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Instrumentos de Culto

OS ATABAQUES

 

Os atabaques são instrumentos musicais de percussão.

Os atabaques são tambores altos e afunilados, confeccionados em madeira afixada com aros de ferro e encimados por uma cobertura em couro.

Tem diversos tamanhos, chegaram ao Brasil trazidos pelos escravos africanos, e são usados nos terreiros de Candomblé e em outras religiões afro-brasileiras, e não obrigatoriamente, nos de Umbanda.

Servem para chamar, ritualisticamente, as Entidades do astral, através da repetição de toques ritmados e de sons diferenciados, pelo uso mais ou menos intenso de cada um deles e pela combinação de suas sonoridades.

Ocasionalmente são utilizados para saudar a entrada, no “roncó”, de um visitante ilustre.

Os atabaques devem ser fabricados ritualmente, o mesmo acontecendo com as peles que produzem os sons, e com as hastes de madeira, as “agdavi” com que são tocados.

Também são percutidos apenas com as mãos e os dedos.

Ambos, instrumentos e implementos, recebem tratamento mágico, e seus operadores são, necessariamente, iniciados especialmente treinados para toca-los.

Um operador de atabaque é sempre um médium com um grande poder de concentração e firmeza, considerando que os atabaques se constituem em pontos de grande concentração energética de forças, a par de darem sustentação ao direcionamento vibratório dos praticantes.

A cada Orixá, Corrente ou Entidade, corresponde um toque diferente e específico, que não apenas chama essa Entidade como, ritualisticamente, faz audível sua voz.

Os atabaques têm a forma de um cone bastante comprido em relação ao diâmetro, e têm comprimentos variados, o maior podendo, por vezes, atingir a até 2 metros, enquanto o menor pode não passar de 40 cm.

Do maior para o menor são chamados de: RUN, CONTRA-RUN, RUMPI e LÊ.

O rum, o maior de todos, possui o registro grave; o do meio, rumpi, tem o registro médio; o lé, o menor, possui o registro agudo.

No Candomblé, enquanto o Orixá-Maior não se manifesta, apenas são tocados o Contra-Run, o Rumpi e o Lê.

Após a chegada do Orixá-Maior, o Lê é retirado do terreiro e os demais são utilizados.

O Run é considerado o instrumento nobre, enquanto que o Lê desfruta o privilégio de ser percutido nos ensaios das filhas-de-santo.

Os atabaques no candomblé são objetos sagrados, consagrado e firmado por Orixás e Guias e tem uma força poderosa, que em uma gira faz toda a diferença. Renovam anualmente esse Axé.

São usados unicamente nas dependências do terreiro, e não saem para a rua como os que são usados nos blocos de afoxés, estes são preparados exclusivamente para esse fim.

Os  atabaques  são  encourados  com  os  couros  dos  animais  que  são oferecidos aos Orixás.

 

Quando são comprados, o couro que  veio da loja geralmente é descartado, e o cilindro de madeira só depois de passar pelos rituais é que poderá ser usado no terreiro.

O som é o condutor do Axé do Orixá: o som do couro e da madeira vibrando que trazem os Orixás, são sinfonias africanas sem partitura.

O tambor mais antigo foi encontrado em uma escavação de 6.000 anos A.C.

 

Os primeiros tambores provavelmente consistiam em um pedaço de tronco de árvore oco. Esses troncos eram cobertos nas bordas com peles de alguns répteis, e eram percutidos com as mãos. Com o tempo, foram sendo usadas peles mais resistentes e apareceram as primeiras baquetas. O tambor com duas peles veio mais tarde, assim como a variedade de tamanho.

Os atabaques do Candomblé só podem ser tocados pelo Alagbê na nação Ketu, pelo Xicarangoma nas nações Angola e Congo e pelo Runtó na nação Jeje, que é o responsável pelo Rum (o atabaque maior), e pelos Ogãs nos atabaques menores sob o seu comando.

É o Alagbê que começa o toque, e é através do seu desempenho no Rum que o Orixá vai executar a sua coreografia de dança, sempre acompanhando o floreio do Rum.

Existe um toque específico, o “Dobrar os couros”, que é um repique lento sequencial e cadenciado que é feito para homenagear visitas ilustres que estão chegando no terreiro, representando o convite para a pessoa entrar.

Durante a festa, quando chegam os convidados ou sacerdotes e ogans de outras casas, interrompe-se o toque que está sendo executado para os orixás e dobra-se os couros. Após a entrada dos convidados o toque é retomado normalmente.

Algumas casas de candomblé não usam dobrar os couros para as visitas, mas a maioria considera isso uma honra.

Dobra-se os couros também em outras ocasiões, mas sempre para homenagear.

Nas casas de candomblé bantu Angola e Congo são tocados só com as mãos, não se faz uso dos aguidavis, como são chamadas as varetas usadas para tocar-los.

Existem, também, outros instrumentos que se usam junto com os atabaques, como por exemplo, o agogô, chocalho, triângulo, pandeiro, etc

 

 

AGOGÔ

 

 

O Agogô é um instrumento musical que foi desenvolvido na África, e possivelmente feito pelas tribos Bantu após a sua migração para a África Ocidental.

Ele é usado na música nigeriana yorubá, mas suas origens também mostram que o agogô com sinos duplo ou único feito de bronze, também teve uma finalidade prática.

O Agogô, tocado para marcar o Candomblé, também de tradição Alaketo, chama-se Gan.


                                                   

   

XEQUERÊ

 

 

O Xequerê tem sua origem na África há séculos, como um chocalho ou

São construídos  com uma cabaça coberta por um trançado de pedras feitas de argila ou miçanga, permitindo que o instrumento tenha um som único.

Alguns Xequerês têm um orifício na parte superior para que possa produzir o som baixo do tambor.

 

 

BERIMBAU

 

 

Trazido para o Brasil pelos escravos, o Berimbau é um instrumento de percussão da família dos cordofones.

Tornou-se conhecido através das manifestações culturais como o samba de roda, candomblé e a capoeira, onde tem a função de marcar o ritmo da luta.

O nome de origem desse arco musical um termo angolano: Urucungo. Berimbau é uma palavra brasileira e onomatopéica, que imita o som do instrumento.

 

 

 

 

QUISSANGE

 

  

Seu nome, de origem angolana é palavra derivada do quimbundo kisanji. Em Moçambique, ele tem o nome de mbira.

Em outras partes de África recebe a designação de sanza, likembe e outros nomes ainda.

 

É um instrumento tocado numa grande parte de África ao Sul do Sahara.

 

 

 

 

 

BALAFON

 

Com forma de trapézio e um som melódico, ativo e excitante, o Balafon é confeccionado em barras de madeira que produzem notas quando percutidas.

As barras são dispostas paralelamente e sob ele coloca-se cabaças de vários tamanhos para criar um sistema de amplificação do som.

As barras são feitas de uma madeira dura chamada gouene-yori.

Os fios que seguram as barras são feitos de pele de cabra ou cervo, que é mais resistente.

O Balafon é tocado em cerimônias festivas em homenagem aos deuses, acompanhado de outros instrumentos.

 

 

 

COWBELL

 

De origem africana e de nome original “gã”, recebeu o nome de cowbell dado pelos americanos, é instrumento usado no Candoblé para marcação de ritmo.

 

 

 

 

 

 

    

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