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  Egum

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Alma ou espírito de um ser humano morto.

O vocábulo é usado para designar qualquer morto, apesar de alguns babalorixás sustentarem que tal uso é errôneo, constituindo-se numa simplificação inadequada de conceitos mais sofisticados.

Segundo eles, só é Egum o espírito de um morto já posicionado no mundo astral, ou seja, um espírito já controlado por rituais específicos e afastado e libertado totalmente das ligações materialistas do nosso mundo.

Outros espíritos que ainda não alcançaram esse estágio, seriam os “Quiumbas”, almas revoltadas ou descontroladas, em flagrante desequilíbrio energético, presos às tentações do mundo material e consumidores da energia dos seres vivos aos quais, geralmente, prejudicam.

 

No Candomblé, que admite a incorporação dos Orixás e apenas a eles rende culto, os Eguns raramente são benvindos, sendo reconhecidos, porém indesejados. Não são cultuados - a não ser pelas “Sociedades Secretas dos Eguns” - e os rituais mais comuns são destinados a afasta- los.

São almas consideradas potencialmente perigosas, porque ainda muito humanas e, portanto, corrompíveis, ao contrário da energia pura e não individualizada de um Orixá.

Em certos terreiros alguns poucos Eguns podem ser fixados e cultuados com a finalidade de servirem de guardiões da Casa, impedindo a penetração de outros Eguns.

Às vezes os Eguns podem fixar-se ao lado de uma pessoa, induzidos por sua insistência em não se afastarem dos prazeres da materialidade, que podem partilhar através da possessão de pontos energéticos dos seres humanos, experimentando, assim, os mesmos prazeres que aqueles pessoas.

Em outros casos, essa proximidade insistente decorre da recusa em se afastarem dos seres vivos a quem amaram ou com quem conviveram.

Em ambas as circunstâncias produzem dificuldades, havendo a necessidade de serem retirados de perto das pessoas, mediante cerimoniais apropriados.

 

Na Umbanda a colocação é absolutamente diversa.

Uma das marcantes diferenças entre os dois cultos é o fato de o Candomblé apenas admitir a incorporação de Orixás, não se interessando pelo relacionamento com outros tipos de entidades, enquanto que a Umbanda não admite como possível a incorporação direta de Orixás, por entende-los como entidades portadoras de vibrações energéticas extraordinariamente elevadas e incompatíveis com a capacidade mediúnica do ser humano.

As entidades atuantes na Umbanda são espíritos de seres humanos desencarnados, portanto Eguns, que já atingiram elevado grau de evolução espiritual, e que, agrupados em Correntes de Trabalho, atuam na condição de mensageiros dos Orixás, devendo, por isso, serem acolhidos e respeitados, e não afastados.

A Umbanda, todavia, reconhece a existência dos Quiumbas, que classifica como espíritos não iluminados, sofredores, e que se contituem em almas não suficientemente evoluídas, e que devem ser orientadas e doutrinadas para que possam, no devido tempo, serem resgatados dessa condição.

A Umbanda também reconhece os aspectos negativos da proximidade indevida dos Quiumbas, defendendo, contudo, a necessidade de trabalhar em prol de sua melhoria, via doutrinação, esclarecendo-os e em consequência conscientizando-os da necessidade de se afastarem da pessoa a quem obedeçam.

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