Veja também:

As Giras

Gira ou Jira (no idioma quimbundo “nijra”, que significa: caminho) na Umbanda, é a reunião, o agrupamento de vários espíritos de uma determinada categoria, que se manifestam através da incorporação nos médiuns.

A gira pode ser festiva, de trabalho ou de treinamento.

Normalmente, antes do início dos trabalhos, são feitas preces, defumação, saudações.

 

Após isso, saúdam-se as linhas e começa-se o trabalho. Após o trabalho, são cantados os pontos para subida, ou desencorporação das entidades nos corpos dos médiuns.

O tipo de ritual conduzido e os pontos cantados dependem da linha que cada Casa segue, por isso se vê rituais diferentes em casas diferentes.

O branco é sempre a cor mais usada, embora algumas casas admitam cores como o vermelho e o preto nos trabalhos de esquerda.

O termo também é usado para as sessões de desenvolvimento dos médiuns novos, quando as entidades preparadas para esse fim o fazem "girar", facilitando assim a incorporação de seus guias nas primeiras vezes.

 

 

Tipos de Gira

 

 

 

Existem giras para cada linha da umbanda, podendo ela ser uma gira aberta, onde se atende a população, conhecida como assistência, e as giras de estudo e desenvolvimentos conhecida como gira fechada, onde não é permitida a assistência.

As giras mais comuns em terreiros de umbanda são:

 

 

Preto Velho

São cultuados os pretos e pretas velhas, geralmente são os negros mais velhos

 

 

Caboclo                             

Quando vem os caboclos, podem vim diversos, tais como os baianos, boiadeiros, marinheiros, ciganos e etc.

 

Cigano

 

Erê                                    

São as crianças, geralmente vem na data de São Cosme e Damião

 

Baiano

Boiadeiro

Malandro

Marinheiro

Esquerda                          

Nessa gira são cultuados as pombas giras, os exus e eventualmente exús mirins.

Gira de Cura

 

 

 

Como acontece a Gira

 

 

 

A Gira, sessão espírita da Umbanda, começa com o médium líder, que é chamado Babá, Pai de Santo, Mestre entre outras denominações, defumando e enfumaçando os seguidores e firmando o Congá.

Firmar o Congá é encher taças com água, para condensar energia, acender sete velas, uma para cada Orixá e fazer uma oração mental "edificante".

Depois, "firma a Tronqueira da casa" acendendo uma vela e servindo cachaça para o Exú chefe.

Outro sincretismo da "religião original", posto que no Candomblé, mais antigo, todos os rituais começam com oferenda a Exú, aquele que é intermediário entre homens e Orixás.

A seguir, mais fumaça nos consulentes.

Os médiuns, vestidos de branco posicionam-se, em relação ao Congá: mulheres à esquerda; homens à direita e os consulentes sentados.

O médium-chefe, então, pede a proteção dos Orixás e das entidades e faz uma palestra de abertura para sintonizar a platéia com vibrações positivas.

Começam os pontos cantados e os médiuns, incorporando as entidades escolhidas pela Casa, que na maioria elegem os Índios ou os Caboclos, para ministrar os passes.

Encerradas as consultas, começa outra Gira que deverá convocar os espíritos que se encarregarão das consultas e atendimento aos visitantes.

Conforme a orientação de cada Casa, na maioria delas, essas entidades podem ser os Pretos-Velhos, ou os Caboclos.

Concluídas as consultas, é realizada a seção das descargas: os consulentes que foram selecionados pelas entidades para tanto, voltam a entrar no espaço da Gira.

Médiuns são dispostos ao lado desses consulentes e permitem a incorporação dos espíritos que estejam acompanhando esses consulentes, para que possam ser doutrinados e, na maioria das vezes, afastados da pessoa.

Após isso, procede-se à Gira dos Exús que têm a função de cumprir as determinações deliberadas nas Giras anteriores, e se encarregam da limpeza espiritual do ambiente.

Finalmente, a Gira é encerrada com os médiuns entoando o canto correspondente ao fechamento da Gira.

 

 

 

 

A Gira de Desenvolvimento Mediúnico

 

 

 

A gira de desenvolvimento mediúnico visa desenvolver não só o contato com as outras esferas, mas antes desenvolver e aprimorar suas próprias capacidades internas, melhorando seu relacionamento com o seu semelhante e com o mundo que o cerca .

 

É no desenvolvimento que o médium aprende que a mediunidade não é brincadeira, é tão séria que chega interferir na vida do médium em seus aspectos mais profanos, o fato de alguém ser médium não quer dizer em absoluto q seja melhor do que os outros pelo contrário: existe deveres e obrigações a serem cumpridos perante a comunidade.

 

É necessário que se adaptem de forma disciplinada e responsável ao meio que se vive.

Nessas giras de desenvolvimento os médiuns iniciantes, com o auxilio de entidades incorporadas em médiuns já atuantes, aprendem a desenvolver sua mediunidade, permitindo a incorporação das entidades designadas para com eles trabalharem.

 

Essas giras são realizadas sem a presença de assistência ou consulentes.

©2020 by Sylvio Pires Gachido. Todos os diretos reservados. WebDesigner Adriana Cruz