kituminu Kizomba ia Kitembu - Obrigação e festa de Kitembu.

Ndanka kua Nkosi - ritual de jura para Nkosi.

Leri - Ritual de segredo dos Antigos.

Ntambi/Mukondo - Ritual fúnebre.

Kufunda - Cerimônia fúnebre no cemitério (enterro).

Pangu ni Nvumbi - Rito para alma do morto.

Pangu ni Makulu - Ritual para os antepassados.

Maku ia Nvumbi - Ritual de "tirar a mão do morto".

Lukombo - Celebração de homenagem aos mortos.

Kunda kubanga Mivu - Purificação do ano.

Kutambula Ntanda - Obrigação que autoriza os ensinamentos dos oráculos e transmissão dos direitos aos ensinamentos.

Existem muitos outros rituais do candomblé Congo/Angola, porém esses são os mais importantes e conhecidos.




Os Cargos no Candomblé Bantú ou de Angola


Na hierarquia do Candomblé de Angola, os cargos de maior importância e responsabilidade são:

Taata/Maama diá Nkisi - Sacerdote/Sacerdotisa chefe; pai/mãe de santo.

Taata/Maama Ndenge - Pai/Mãe Pequeno(a).

Kambondo - Todos os homens não rodantes confirmados.

Makota - Todas mulheres não rodantes confirmadas.

Koota Maganza - rodantes com mais de sete anos de iniciação.

Maganza - Todos os rodantes iniciados, com mais de 3 anos.

Muzenza - Iniciados com menos de 3 anos.

Ndumbe - Pessoas não iniciadas.

Além desses, existem vários outros cargos.





O Candomblé Bantu ou Candomblé de Angola é uma das maiores nações de candomblé. Desenvolveu-se entre escravos que falavam Kimbundu, Umbundu kikongo.

A palavra bantu é uma reconstrução do “protobanto” com o significado de gente, termo criado pelo linguista alemão Wilhelm Bleek.

O termo bantu ou banto é usado para identificar os povos da África subsariana que falavam línguas bantas.

O Candomblé                     Bantú

Os BANKISI, MINKISI ou NKISI (inquice)


São entidades similares aos Orixás dos Candomblés de Angola e do Congo.

No panteão dos povos de língua quimbunda originários do Norte de Angola, o deus supremo e criador é Nzambi ou Nzambi Mpungu; abaixo dele, estão os Minkisi ou Mikisi (plural do termo quimbundo Nkisi, "receptáculo"), divindades da mitologia banta.

Nkisi é um termo que provém da língua africana Kimbundu.

Nkisi e seus cognatos em muitas línguas bantas podem se referir a um espírito, um amuleto, um tratamento médico, uma máscara e certos seres humanos especialmente qualificados.




Os Principais BANKISI, MINKISI ou NKISI


São eles:

Mpambu Njila - Nkisi/Akixi dos caminhos e encruzilhadas, Mpambu Njila engloba a

energia dos viajantes, povos nômades. Seu nome significa "Caminho e encruzilhada", em idioma kikongo. Divindade também ligada ao conhecimento.

Oluvaiá - Divindade relacionada a segurança de casas, aldeias, cidades. No candomblé Congo/Angola, é responsável pela segurança das jinzó (casas) de culto. Também possui relação com a fertilidade masculina e ao sexo.

Mavambo/Mavile/Mavilotango - Divindade ligada a segurança.

Nkosi/Hoji - Nkisi da guerra, guardião, divindade da fúria. "Nkosi" significa leão em kikongo, enquanto "Hoji" tem o mesmo significado, em idioma kimbundo.

Xauê - Divindade ligada às batalhas.

Nanguê - Divindade ligada à forja e ao progresso.

Mukumbe - Divindade ligada à agricultura.

Gongo Mukongo - Divindade ligada à caça, mora no fundo das matas.

Katende - Divindade masculina ligada às folhas, remédios e aos pequenos répteis.

Mutakaloombo - Divindade da caça, ligado as matas e as faunas selvagens, também tem relação com a fartura.

Kabila - Divindade do pastoreio, das faunas e da fartura.

Nkongo Mbila - Divindade da caça, da fartura, também ligado à pesca.

Nzazi - Nzazi é a divindade dos raios e por isso é chamado de o “Deus da justiça”, porque em território bantu, quando um raio atinge uma casa, uma pessoa ou uma aldeia isso é atribuído a uma cobrança da justiça divina.

Luango - Divindade ligada ao magma, ao fogo e aos vulcões.

Nvunji - Divindade feminina, ligada aos partos e aos assuntos de justiça. Nos candomblés de Angola é também o Nkisi que acompanha o noviço durante todo seu período de iniciação. Tem estreita ligação com Luango.

Karamuse - Divindade guerreira, ligada aos rios, lagos e lagoas.

Kavungu/Kafungê - Divindade masculina ligada à ráfia, à prosperidade, à terra e aos mistérios.

Nsumbo - Divindade relacionada ao elemento terra, ligado as doenças e a cura.

Kuiganga - Divindade ligada à pureza e a feminilidade.

Hongolo - Divindade ligada à chuva, tempestades, nuvens e ao arco-íris. Tem sua contraparte feminina, chamada Hongolo Menya.

Kitembu/Ndembwa - Divindade rei do candomblé Congo/Angola. Seu nome significa vento.Está ligado as estações do ano, as mudanças, ao clima, ao ventos e tempestades.

Matamba - Divindade feminina, guerreira. Nkisi do fogo, da paixão, do desejo sexual.

Kaiango - Divindade feminina das faunas e dos ventos, está ligada aos mortos.

Nvulu Nsema - Divindade feminina da chuva, dos ventos, dos furacões e tempestades.

Nzumba/Nzumbaranda - É cultuada como a divindade das águas turvas dos pântanos e como sendo aquela que conhece os segredos da vida e da morte (talvez por isso muitos a tem como uma anciã).

Em Kimbundu o termo Nzumba serve para designar “a cor arroxeada da lua durante o eclipse lunar” o que explicaria a cor roxa com que se veste o Nkisi.

Samba Kalunga - Em kimbundu samba significa cortesã, dama da corte, ou seja, mulher nobre. Samba, portanto, dama de alta nobreza, acrescida de Kalunga, que é o mar, gera a locução Dama do mar ou rainha do mar. É um Nkisi de natureza marinha, a quem são dedicados tanto lá em Angola, especificamente Luanda, como no Brasil um culto intenso.

Mikaia/Kaia/Kokueto - Divindade ligada aos mares e oceanos.

Ndanda-Nlunda - Divindade feminina ligada às águas dos rios, cachoeiras e as lavouras.

Kisimbi - Divindades ligadas a água doce.

Nkasute - Nkisi da vitória, da conquista, das lutas, da harmonia e da paz.

Lembá/Lembá Dilê/Lembá dia Nganga - Divindade da ancestralidade, da procriação, da clareza, inteligência humana e patrono dos casamentos. É cultuado tanto entre os Tchokwe, Cabindas, Maiacas, entre outros, variando a sua sexualidade, mas atuando nos mesmos campos.

Existem muitos outros Bankisi/Minkisi, uma vez que não há um número certo de divindades cultuadas pelos povos de Congo e Angola, porém os listados acima são os mais conhecidos no Brasil.




Os Sacramentos do Candomblé Bantú ou de Angola


No Candomblé de Angola, os sacramentos são:

Maionga - Banho de ervas frescas maceradas na água doce, feito para limpeza e purificação espiritual.

Mujinga - Ritual de limpeza e purificação, feito com banho de pipoca.

Kudibala koxi kisaba - Rito de caída sob as folhas.

Nkudia Mutue - Ritual de energização de força (ngolo/nguzu), da cabeça (mutuê), feita através de c omidas (Nkudia).

Kukuana - Celebração de divisão dos alimentos.

Nkudia Mutuê Mahinga/Mayonge - Energização de forças da cabeça, através de sangue.

Sakulupemba - Sacudimento; ritual de limpeza e purificação com folhas.

Katula o jindemba - Ritual de tirar os cabelos; raspagem.

Kujinga - Ritual de cortes ritualísticos (kura).

Kutambula Nfita - Ritual do Juramento.

Kuhandeka/Ukalakele - Ritual de iniciação; "feitura de santo".

Kizuá Dijina - Ritual do nome do iniciado.

Kuvumbu Kuala Nkita - Obrigação secreta, realizada na Mata.

Dizungu Kilume - Saída do santo.

Kadianga mivu - Primeiro aniversário.

Katatu Mivu - Terceiro aniversário.

Kakuinhi Iéia mivu - Décimo quarto aniversário.

Kamakuinhi kadianga mivu - Vigésimo primeiro aniversário.

Kituminu - Obrigação para o Nkisi.

Kituminu Kizomba ia Kitembu - Obrigação e festa de Kitembu.

Ndanka kua Nkosi - ritual de jura para Nkosi.

Leri - Ritual de segredo dos Antigos.

Ntambi/Mukondo - Ritual fúnebre.

Kufunda - Cerimônia fúnebre no cemitério (enterro).

Pangu ni Nvumbi - Rito para alma do morto.

Pangu ni Makulu - Ritual para os antepassados.

Maku ia Nvumbi - Ritual de "tirar a mão do morto".

Lukombo - Celebração de homenagem aos mortos.

Kunda kubanga Mivu - Purificação do ano.

Kutambula Ntanda - Obrigação que autoriza os ensinamentos dos oráculos e transmissão dos direitos aos ensinamentos.

Existem muitos outros rituais do candomblé Congo/Angola, porém esses são os mais importantes e conhecidos.




Os Cargos no Candomblé Bantú ou de Angola


Na hierarquia do Candomblé de Angola, os cargos de maior importância e responsabilidade são:

Taata/Maama diá Nkisi - Sacerdote/Sacerdotisa chefe; pai/mãe de santo.

Taata/Maama Ndenge - Pai/Mãe Pequeno(a).

Kambondo - Todos os homens não rodantes confirmados.

Makota - Todas mulheres não rodantes confirmadas.

Koota Maganza - rodantes com mais de sete anos de iniciação.

Maganza - Todos os rodantes iniciados, com mais de 3 anos.

Muzenza - Iniciados com menos de 3 anos.

Ndumbe - Pessoas não iniciadas.

Além desses, existem vários outros cargos.





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Candomblé de Caboclo é todo Candomblé que além do culto aos Orixás, voduns (ou nkisis), cultua também espíritos ameríndios, chamados de entidades, catiços (ou caboclos boiadeiros) e gentileiros.

O Candomblé                  Caboclo

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Definição


O Candomblé é uma eligião animista, original da região das atuais Nigéria e Benin, trazida para o Brasil por africanos escravizados e aqui estabelecida, na qual sacerdotes e adeptos encenam, em cerimônias públicas e privadas, uma convivência com forças da natureza e ancestrais.

Por extenção, qualquer das seitas derivadas do candomblé ortodoxo, que sofreram processo de inclusão de heterodoxias (elementos de origem banta, do baixo espiritismo, de mitos ameríndios etc.).

O Candomblé é uma religião afro-brasileira derivada de cultos tradicionais africanos, na qual há crença em um Ser Supremo (Olorum, Mawu, ou Nzambi, dependendo da nação) e culto dirigido a forças da natureza personificadas na forma de ancestrais divinizados: orixás, voduns ou inquices, dependendo da nação.

De origem totêmica e familiar, é a religião declarada de 0,3% da população brasileira, segundo dados do Censo 2010 do IBGE.

Também é possível encontrar praticantes em outros países como Uruguai, Argentina, Áustria, Suíça, Itália, Alemanha, Portugal e Espanha.

Inicialmente reprimido pela sociedade escravocrata, pela Igreja Católica, pelo Estado e rejeitado pela sociedade: o Candomblé (como outros cultos de matriz africana), formava até meados do século XX, uma espécie de instituição de resistência cultural, primeiramente dos africanos, e depois dos afro-descendentes. A dessa época, muita coisa mudou, tornando o Candomblé e as demais religiõesa afro-brasileiras organizações de culto desprendidas das amarras étnicas, raciais, geográficas e de classes sociais.

Os elementos culturais que compõem o Candomblé são, na atualidade, uma parte integrante da cultura do folclore brasileiros.

O Candomblé não deve ser confundido com a Umbanda ou com outras religiões afro-brasileiras e afro-americanas com similar origem (tambor de mina, omolokô, xangô pernambucano ou batuque brasileiros.

També, não pode ser confundico com religiões desenvolvidas em oturas regiões, como o vodu haitiano, a santería cubana, o obeah e o kumina jamaicanos, o winti surinamês, dentre outras, e que são virtualmente desconhecidas no Brasil.




Origens


Gradativamente, os cultos negros foram se propagando pelos engenhos e pelas propriedades onde existiam escravos.

A princípio, em segredo, foram sendo desenvolvidos nas senzalas, e a seguir nas casas particulares, com a aquiescência dos senhores de escravos. Aos poucos foram tomando vulto e reunindo cada vez maior número de adeptos, que, por sua vez, se encarregavam de difundi-los nos grupamentos urbanos que se formavam.

Com o passar dos anos, o culto negro foi assumindo dimensões tais que, em 1830 foi fundada a Casa de Culto do Engenho Velho, na Bahia, que se constituiu no primeiro terreiro público de Candomblé, como já então de denominava o novo culto, no Brasil.




História


No início do século XIX, as etnias africanas eram separadas por confrarias da Igreja Católica na região de Salvador, na Bahia.

Dentre os escravos pertencentes ao grupo dos Nagôs, estavam os Yoruba (Iorubá).

Suas crenças e rituais são parecidos com os de outras nações do Candomblé em termos gerais, mas diferentes em quase todos os detalhes.

Teve início em Salvador, na Bahia. De acordo com as lendas contadas pelos mais velhos, algumas princesas vindas de Oyó e Ketu na condição de escravas fundaram um terreiro num engenho de cana-de- açúcar.

Posteriormente, passaram a reunir-se num local denominado Barroquinha, onde fundaram uma comunidade de Jeje-Nagô pretextando a construção e manutenção da primitiva Capela da Confraria de Nossa Senhora da Barroquinha, atual Igreja de Nossa Senhora da Barroquinha que, segundo historiadores, efetivamente conta com cerca de três séculos de existência.

No Brasil Colônia e depois, já com o país independente mas ainda escravocrata, proliferaram irmandades.

Para cada categoria ocupacional, raça, nação, porque os escravos africanos e seus descendentes procediam de diferentes locais com diferentes culturas, havia uma.

Dos ricos, dos pobres, dos músicos, dos pretos, dos brancos etc. Quase nenhuma de mulheres, e elas, nas irmandades dos homens, entraram sempre como dependentes para assegurarem benefícios corporativos advindos com a morte do esposo.

Para que uma irmandade funcionasse era preciso encontrar uma igreja que a acolhesse e ter aprovados os seus estatutos por uma autoridade eclesiástica.

Muitas conseguiram construir a sua própria Igreja como a Igreja do Rosário da Barroquinha, com a qual a Irmandade da Boa Morte manteve estreito contato.

O que ficou conhecido como devoção do povo de candomblé.

O historiador cachoeirano Luiz Cláudio Dias Nascimento afirma que os atos litúrgicos originais da Irmandade de cor da Boa Morte eram realizados na Igreja da Ordem Terceira do Carmo, templo tradicionalmente frequentado pelas elites locais.

Posteriormente, as irmãs transferiram-se para a Igreja de Santa Bárbara, da Santa Casa da Misericórdia, onde existem imagens de Nossa Senhora da Glória e da Nossa Senhora da Boa Morte.

Desta, mudaram-se para a bela Igreja do Amparo, demolida em 1946 e onde hoje encontram-se moradias de classe média. Daí, saíram para a Igreja Matriz, sede da freguesia, indo depois para a Igreja da Ajuda.

O fato é que não se sabe ao certo precisar a data exata da origem da Irmandade da Boa Morte. Alguns historiadores defendem que a devoção teria começado mesmo em 1820, na Igreja da Barroquinha, tendo sido os Jejes, deslocando-se até Cachoeira, os responsáveis pela sua organização.

Outros ressaltam a mesma época, divergindo quanto à nação das pioneiras, que seriam alforriadas Ketu.

Parece que a composição da irmandade continha variada procedência étnica, já que se fala em mais de uma centena de adeptas nos seus primeiros anos de vida.

Essas confrarias eram os locais onde se reuniam as sacerdotisas africanas já libertas (alforriadas) de várias nações, que foram se separando conforme foram abrindo os terreiros.

Na comunidade existente atrás da capela da confraria, foi construído o Candomblé da Barroquinha pelas sacerdotisas de Ketu, que, depois, se transferiram para o Engenho Velho, ao passo que algumas sacerdotisas de Jeje deslocaram-se para o Recôncavo Baiano, para Cachoeira e São Félix, para onde transferiram a Irmandade da Boa Morte e fundaram vários terreiros de candomblé jeje, sendo o primeiro Kwé Cejá Hundé ou Roça do Ventura.

O Candomblé Ketu ficou concentrado em Salvador. Depois da transferência do Candomblé da Barroquinha para o Engenho Velho, passou a se chamar Ilê Axé Iyá Nassô mais conhecido como Casa Branca do Engenho Velho sendo a primeira casa da nação Ketu no Brasil de onde saíram as Iyalorixás que fundaram o Ilê Axé Opô Afonjá e o Ilê Iya Omin Axé Iyamassé, o Terreiro do Gantois.





Candomblé de Caboclo, em Itaárica (BA)

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Oferenda para caboclo

Os Fundamentos do Candomblé


O Candomblé absorveu e sedimentou as crenças originais dos negros escravos, constituindo-se na recriação brasileira da religiosidade africana, e, essencialmente, ocupa-se do culto aos Orixás.

O conceito da existência de dois mundos distintos, o “Ayé” e o “Orum” determina a filosofia da organização do Candomblé, cuja principal função é manter a possibilidade de ligação entre esses dois universos, e harmoniza-los.

A realização do cerimonial, permitindo de forma visível e por espaço de tempo determinado a manifestação dos Orixás, trazendo-os do Além para o mundo material, restabelece a unidade dos Universo, fragmentada pelo homem de outrora.

Para o culto, essa restauração dos laços entre os dois mundos, constitue-se em seu objetivo básico, a razão de sua própria existência, e o principal aspecto de sua religiosidade.

É através desse cerimonial que o homem liga-se novamente a um mundo do qual, em suas origens, não estava separado, e o faz através do exercício de um sacerdócio voluntário e no mais das vezes sacrificante e penoso, mas que lhe traz, em contrapartida, as benesses dos Orixás: receberá orientação e encaminhamento para suas dificuldades; serão curadas suas doenças; terá proteção contra seus inimigos, etc.

O mundo do Candomblé é extremamene complexo. Não é possível defini-lo com correlações gêmeas dos conceitos cristãos de Terra, Paraíso, Purgatório e Inferno.

Trata-se de um mundo dinâmico, de interligação e equilíbrio entre inúmeras forças, e no qual as existências reais não são o aspecto exterior das coisas, mas sim sua interioridade. Da mesma forma não existe uma fronteira rígida entre o bem e o mal, sendo este, geralmente, considerado como um bem erradamente interpretado.

Nesse mundo são seres atuantes:

O HOMEM - dotado de corpo, em seu papel de sacerdote e operador.

Os ORIXÁS - deuses que habitam o “Orum”.

EXÚ - que geralmente não é classificado como Orixá.

Os EGUNS - as almas dos mortos.

Os ESPÍRITOS DA NATUREZA - das árvores, das pedras, dos animais, do fogo, a água, etc.

As EGRÉGORAS - espíritos coletivos criados por tempo determinado para executar um trabalho específico.

Os QUIUMBAS - almas que ainda não compreenderam sua situação de seres sem corpo físico ou que, se a compreenderam, não a aceitam.




Os seres atuantes no Candomblé


O HOMEM, encarnado e vivente no “Ayé”, é o elemento que se dispõe a servir de veículo para a interligação com o “Orum”, através do fenömeno da incorporação, principal tarefa que lhe é destinada. Opera, ainda, em atividades auxiliares aos rituais e em funções administrativas do terreiro.

Os ORIXÁS constituem-se nos administradores maiores de ambos os mundos, neles influindo com a força e a magia de seus poderes, razão porque devem ser homenageados e cultuados, no objetivo de captar sua simpatia e proteção.

EXÚ é a entidade espiritual que se encarrega da proteção e da guarda do terreiro, exercendo ainda as funções de mensageiro dos Orixás e intermediário entre estes e os homens. Senhor da força que não apenas percorre, como atravessa o limite entre os dois mundos, Exú exerce a tarefa de manter vivas as ligações entre as duas regiões.

Os EGUNS, ou almas dos mortos, são os espíritos dos ancestrais já desencarnados. Embora o termo sirva para definir genéricamente todos os espíritos dos mortos, os Eguns atuantes no terreiro do Candomblé são os espíritos dos ancestrais já posicionados no mundo astral e que, controlados mediante rituais específicos, incumbem-se de aconselhar e proteger seus descendentes ou o clã ao qual estejam vinculados. O Candomblé não lhes rende culto específico, destinando-se os cerimoniais que lhes são destinados, a agrada-los ou afasta-los, simplesmente. O culto aos Eguns é muito raro, existindo no Brasil apenas dois templos dedicados a essa prática, ambos situados na Ilha de Itaparica, na Bahia.

Os ESPÍRITOS DA NATUREZA constituem-se na parte espiritual contida em cada elemento da natureza: as plantas, as pedras, os vegetais, os animais, etc.

O ESPÍRITO COLETIVO, a EGRÉGORA, chamado de Sr. Sacaranga, é uma entidade criada geralmente no início da reunião de culto, para defender o local, dissolvendo-se ao seu término. Há, contudo, pais-de-santo que criam essas entidades e prolongam sua existência, delas se utilizando como armas para resolverem as desavenças que têm, em geral, com outros chefes de terreiro.

Os QUIUMBAS são os espíritos dos mortos que ainda se encontram confusos quanto à sua real situação e posição no mundo astral. São mágicamente aprisionados pelo Candomblé, e utilizados na realização de trabalhos, nem sempre voltados à realização do bem. Em troca recebem alimentação através de energias diversas, inclusive de natureza sexual, que são roubadas de suas vítimas.




Organização do Templo de Candomblé


O templo de Candomblé recebe diversas denominações: terreiro, abaçá, roça, ilé e outros.

No verdadeiro Candomblé, o terreiro corresponde, no “Ayé”, ao espelho exato e reprodução fiel de um local semelhante, existente no “Orum”.

No terreiro, cada espaço, cada divisão, se constitue na imagem, símbolo e elemento de efetiva união a essa região astral reproduzida. Sem esse “duplo” arranjado na Terra, o homem não poderia ter acesso às coisas do “Orum”.

Em decorrência do conceito de que as coisas da natureza se constituem no receptáculo do “duplo” dos seres, e no “habitat” natural dos espíritos, o terreiro apresenta-se, no verdadeiro Candomblé, circundado de bosques e vegetação.

Nesses bosques, a maior das árvores é consagrada a Iroko, Oxirá cujo elemento natural é associado a uma árvore, a gameleira branca, de fortes e profundas raizes e tronco robusto. No centro do terreiro, em área desmatada e limpa, erguem-se as construções dedicadas ao culto.

À frente de todas, situa-se o “Ilê-Dokutá”, a Casa de Exú, construção dedicada a essa entidade que é a sentinela por excelência, o guardião do terreiro e de seus limites, e o defensor da força da comunidade. A seguir vem o “Balé das Almas”, pequena construção onde permanecem os Eguns, sob a perene vigilância de Iansã. Junto a essas construções, ergue-se um mastro, o “Ixê”, que ostenta um pote, denominado “Pote do Tempo”, ao pé do qual encontra-se enterrado o “Axé” da Casa, que é um conjunto de substâncias devidamente preparadas para funcionarem como absorventes das energias negativas que, acidental ou propositadamente enviadas, venham a se abater sobre o local.

Em alguns terreiros existem ainda construções dedicadas a Obaluaiê e a Ogum.

A construção principal, que vem a seguir, é o local destinado à realização do culto, nela existindo um salão principal, do qual um setor delimitado è reservado à assistência. Outro espaço é destinado aos membros do terreiro, e nele são realizadas as danças em homenagem aos Oxirás. Ao fundo, ficam os atabaques, montados sobre um estrado, e depois as cadeiras destinadas aos mais importantes frequentadores da Casa. Em seguida pode haver ou não um altar com imagens católicas, e, finalmente, vem a poltrona ocupada pelo babalorixá.

Anexos a esse salão principal, situam-se os demais cômodos da Casa. Um deles, ao qual os visitantes não têm acesso, destina-se à guarda dos assentamentos e potes em que se concentram as forças dos Orixás, e junto aos quais são depositadas as oferendas. Outro compartimento é destinado à preparação e à troca de roupas pelos praticantes, e outro ainda, à cozinha, onde são preparadas as comidas rituais. A seguir, vem as camarinhas, cômodos onde os neófitos devem ficar durante o período de iniciação. É nesse conjunto de compartimentos que têm lugar as cerimônias, cujos ritos visam, essencialmente, atender aos Orixás, possibilitando sua atuação no “Ayé”, enquanto aos homens cabe o papel de servir de ponte de comunicação entre os dois mundos.




Os Rituais do Candomblé


Os rituais do Candomblé são muito numerosos e complexos, e, da mesma forma como os cômodos que constituem o terreiro, parte desse cerimonial é franqueada ao público e parte lhe é vedada, sendo exercida na privacidade dos membros já iniciados.

O comando do terreiro de Candomblé é sempre centralizado do babalorixá - ou na yalorixá -, que dispõe livremente sobre sua organização, sobre o tipo e a natureza dos cultos a serem realizados, e sobre as regras estabelecidas para o funcionamento da Casa, independentemente de consultas ou de interferências das entidades espirituais.

As principais cerimönias do Candomblé são:

O Padê de Exú - conjunto de rituais de iniciação que abrange desde a reclusão na camarinha até a feitura (raspagem) de cabeça dos novos filhos de santo.

O Orunkó - quando o Orixá revela ao iniciado, seu nome em nagô.

A Quitanda de Erê - oportunidade em que os recém-iniciados vendem os doces e objetos que fabricaram enquanto reclusos na camarinha.

O Bori - quando se oferecem as comidas e bebidas aos Orixás.

A preparação dos objetos de culto.

As sessões de dança e culto aos Orixás.

O descarrego.

O Axexê - cerimônia fúnebre.

Os cerimoniais do Candomblé, públicos ou privados sempre se iniciam com o “Padê a Exú” ( não confundir com o “Padê de Exú” ), ritual no qual são feitas oferendas a essa entidade, com o propósito de garantir a segurança dos trabalhos, a abertura dos caminhos e o fluxo de energia que permite a ligação entre os Orixás e os homens. Essa cerimônia inicial é indispensável, e em alguns terreiros é realizada com a presença do público, enquanto em outros, face à potência das forças invocadas, é feita apenas com a presença dos membros da Casa, sendo a assistência admitida após sua conclusão.

As oferendas a Exú, compostas de água, dendê, farinha, bebidas destiladas e acaçá (bolinho de milho), são depositadas no centro do terreiro e manipuladas exclusivamente pelo babalorixá e por um iniciado especialmente preparado, e depois, levadas para fora do recinto, sob o som dos atabaques e dos cantos evocatórios.

Após essa entrega, iniciam-se os cantos de chamamento dos Orixás, prosseguindo os trabalhos com danças e cantos acompanhados pelos atabaques e intermediados com períodos de passes e consultas aos guias.

No Candombé é admitido e largamente empregado o sacrifício de animais e aves, que são imolados em homenagem, tanto a Exú como a outros Orixás, práticas que geralmente são realizadas na privacidade dos membros da Casa, sem a presença do público.




Iniciação dos Fiéis


O candidato à iniciação no Candomblé é chamado de “abiã”.

No processo de iniciação ele se recolhe, em transe ou não, à camarinha, onde permanece por períodos variados que podem chegar até a um mês, alimentando-se apenas de comidas e bebidas rituais, e entregue a períodos de meditação em estado consciente, intermediados com outros em que se mantém em transe ou incorporado, e outros ainda em que, novamente consciente, se ocupa da fabricação de doces e objetos.

A maior parte do tempo o iniciante permanece num estado de semi- consciência, muitas vezes induzido pelas beberagens que lhe são servidas, e passa por períodos de incorporação, numa das quais seu Orixá de cabeça se anuncia e lhe dá certas instruções particulares que a ninguém podem ser reveladas.

Segue-se o ritual de raspagem de cabeça (ou feitura da cabeça), prática essa já abolida em inúmeros terreiros, após o que o “abiã” oferece ao seu Orixá de cabeça as comidas e bebidas rituais que lhe são correspondentes, e se torna um “iaô”, que é o iniciado principiante.

A última cerimônia desse ciclo iniciático é a Quitanda de Erê, em que o iniciante vende aos demais fiéis do terreiro os pequenos objetos e doces fabricados durante o período de camarinha, com o objetivo de angariar fundos que amenizem as despesas que fez durante o período preparatório e que, geralmente, são elevadas.

Decorridos sete anos de aprendizado como “iaô”, o praticante recebe o “decá”, ou seja, a autorização para abrir seu próprio terreiro, permanecendo, porém sob a supervisão e vigilância de seu babalorixá durante os catorze anos seguintes, ao cabo dos quais será, por sua vez, elevado à condição de babalorixá.





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