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Entidades da Umbanda

Os Pretos Velhos

 

 

Os negros africanos foram trazidos ao Brasil na época da colonização, período em que a raça negra foi escravizada pelo colonizador português em nosso País.

Os negros africanos foram também escravizados por diversas nações em várias partes do mundo, como exemplo: os Espanhóis que os escravizaram na colonização da América Central e os Ingleses que os escravizaram na época da colonização da América do Norte.

Os negros africanos chegaram ao Brasil acorrentados em navios conhecidos como negreiros ou tumbeiros.

A falta de higiene, os maus tratos e as doenças faziam com que muitos morressem durante a viagem, daí o nome tumbeiro também usado para navio negreiro.

Quando chegavam eram vendidos como animais em leilões públicos e em seguida espalhados pelo Brasil.

Aqueles que os compravam, procuravam fazê-lo em lotes de diferentes nacionalidades, costumes e idiomas, com o objetivo de dificultar a confraternização e as fugas.

Espalhados pelo Brasil, fundaram, em conjunto ou não com os nossos índios, vários cultos, dando origem ao Candomblé na Bahia, ao Catimbó no nordeste, o Xangô em Pernambuco e o Batuque no Rio Grande do Sul e outros cultos menores e muito raros como o Omolocô e o Tambor de Minas.

Os Pretos Velhos são os espíritos desses africanos.

Tais espíritos ensinam lições (muito difíceis de praticar) de perdão sem limites e amor ao próximo, de uma forma, que nenhuma outra entidade com a qual tivemos contato conseguiu transmitir.

Na Umbanda apresentam-se como espíritos muito simples e extremamente bondosos, são sempre muito pacientes em tudo o que fazem e ensinam.

Normalmente desencarnaram em idades avançadas, por esse motivo apresentam-se nos templos, arqueando o corpo do médium, transmitindo a impressão de alguém com muita idade.

No desenvolvimento de seus trabalhos que são sempre muito sérios, ouvem mazelas e sofrimentos de toda espécie, transformando o desenvolvimento de seus trabalhos em verdadeiras sessões de psicanálise, ocasião em que sempre trazem o conforto e a paz de espírito a todos que os procuram.

Trabalham sentados em banquinhos ou em pé, usam cachimbos, charutos ou cigarros de palha em suas defumações.

Quando encarnados nas senzalas eram praticantes e grandes conhecedores dos processos da velha magia africana, inclusive a negativa.

Hoje utilizam esses conhecimentos para desmanchar feitiços e macumbas tenebrosas.

Na Umbanda essas entidades formaram a conhecida linha dos Pretos Velhos, Seus trabalhos sempre muito simples atingem psicologicamente os adeptos da religião, ocasião em que seus consulentes descarregam mágoas, aborrecimentos, dores, neuroses, conflitos, etc.

São grandes conselheiros, espíritos missionários, depuraram-se no cativeiro, presos aos grilhões e sob a tortura e o peso da chibata.

Perdoaram aqueles que os escravizaram, resgataram suas dividas kármicas e hoje nos ensinam a ter fé em Deus, praticar os ensinamentos do Evangelho de Jesus e a ter confiança no futuro.

Nem todos os negros escravos são hoje Pretos Velhos: aqueles que se apresentam nos terreiros de Umbanda nessa condição, são somente os que conseguiram perdoar a dor da chibata, as humilhações morais e todas as demais dores e afrontas impostas e praticadas pelo branco colonizador.

Os pretos-velhos são entidades querídissimas de todos umbandistas pois, são os nossos grandes conselheiros, sempre com palavras doces e meigas.

 

Nos mostram principalmente a humildade, apesar de a maioria ter sido escrava ajudam qualquer um que lhe pedir ajuda, sem pedir nada em troca.

Os pretos-velho não são necessariamente espíritos que tiveram sua ultima encarnação como negro. Nessa linha também atuam entidades que foram hindus, orientais, e até mesmo europeus que se assemelham com o trabalho desta linha.

Mas a maioria ainde são de negros que encarnaram na mãe África, principalmente em Angola, Congo, Moçambique entre outros países e até também aqueles que encarnaram aqui mesmo no nosso país.

OS pretos-velhos costumam fumar cachimbo e alguns usam bengalas ou cajados: as pretas-velhas normalmente usam lenços e mantas enquanto os nêgos usam gorros ou chapéu de palha.

 

 

 

 

 

 

 

 

Os Caboclos

 

O Caboclo, dentro da Umbanda, corresponde a um espírito desencarnado de um índio, que se manifesta através de uma pessoa capaz de senti-lo, o chamado "médium". ...

Podem ser espíritos de outras origens, mas que apresentam semelhanças de caráter com os indígenas.

Evoluídos e sérios, guerreiros e enérgicos, são procurados principalmente pelos seus conselhos sensatos e pelos seus passes poderosos.

É uma entidade tipicamente brasileira, buscando resgatar os valores de nossa terra antes que fosse culturalmente modificada pelo homem branco.

Porém, o caboclo é uma linha da Umbanda que não possuía apenas índios, mas, entidades que tem as características necessárias ao papel de guia espiritual evoluído e forte.

 

Diferente dos preto-velhos, uma linha que também é de evolução e sabedoria, os caboclos vibram em uma frequência mais jovial. Por isso, são consultados para quase qualquer tipo de questão.

Os caboclos na Umbanda, não gostam muito de falar ou opinar sobre o amor, visto que os valores tribais desconhecem a forma romântica e urbana com a qual lidamos com o amor. Preferem dar lições, caminhos e conforto baseados em sua sabedoria da alma humana.

 

Por seu caráter comprometido com o trabalho espiritual e pela força de sua energia, o caboclo frequentemente se torna o guia-chefe do médium na Umbanda.

É ele que é “puxado” em uma sessão de desenvolvimento, pois sua incorporação costuma ser tranquila para o médium iniciante, sem necessidade de doutrinamento da entidade.

Os caboclos utilizam várias formas de descarregar e energizar os consulentes. A maioria usa o charuto como dispersor de energias negativas em consultas.

Eles possuem um vasto conhecimento do uso de ervas como plantas medicinais e costumam passar banhos para a assistência de Umbanda, bem como exigir que os seus “cavalos” tomem banhos de limpeza antes das sessões.

Assim, os caboclos na Umbanda, utilizam assobios e brados para equalizar a frequência energética da casa e limpar as energias estagnadas dos filhos de santo e da assistência.

São ótimos para encaminhar obsessores com sua leveza e luz. 

Embora sejam regidos pelo orixá Oxóssi, rei das matas, há caboclos de todas as linhas de orixá: Ogum, Oxum, Iemanjá, Xangô, Oxóssi, Obaluaiê, Nanã, Iansã e Oxalá.

Alguns nomes de caboclo na Umbanda são: Ubirajara, Tupiara, Cobra Coral, Pena Branca, Sete Flechas, Águia Dourada, Sete Espadas, Espada Flamejante, Sete Lanças, Tabajara, Tamoio, Sete Ondas, Sete Matas, Caboclo Pantera Negra, Tupuruplata, Rompe-Mato, Caboclo Apeiara, Araribóia, Rompe-Ferro, Pena Vermelha, Beira Mar, Caiçara, Sete Caminhos.

As sessões de caboclos na Umbanda são alegres e poderosas. Representados pelas cores vermelha, verde e branca, são amantes da Natureza e vieram para ensinar uma profunda lição de amor a nós mesmos, aos semelhantes e a todo o Universo.

 

 

 

 

 

 

 

Os Boiadeiros

 

 

Os boiadeiros na umbanda, também conhecidos como caboclos na umbanda, são espíritos de pessoas que quando vivas trabalharam com gado e com a terra nas fazendas brasileiras\: boiadeiros, peões, vaqueiros.

E na Umbanda eles trazem normalmente ensinamentos do quanto tudo dá certo e de como viver uma vida mais rica e plena através da força de vontade.

Sempre com muita garra e perseverança, estão sempre em busca do bem e da positividade, além de serem bons para lidarem com momentos de adversidade e mudanças uma vez que possuem grande habilidade para lidar com os instintos dos animais que trabalhavam enquanto eram vivos.

Os boiadeiros da Umbanda têm uma energia sem igual, e são humildes e corajosos.

 

Estão vestidos, normalmente, com suas roupas de peão, roupas de trabalho, inspiradas no estilo caipira e sertanejo, como um avental de couro e botas de vaqueiro.

O seu berrante e o chicote para controlarem as suas manadas também estão dentro do visual dos boiadeiros da umbanda.

Eles trazem uma mensagem de positividade e de respeito.

Na Umbanda os boiadeiros estão alí para controlar e afastar as energias negativas, tal como controlaram as suas boiadas, permitindo limpar o ambiente e manter longe os espíritos ruins.

 

Com suas saudações “Jetuá, boiadeiro!” e “Ôh Boi” dentre outras conhecidas, os boiadeiros são alegres e, normalmente, é comemorada a sua memória e os seus trabalhos duas vezes ao ano, no começo e no meio do ano sendo o seu dia oficial a quinta-feira.

Existem vários símbolos de culto aos boiadeiros da Umbanda, como os cigarros de palha que essas figuras mesmo usam como parte do seu dia-a-dia.

Além disso, outros elementos são utilizados em trabalhos para esses espíritos, como o berrante que faz parte da sua vestimenta, semente olho de boi, chifres e algumas velas sempre acompanhadas de rezas bastante fortes com qualquer tipo de finalidade.

As cores utilizadas em trabalhos para os boiadeiros da Umbanda são o azul escuro, amarelo e também, em algumas ocasiões, marrom e roxo.

 

 

 

 

 

 

 

 

Os Baianos

 

 

Os Baianos na Umbanda representam um povo alegre que adora desmascarar qualquer mal.

Quem aparece em um terreiro com pensamento cético, durante uma gira de Baiano sairá de lá surpreso com o que irá escutar.

Eles são especialistas em afastar o mal da vida daqueles que os procuram. São espontâneos, alegres, mas também diretos e sinceros quando necessário.

Esses Guias da Umbandas e expressam de um modo mais fácil de ser entendido por nós, pois comparados às demais entidades, desencarnaram a pouco tempo.

Os Baianos simbolizam todo o povo nordestino que carregou dessa vida o espírito humilde e batalhador.

Essa Linha surgiu para sustentar a sabedoria do povo sertanejo, e recebeu esse nome não por causa do Estado da Bahia, mas pelo motivo que foi a partir dali que o país ganhou sua atual identidade.

Ou seja, ela é uma homenagem aos povos que contribuíram para a rica formação da nação, e que apesar do jeito simples carregam em suas veias a inteligência da miscigenação de brancos, índios e negros.

Essas entidades da Umbanda conhecem com mais afinidade as dificuldades de nosso tempo pois também passaram por elas.

 

Eles são na sua maioria migrantes, que carregaram na mala e no peito a esperança de uma vida melhor em outras terras do Brasil.

Esses Guias aceitaram a missão de ajudar os outros porque acreditam no melhor do ser humano, e sabem que as piores algemas são as que os outros lançam sobre seus irmãos.

Eles enxergaram na Umbanda branca um meio de colocarem para fora todo o conhecimento que receberam em seu tempo de vida da cultura do seu povo.

Dizem que não puderam ser Santos na terra, mas ainda podem contribuir ao próximo através dos seus olhares simples e honestos sobre todas as circunstâncias da vida.

Por terem lutado arduamente enquanto estiveram nesse plano, os Baianos adoram desfazer magias negras, e é muito difícil haver algo que eles não possam lidar.

Os baianos pertencem à Linha da Orixá Iansã.

O Baiano da Umbanda também possui esteriótipo de cangaceiro.

Não são todos os terreiros que os incluem com essa imagem nesta Linha, mas a grande maioria assim o faz.

Alguns locais apontam os cangaceiros como auxiliares dos Baianos, mas outros os veem como pertencentes à mesma Linha.

O Baiano carrega a força acolhedora, é um Ser de Luz que age na direita, mas que conhece muito bem as necessidades de proteção que a esquerda possui.

Seu axé é identificado com uma grande energia positiva, ele atende de forma muito amigável, adora contar “causos” mas está a todo momento atento a traços de vibrações negativas que procuram persuadir e rebaixar as pessoas.

Sua conversa é de linguajar simples e muito fácil de compreender.

Com o sotaque nordestino carregado, ele instruirá com facilidade sobre os melhores caminhos a se tomar.

Porém, pode também ser meio grosso quando julgar que isso seja necessário.

Costuma afastar energias ruins através de seus movimentos enérgicos e das famosas “benzidas” tão populares entre o povo nordestino, mas também é responsável por limpeza energética e curas diversas.

Os objetos mais comuns a utilizarem são: chapéu de couro, guia de coquinho e lenços de tecido.

 

 

 

 

 

 

 

Os Eres

 

Apesar de toda a diversidade existente na Umbanda, a Gira de Erês é, sem dúvida, uma unanimidade.

Nenhum terreiro abre mão da festa das criancinhas que traz bastante alegria e doçura aos trabalhos umbandistas.

Erê é uma palavra originária do yorubá e tem o significado de diversão e brincadeiras, contrário ao que muitos acham quando associam sua tradução com criança.

Quando eles surgem no terreiro é a mais bela e verdadeira expressão de festa e alegria, seu sorriso é contagiante e sua energia é a mais pura a ser notada, pois eles veem o existir como uma grande benção.

Erês são guias, e tanto na Umbanda como no Candomblé são estereotipados como crianças, porque é exatamente essa sensação que eles passam com toda sua pureza.

Só que na verdade eles são seres encantados, então nunca passaram pela experiência do existir humana.

A missão do Erê é a de intermediar o contato entre as pessoas e os Orixás Eles são o ponto exato entre a nossa consciência humana e o inconsciente do Orixá.

 

No Candomblé, os Erês auxiliam os iniciados sendo os portadores das mensagens dos Orixás aos seus filhos.

Esses seres de Luz trazem a energia de renovação, enchem as almas de esperança e empolgação por tudo que é novo, pois eles sabem que são nas incertezas que se pode encontrar as melhores respostas.

Sábios, apesar da aparência infantil, carregam a enorme experiência de tantas  vidas, e nos ensinam com graça e bom humor, o quanto ainda estamos engatinhando nas coisas do além, do espiritual.

Esses encantados têm seus espíritos como os de qualquer criança, esbanjam disposição e sinceridade e por isso, necessitam de pessoas que os possam controlar sabiamente, para que eles consigam se concentrar na missão a qual foram enviados.

Uma festa de Erê promete transmitir uma energia única para quem a frequenta, é realmente um banho de renovação e ânimo para todos que os buscam.

Apaixonados por doces, esses pequenos de espírito infantil atuam na linha da direita, na Umbanda eles são da linha de Oxumaré, já no Candomblé os Erês são mensageiros do Orixá de cabeça de quem os invoca.

Além de doce, eles também adoram brinquedos que correspondem à sua linha de atuação.

Muitos deles passam a gira abraçados com bonecas, carrinhos, barcos, montados em cavalinhos, usando espelhinhos, chupando chupetas ou até mesmo os dedos.

Erês não gostam de choro, farão de tudo para te ver sorrir, e suas orientações serão todas voltadas a caminhos que te levarão às conquistas e realizações.

 

Na Umbanda os Eres são representados pelos Orixás gêmeos Ibeiji, e são sincretizados com Cosme e Damião da Igreja Católica São Cosme e Damião são Santos da Igreja Católica amados em diversas religiões, onde os Orixás Ibejis são sincretizados com os médicos gêmeos.

Na Umbanda é notável a adoração pelos dois irmãos, já que a própria festa dos Erês é conhecida como Festa de São Cosme e Damião, onde há uma comemoração para os encantados, repleta de doces e da energia da felicidade de infância.

O motivo dessa representação ligada aos Santos é devido ao costume que ambos tinham de atender pessoas carentes gratuitamente e entregar doces às crianças que passavam por seus cuidados.

Esse simples gesto repleto de carinho ficou marcado eternamente e passou a ser homenageado na Umbanda, com a entrega de docinhos para as crianças que irão receber o passe nas giras.

Os Erês na Umbanda seguem a linha de Oxumaré pois ambos trabalham no campo da renovação e da transformação com o intuito de alcançar o sucesso em qualquer que seja o assunto.

 

Na Umbanda, os Erês como guias, dão passes para aqueles que vão em procura de sua sabedoria e proteção, eles enchem o terreiro de alegria e todos saem da festa muito mais motivados, com as energias transformadas.

 

 

 

 

Exú

 

 

Exu de Umbanda, ou Exú de Lei, de acordo com a Umbanda, é um tipo de espírito, que pode estar em diversos níveis de luz, e que auxilia os trabalhos espirituais, incorporando ou não nos médiuns, enquanto trabalham na lei de Umbanda.

Também estão presentes na Jurema, Omolokô, Candomblé de Caboclo, entre outras religiões afro-brasileiras, ou em terreiros "traçados" de Umbanda e Candomblé.

Não estão presentes em terreiros de Candomblés puro, de nação, como Jeje Mahi, Keto, Angola, Ijexá e Nagô.

Nestes, apenas é cultuado o Orixá Exú, com o qual os exús de lei não devem ser confundidos.

Pela influência Católica na colonização e formação político-social do Brasil, o exú foi logo associado ao Diabo mesmo nos primórdios da Umbanda.

Mesmo nos dias de hoje, há pontos de Umbanda que remetem a esse sincretismo.

Uma vez, no entanto, que a Umbanda não

é uma religião essencialmente maniqueísta, o exú, ainda que atue no polo "negativo", é considerado um ser benigno.

O Exú de Umbanda é uma entidade espiritual, supostamente o espírito de alguém que nasceu e morreu, portanto pertence ao chamado povo de rua ou catiço.

A denominação exú pode ser aplicada tanto a espíritos masculinos, como femininos.

Exús femininos, no entanto, também são mais especificamente designados como PombasGiras, que são entidades que quando encarnadas, pertenceram ao gênero feminino, e que por inúmeras razões foi agregada a uma das muitas linhas de exús mulheres, passando a trabalhar na Umbanda desta forma.

Quando incorporam, os exús masculinos costumam se caracterizar com capas, cartolas e bengalas, mas não é obrigatório que os médiuns se utilizem dessas vestimentas para a incorporação. Cada terreiro trabalha de forma autônoma. Alguns centros uniformizam a roupa dos médiuns: todos, por exemplo, vestem branco.

Também existe um outro tipo de entidade relacionada aos exús, o exú-mirim.

A ideia do exu de Umbanda deriva do orixá de mesmo nome, no Candomblé, que era considerado o mensageiro dos demais orixás.

Sua identificação histórica com o diabo cristão se estabeleceu não por conta de suas características funcionais, mas devido a aspectos de sua aparência.

Uma vez que o Exú da religião iorubá é uma divindade do fogo, à qual eram atribuídos chifres, membro viril e sexualidade sem freios, acabou-se por relacionar sua figura a de um demônio.

Uma vez que a Umbanda foi criada a partir do Kardecismo, conforme Zélio Fernandino de Morais, os exús passaram a ser vistos na teologia umbandista como agentes da lei do karma, conceito presente em outras religiões predecessoras.

 

Os exús seriam assim, para esta visão umbandista, seres elementares, isto é, espíritos em evolução espiritual dentro de determinadas funções cármicas.

A partir daí surgiu-se a nomenclatura "exú batizado", para se referir aos exús-de- lei, e "exú pagão", para se referir, na verdade, aos quiumbas.

Para algumas tradições umbandistas, um exú estaria em patamar inferior, mas para outras, seriam entidades espirituais com a mesma evolução das demais entidades, como caboclos e pretos-velhos, apenas posicionadas em uma linha de trabalho diferente.

Atuariam os exús, bem como pombasgiras e exus-mirins, em um plano espiritual muito denso, tendo mais liberdade de trânsito que as demais entidades, e podendo assim conhecer e resolver melhor as necessidades humanas mais imediatas.

Exu é o guardião dos caminhos, soldado dos Pretos-velhos e Caboclos, emissário entre os homens e os Orixás, lutador contra o mau.

 

 

 

 

 

 

Os Ciganos

 

 

Barulhos, euforia, risadas e muita, mas muita energia no terreiro.

Assim surgem os guias Ciganos, com seu comportamento livre, seus olhares imponentes e com a firmeza de pensamentos necessária para quem compreende o que realmente é essencial na vida.

Muito próximos dos sentimentos humanos, a Linha dos Ciganos na Umbanda, trabalha na direita, portanto são seres de luz, mas são seres que passaram por esse mundo tomando consciência de como a corrente do Universo leva os instintos dos homens, o que os tornam importantes guias e orientadores espirituais, com grande compreensão dos nossos anseios e fraquezas.

O povo cigano é um exemplo de força e empatia.

E é por isso que eles hoje representam trabalhos regulares das Giras de Umbanda.

Os ciganos são guias espirituais que trabalharam de maneira respeitosa e que sempre demonstram o caráter fraterno de sua grande tribo.

Eles entendem os rituais como forma de evolução e contribuição.

Por isso realizam seus trabalhos através da força da alegria para distribuírem as melhores orientações.

A magia cigana não trabalha para serviço do mal, mas para entregar bem- estar, saúde, equilíbrio mental, físico e espiritual.

 

Os ciganos são indivíduos que colocam acima de tudo a liberdade, a fé, alegria e amor.

 

Gostam da riqueza e do bem-estar.

E toda sua comemoração origina simplesmente da alegria de viver. Possuem a vida nômade, e se dedicam ao comércio, trocas de objetos, músicas, poemas e à dança.

Acreditam fielmente no poder da natureza e no curso espontâneo da vida, por isso não se prendem em um só lugar.

Desta forma, na Umbanda, eles agem libertando, amando e transformando a vida através da alegria. Jamais serão guias que prendem ou denigrem.

É preciso ressaltar que nem todas as pessoas ciganas virarão espíritos de guias, pois a cultura particular desse povo não tem relação alguma com a religião de origem cultural afro.

Se tornar um conselheiro espiritual dos homens, é uma decisão particular de cada alma, e eles esperam com isso alcançarem um outro nível de conhecimento e sabedoria.

Outro ponto importante é que muitas vezes esses ciganos passaram por diversas vidas nessa cultura para poderem alcançar um nível mais elevado e poderem contribuir com seus conselhos, se tornando assim, entidades ciganas.

Os espíritos de ciganos ou espíritos de ciganas são regidos naturalmente pela alegria e independência, por isso em uma linha de trabalhos espirituais eles sempre buscam seu espaço próprio.

Todo trabalho será direcionado ao bem-estar pessoal, social, saúde, amor, dinheiro, alegria e paz.

 

Esse povo acredita e cultua o amor incondicional e a proteção da natureza. Por isso, eles orientam com grande sabedoria principalmente questões amorosas e financeiras, pois possuem relação com suas principais buscas terrenas, o que lhes permitem responder com maior profundidade sobre o assunto.

Durante giras com ciganos não é comum vermos trabalhos de quebra de demandas ou algo mais pesado, porque eles estão presentes para ensinar a enfrentar os obstáculos da vida e entender o seu fluxo natural.

Querem que todos percebam que tudo é opcional, – a dor também – e que somos livres para buscarmos o que nos trará a verdadeira felicidade.

Sua força e energia estão conectadas com a Santa Sara Kali, e eles são regidos pela Orixá Egunitá, pertencente ao Trono feminino da Justiça e da Lei, purificadora de toda energia negativa.

São diversos os nomes de atribuição aos ciganos na Umbanda, os mais comuns são: Alba, Aurora, Ramirez, Esmeralda, Carmen, Dalila, Dolores, Gonçalo, Jade, Leoni, Jasmim, Ramon, Sara, Vladimir, Juan, Vladimir e Sandro.

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