Encantaria

A Encantaria é uma forma de manifestação espiritual e religiosa afro- ameríndia, praticada sobretudo no Piauí, Bahia, Maranhão e Pará.

Na região amazônica, a crença nos encantados está difundida em grande parte da região.

O encantado é um elemento central da pajelança cabocla, que teve forte influência ameríndia e, posteriormente, influência negra, dando origem ao babaçuê.

Na ilha de Marajó, seres encantados como o boto, a cobra grande, iara, vitória régia, sereias, matintas, estão intimamente ligados aos elementos da natureza como o mar, baías, rios, furos, estreitos, lagos, igarapés, igapós, campos inundados como representações das moradas dos encantados.

A Encantaria pode estar associada a diversas religiões presentes nesses Estados, como a Pajelança ou Cura, o Terecô (Mata ou Encantaria de Maria Bárbara Soeira), o Babaçuê e o Tambor de Mina.

Diferente da Umbanda, na qual as entidades são espíritos de índios, escravos, etc, que desencarnaram e hoje trabalham individualmente (geralmente usando nomes fictícios), na Encantaria, os encantados não são necessariamente de origem afro-brasileira.

Esses seres não morreram, e sim, se "encantaram", ou seja, desapareceram misteriosamente, tornaram-se invisíveis ou se transformaram em um animal, planta, pedra, ou até mesmo um dos seres mitológicos e do folclore brasileiro como sereias, botos e curupiras.

Na Encantaria, as entidades estão agrupadas em famílias e possuem nome, sobrenome e geralmente sabem contar a sua história de quando viveram na terra antes de se encantarem.

Encantaria também pode se referir aos lugares onde tais entidades vivem.

 

 

 

 

A ENCANTARIA MARANHENSE

 

 

No estado do Maranhão, o culto aos encantados é uma parte muito importante do Tambor-de-Mina (estando ausente apenas na Casa das Minas) e do Terecô.

A Encantaria é presente em praticamente todo o Estado, tendo atravessado as fronteiras do Maranhão e chegando a estados vizinho como o Piauí e o Pará.

Mas, a verdade é que muitas entidades da Encantaria-de-Mina do Maranhão já podem ser encontradas em tendas de todo o Brasil.

Os maiores centros de Encantaria são as cidades de São Luís, Codó, Caxias, e Cururupu, todas no Maranhão, e também Teresina (Piauí) e Belém do Pará.

No Tambor-de-Mina e no Terecô, são cultuadas diversas divindades de origens diversas, tais como africanas (Voduns e certos Orixás), católicas (o Deus único, o Espírito Santo e a Virgem Maria) e encantados, que são chamados de gentis (se forem nobres de origem europeia) ou de caboclos (de origem nativa ou não, como os "turcos", reis mouros).

Os encantados do Maranhão estão agrupados em famílias, tem nomes próprios e contam suas histórias de quando viveram na Terra, sendo recebidos em transe mediúnico.

Eles dizem que estar encantado é como viver em um mundo congelado, pois eles vêem as coisas acontecerem ao redor, mas ninguém pode vê-los: eles estão invisíveis.

Os lugares onde eles se encontram encantados fazem referências a diversas coisas e lugares do estado como as matas de Codó, o Boqueirão, a Pedra de Itacolomi, ilhas e a famosa Praia dos Lençóis, onde se encontra o Reinado do Rei Dom Sebastião.

No Maranhão, não necessariamente um caboclo é uma entidade indígena.

 

 

 

A ENCANTARIA PIAUIENSE

 

O Piauí, devido à proximidade com o Maranhão, e em especial, com Teresina, que fica na divisa dos Estados e muito próxima á cidade Codó, esta ultima tida como “a capital mundial da feitiçaria”, reebe muita influência do Tambor-de-Mina e da Encantaria Maranhense, além da tradicional Umbanda.

Em Teresina é possível encontrar mais de 500 terreiros de cultos afro-brasileiros.

 

A Encantaria Piauiense é fortemente ligada ao catolicismo popular.

No  Piauí,  os  crentes  repetem  várias  vezes  certa  quadra  rogatória de purificação.

 

Depois  o Pai-de-Santo dança em  volta da guma no centro de um  círculo formado por todos os dançantes que giram em torno de si mesmos da direita para a esquerda em volta do mestre.

Cânticos são entoados para que algum moço (espírito) se aposse de seu aparelho (filho ou filha-de-santo) e cante sua doutrina, dançando em transe.

 

 

 

 

A ENCANTARIA PARAENSE

 

 

No final do século XIX, o Tambor de Mina chegou ao Pará, vindo do Maranhão, com a fundação de terreiros como o Terreiro de Tambor de Mina Dois Irmãos.

Como exemplo de Encantaria no Pará, está o culto às Três Princesas Turcas: Princesa Mariana, Princesa Erondina, Princesa Jarina, de origem moura e que teriam se "encantado" na ilha dos Lençóis.

 

 

 

 

AS FAMÍLIAS DA ENCANTARIA

 

 

 

Família da Bahia: Composta por caboclos farristas que se assemelham aos exus e pombagiras;

 

Família da Bandeira: Composta por guerreiros, bandeirantes, caçadores e pescadores, chefiada por João da Mata Rei da Bandeira.

 

Família do Codó: Família que veio beirando o mar até chegar nas matas de Codó, composta por negros, caboclos selvagens e vaqueiros, e têm como líder Légua-Boji;

 

Família da Gama: Composta por nobres e fidalgos orgulhosos, como Dom Miguel da Gama, Rainha Anadiê, Baliza da Gama, Boço Sanatiel;

 

Família do Lençol: Encantada na Praia dos Lençóis, composta por reis, rainhas, príncipes, princesas e outros nobres e gentis, como Dom Sebastião, Dom Luís, Dom Manoel, Rainha Bárbara Soeira;

 

Família de Surrupira: Composta por índios selvagens e feiticeiros, como Vó Surrupira, Índio Velho

 

Família da Turquia: Agregada a Família do Lençol, é composta por nobres de origem turca, cuja encantada mais famosa é Dona Mariana.

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