Ibeiji

PERFIL

 

 

 

Ibeijí é único Orixá permanentemente duplo, e aproxima-se de Exú pelo seu comportamento arquetípico.

É formado por duas entidades distintas, de personalidades diferentes, e sua função básica é indicar a contradição, representando os opostos que coexistem.

Num lado mais terreno, por ser criança, ele é associado a tudo que se inicia: a nascente de um rio, o germinar das plantas, o nascimento de um ser humano (não a sua concepção).

Ibeijí embora poderoso como todos os Orixás, ainda em razão de ser criança, entende as coisas de maneira simplista, o que, por vezes, pode conduzir a consequências imprevistas.

Ibeijí tem a reputação de ser extremamente fiel àqueles que conquistam sua confiança.

 

 

 

 

MITOLOGIA

 

 

 

São praticamente ausentes as referências mitológicas a esse Orixá, embora, reconhecidamente, tenha ocorrido seu culto na África antiga.

Segundo uma lenda os gêmeos são um casal, um menino e uma menina, sendo o menino o primeiro a nascer.

Os Ibejis são filhos de Iansã e Xangô.

Ao dar à luz as crianças, ela os repudiou, e os abandonou nas águas de um rio.

Oxum estava a passear por perto e escutou o choro das crianças, sem hesitar correu na direção do som e encontrou os dois pequeninos recém-nascidos.

Diz a lenda que ambos irmãos sorriram para Oxum quando a viram, o que fez o coração da Orixá derreter de amor pelos pequenos.

Oxum então passou a ser a mãe dos Ibejis e lhes deu os nomes: Taiwo e Kehinde.

Ibejis é o único Orixá que possui dupla representação e eles simbolizam o nascimento de todas as coisas.

 

 

 

 

DOUM

 

 

 

Doum ou Idowu é a criança que aparece junto aos gêmeos Ibeiji, e é seu irmão menor.

 

Doum personifica as crianças com até sete (7) anos, sendo ele o protetor das crianças nessa faixa de idade.

Existia a crença de que para cada dois gêmeos que nascem, um terceiro não encarna neste mundo.

Mas, embora não apareça de forma física, Doum também é venerado e respeitado como parte da família dos Ibejis, considerado “aquele que não veio”.

Por isso, o mito de Doum também serve de consolo quando uma criança morre bebê ou ainda no ventre materno.

Nesses casos, a partida é entendida como o retorno de um desses seres divinos ao mundo do qual não conseguiu se despedir.

 

 

 

IBEIJÍ NA ÁFRICA

 

 

Na cultura Yorubá acredita-se que Kehinde deixa a função de supervisionar o mundo nas mãos de seu irmão Taiwo, que o faz sem discutir com sua irmã, por isso acredita que ele seja o mais velho e carrega responsabilidades a mais.

Também no credo nagô era um Orixá duplo, constituido por dois gêmeos e possuindo um irmão menor, que era chamado de Doum.

 

 

 

 

IBEIJÍ NO BRASIL

 

 

 

São os Orixás gêmeos que dirigem a Linha dos Erês ou Linha das Crianças.

São muito populares e sua chegada ao terreiro é sempre acompanhada de muita folia, risos e exclamações.

Encarregam-se dos trabalhos de limpeza, possuindo grande força e poder, e são considerados casamenteiros, protetores contra as doenças e ajudam a encontrar objetos perdidos.

São os Orixás que abrem os caminhos e auxiliam a mudar, para melhor, a sorte dos devotos.

 

São sincretizados com os santos católicos São Cosme e São Damião, numa associação evidente, porquanto aqueles santos também são gêmeos.

O dia da semana que lhe é atribuído é o domingo, e sua festa tem lugar no dia 27 de setembro.

 

 

 

 

REGÊNCIA

 

 

 

O poder de desfazer coisas realizadas por outros Orixás, mas algo feito por Ibejis jamais poderá ser desfeito por nenhum outro Orixá.

 

 

 

 

 

RESUMO

©2020 by Sylvio Pires Gachido. Todos os diretos reservados. WebDesigner Adriana Cruz