A Macumba

O vocábulo tem origem numa língua banta, o kimbundu, a partir de "ma'kôba".

O significado do termo original é incerto, sendo apontado por alguns como "dança", ou como um determinado instrumento de percussão africano.

Macumba (do quimbundu: ma'kôba) é um instrumento de percussão de origem africana, semelhante ao instrumento reco-reco.

 

 

A Macumba como Religião

 

                                                     A Macumba é um culto que desenvolve trabalhos espirituais, para tanto contando com a incorporação de entidades.

 

                                                    A Macumba surgiu com a introdução de determinados Orixás,  e de ritos iorubás na Cabula.

                                                    A história menciona “macumba” como sendo uma árvore sagrada para os africanos, termo que, por empréstimo, passou a designar o próprio culto.

 

                                                    De acordo com a explicação do Padre Heitor Frisotti, teólogo estudioso das religiões afro-brasileiras, a religião banta não era muito estruturada, uma vez não tinha uma classe sacerdotal forte como a dos iorubás, nem praticava cerimônias mais elaboradas como as encontradas no Candomblé.

                                                     Esse despojamento, tanto por ausência de regras hierárquicas mais rígidas como pela maior simplicidade de seu cerimonial, foi adotado pela Macumba, o que a conduziu a uma mais fácil adaptação às estruturas urbanas das cidades, tornando-a, hoje, mais presente no Rio de Janeiro e em São Paulo.

 

                                                     Basicamente os cultos de Macumba acontecem nos terreiros, e seus rituais envolvem cânticos, fumaça à base de ervas, danças e orações.

                                                     Os cerimoniais compreendem a incorporação das entidades, convocadas com toques específicos dos atabaques, e a prática das vibrações adequadas pelos médiuns que irão recebe-las.

                                                     Esses rituais incluem a realização de oferendas, os denominadas “despachos”, que são um pedido de ajuda a essas entidades, ou representam um agradecimento a elas.

                                                     Os despachos geralmente são feitos em encruzilhadas, que, para a Macumba, representam o ponto de encontro entre dois mundos: o espiritual e o material.

 

                                                     As encruzilhadas são os pontos favoritos dos Exús, entidades que interligam os humanos com os Orixás.

 

No Brasil

 

No Brasil, por meio de um processo de ampliação de sentido e de preconceito, o termo "macumba" (e o derivado "macumbeiro", originalmente o "tocador de macumba") passou a referir também às oferendas religiosas ligadas as religiões de matrizes africanas.

O termo é frequentemente usado como uma designação genérica para as religiões afro-brasileiras, como o candomblé e a umbanda, sendo empregado, contudo, com um sentido pejorativo.

Nesse sentido depreciativo, eram também usados termos como "bruxaria", "feitiçaria", "charlatanismo", "curandeirismo", etc.

 

A palavra também pode referir-se a certas religiões afro-brasileiras em específico, como algumas antigas "macumbas do Rio de Janeiro", aparentadas da religião sincrética cabula (angola muçulmana).

Em outros contextos, "macumba" é usado no sentido de "feitiço" (mandinga), "ebó", "coisa-feita", "despacho", "encomenda", "mironga".

 

 

 

 

A Macumba Carioca

 

 

Os cultos de origens africanas no Rio de Janeiro chamavam-se, coletivamente, Candomblés, como na Bahia, reconhecendo-se, contudo, duas seções principais: os Orixás dos cultos nagôs e os Olufás dos cultos muçulmanos (malês) trazidos pelos escravos.

Mais tarde, o termo genérico "macumba" foi substituído pelo termo "kiumbanda".

Meio século após a publicação de As Religiões do Rio, estão inteiramente perdidas as tradições malês e, em geral, os cultos, abertos a todas as influências, dividem-se em terreiros (cultos nagôs) e tendas.

 

De acordo com Reginaldo Prandi: a Macumba carioca, portanto, pode bem ter se organizado como culto religioso na virada do século, como aconteceu também na Bahia.

Não vejo, pois, razão para pensá-la como simples resultante de um processo de degradação desse Candomblé visto no Rio no fim do século.

Essa macumba era sempre descrita como feitiçaria, isto é, prática de manipulação religiosa por indivíduos isoladamente, numa total ausência de comunidades de culto organizadas.

Arthur Ramos fala de um culto de origem banta no Rio de Janeiro na primeira metade do século, cultuando orixás assimilados dos nagôs, com organização própria, com a possessão de espíritos desencarnados que, no Brasil, reproduziram ou substituíram, por razões óbvias, a antiga tradição banto de culto aos antepassados.

São cultos muito assemelhados aos candomblés angola e de caboclos da Bahia.

 

 

Locais de existência

 

 

A cidade maranhense de Codó (Brasil) é conhecida como "capital da macumba", pois de acordo com os idosos, a cidade teria sido fundada por praticantes de cultos afro- brasileiros.

Esta conta com a maior porcentagem de terreiros pela área da cidade no Brasil.

 

É em Codó que mora um célebre pai de santo, o Bita do Barão.

A religião afro-brasileira ("macumba") praticada na região de Codó e de Teresina é mais conhecida como terecô.

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