Iansã

PERFIL

 

 

Iansã é a senhora dos ventos e das tempestades e dona dos raios. Não tem reino específico: atua nos fenômenos da natureza.

É a responsável pelas transformações – mutações e mudanças – ligadas às coisas materiais.

 

É a Orixá ligada à fluidez de raciocínio e da fluência verbal. É intimamente ligada aos avanços tecnológicos.

Sua imagem é a da felicidade extrovertida, da mulher que sabe guerrear e defender o que quer e o que tem a qualquer preço, mas nunca se esquece de que é mulher.

Gosta de amar e de demonstrar seu amor e sua alegria contagiante, da mesma forma inflamada com que exterioriza sua cólera.

É a divindade de um rio conhecido como Niger - Rio Oyá para os iorubás, que por isso a chamavam de Oyá - fato que, no entanto, não lhe concede domínio sobre as águas.

Iansã é mais guerreira do que dona de casa: prefere os campos de batalha e não gosta dos afazeres domésticos.

Tais preferências, contudo, não a masculinizam: é muito feminina, rivalizando em beleza com Oxum.

Iansã é o Orixá que possue ascendência e domínio sobre os Eguns - as almas dos mortos - que a respeitam e a quem obedecem.

Iansã é a força do vento, que tanto pode agradar quando sopra brando e cálido, acariciando as plantas e tornando o ar mais leve, como pode devastar, se vier com a fúria da tempestade.

É a divindade do prazer, da sinceridade, da paixão extrovertida e da felicidade.

 

 

 

 

 

MITOLOGIA

 

 

 

 

Yansã ou Iansã é filha de Oxalá e Yemanjá.

Iansã, cujo nome original era Oyá-Yansán, ou simplesmente Oyá, foi a primeira esposa de Xangô.

 

Tinha temperamento ardente e impetuoso.

Antes de tornar-se mulher de Xangô, Oyá tinha vivido com Ogum, mas como a aparência do Deus do Ferro causou-lhe menos impressão do que a elegância, o garbo e o brilho do Deus do Trovão, acabou fugindo com este.

Ogum, enfurecido, revolveu enfrentar o rival, mas Xangô recorreu a Olódumaré, confessando-lhe que havia ofendido a Ogum e pedindo sua interferência.

Olódumaré, chamando Ogum, recomendou-lhe indulgência e paciência, dizendo-lhe que, por ser mais velho, o Deus do Ferro deveria saber compreender e perdoar o arroubo dos jovens.

Ogum, contudo, não se conformou e lançou-se em perseguição aos fugitivos, até que, encontrando Oyá, atacou-a com varas mágicas que a dividiram em nove partes.

Desse incidente deve ter-se originado o nome Yansã, que se constituiria numa abreviação da expressão “Aborimensan” que, em nagô, significa “com nove cabeças”.

A mesma expressão poderia também aludir aos nove braços do delta do Rio Niger.

 

Outra lenda conta que Oya-Yansã, foi encarregada por Xangô de buscar-lhe um preparado que, após ingerido permitiria ao Deus do Trovão lançar chamas pela boca.

Desobedecendo as instruções recebidas, ela experimentou a poção, tornando-se também capaz de cuspir fogo, para desgosto de Xangô que desejava a exclusividade de tais poderes.

Ainda outra lenda relata que Oya-Yansã lamentava não ter filhos, fato resultante de seu regime alimentar inadequado, porquanto embora a carne de cabra lhe fosse recomendada, ela comia apenas a de carneiro.

Consultado um babalaô, Oyá foi aconselhada a fazer certas oferendas, entre as quais deveria haver um tecido vermelho que, posteriormente, deveria servir para confeccionar as vestes dos Egunguns, que eram os mortos da família que retornavam à Terra para saudar seus descendentes.

Oyá-Yansã cumpriu fielmente todas as recomendações, tornou-se mãe de nove filhos, e adquiriu o poder de controlar os Eguns.

 

 

 

 

 

YANSÃ NA ÁFRICA

 

 

 

Yansã, como a chamavam os iorubás, era considerada a divindade dos ventos, das tempestades e do Rio Niger.

Era das mais importantes Iyabás (Orixás femininos) nos cultos nagôs, embora, gradativamente, seu cultivo tenha diminuido, à medida em que se intensificava o culto à Yemanjá.

Suas danças eram guerreiras e quando coincidia de encontrar-se com Ogum, durante as cerimônias nagôs, engajava-se com ele em duelo, em reminiscência das antigas desavenças.

 

 

 

 

 

IANSÃ NO BRASIL

 

 

 

Na Umbanda, Iansã é uma expressiva divindade e se constitui na mais importante das Iyabás.

 

É ainda a deusa dos ventos e das tempestades, motivo que conduziu à sua associação com Santa Bárbara, santa católica que é a protetora do raio e da trovoada.

Iansã é moça bonita, leviana, intrigante e orgulhosa, e permanece detendo o poder de ser o único Orixá capaz de dominar os Eguns, as almas dos mortos.

Iansã tem sua festa celebrada em 4 de dezembro, e a quinta-feira é o dia da semana que lhe é dedicado.

 

 

 

 

 

ARQUÉTIPO

 

 

 

O arquétipo de Iansã é o das mulheres voluntariosas, audaciosas, poderosas e autoritárias, que podem ser fiéis e de lealdade absoluta em certas circunstâncias, mas que, quando contrariadas em seus empreendimentos e projetos, deixam-se dominar por manifestações da mais extrema cólera.

São mulheres que, se mal orientadas, levadas por seu temperamento sensual e voluptuoso, podem tornar-se infiéis, sem, contudo, abandonarem o intenso ciúme que dedicam a seus maridos.

 

 

 

 

REGÊNCIA

 

 

 

Orixá feminino, regente da Linha da Lei.

Iansã envolve a direção, determinação e orientação para caminhar rumo a ascensão.

 

Seu ponto de força são os bambuzais.

 

 

 

 

 

RESUMO

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