Jurema Sagrada

A Jurema Sagrada como tradição religiosa é uma tradição nordestina que se iniciou com o uso da jurema pelos indígenas da região norte e nordeste do Brasil, tendo sofrido influências de variadas origens, da feitiçaria europeia à pajelança, xamanismo indígena, passando pelas religiões africanas, pelo catolicismo popular, e até mesmo pelo esoterismo moderno, psicoterapia psicodélica e pelo cristianismo esotérico.

No contexto do sincretismo brasileiro afro-ameríndio, a presença ou não da jurema como elemento sagrado do culto vem estabelecer a diferença principal entre as práticas de umbanda e do catimbó.

As práticas são um assunto ainda pouco estudado.

 

 

 

ORIGEM

 

 

A jurema sagrada é remanescente da tradição religiosa dos índios que habitavam o litoral da Paraíba, Rio Grande do Norte e no Sertão de Pernambuco e dos seus pajés, grandes conhecedores dos mistérios do além, plantas e dos animais.

Depois da chegada dos africanos no Brasil, quando estes fugiam dos engenhos onde estavam escravizados, encontravam abrigo nas aldeias indígenas, e através desse contato, os africanos trocavam o que tinham de conhecimento religioso em comum com os índios.

Por isso até hoje, os grandes mestres juremeiros conhecidos, são sempre mestiços com sangue índio e negro.

Os africanos contribuíram com o seu conhecimento sobre o culto dos mortos egun e das divindades da natureza os orixás voduns e inkices.

Os índios, por sua vez, contribuíram com o conhecimento de invocações dos espíritos de antigos pajés e dos trabalhos realizados com os encantados das matas e dos rios.

Daí a jurema se compor de duas grandes linhas de trabalho: a linha dos mestres de jurema e a linha dos encantados.

 

 

 

O CULTO

 

O culto da Jurema está para a Paraíba e Pernambuco, assim como o de Iroko está para a Bahia.

 

Essa arvore tipicamente nordestina, era venerada pelos índios potiguares e tabajaras, da Paraíba, muitos séculos antes da descoberta Brasil.

Em Pernambuco, existe um município cujo nome é Jurema devido a grande quantidade destas árvores que ali se encontra.

Os devotos iniciados nos rituais do culto são chamados de “Juremeiros”. Foi na cidade de Alhandra, município a poucos quilômetros de João Pessoa, que esse culto, na forma do Catimbó alcançou fama. A Jurema já era cultuada na antiguidade por pelo menos dois grandes grupos indígenas, o dos tupis e o dos cariris também chamados de tapuias.

Os tupis se dividiam em tabajaras e potiguares, que eram inimigos entre si.

Na época da fundação da Paraíba, os tabajaras formavam um grupo de aproximadamente cinco mil índios que ocupavam o litoral e fundaram as aldeias Alhandra e a de Taquara.

 

    

A JUREMA

 

 

A Jurema (Acacia Jurema mart.) é uma das muitas espécies das quais a Acácia é o gênero.

 

Várias espécies de Acácia nativas do nordeste brasileiro recebem o Acácia é o gênero.

As Acácias sempre foram consideradas plantas sagradas por diferentes povos e culturas de todo o mundo.

Os Egípcios e Hebreus veneravam a "Acacia nilotica" (Sant, Shittim, Senneh), os Hindus a "Acacia suma" (Sami), os Árabes a "Acacia arabica" (Al-uzzah), os Incas e outros povos indígenas da América do sul veneravam a "Acacia cebil" (Vilca, Huillca, Cebil), os nativos do Orinoco a "Acacia niopo" (Yopo) e os índios do nordeste brasileiro tinham na "Acacia jurema" (Jurema, Jerema, Calumbi) a sua árvore sagrada, a sua Acacia, ao redor da qual desenvolveu-se essa tradição hoje conhecida como "Jurema sagrada".

A jurema (mimosa hostilis), depois de crescida, é uma frondosa árvore que vive mais de 200 anos.

Todas as partes dessa árvore são aproveitadas: a raiz, a casca, as folhas e as sementes, utilizadas em banhos de limpeza, infusões, unguentos, bebidas e para outros fins ritualísticos.

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