Nanã-Burukú ou

Nhanhã- Burukú

PERFIL

 

 

Nanã-Burukú é uma Iyabá, Orixá feminino, de origem daomeana, que foi incorporada à mitologia iorubá quando o povo nagô conquistou a região do Daomé e assimilou a cultura da região, tanto quanto impôs sua cultura ao povo local.

É o Orixá feminino mais velho do Panteão.

É a deusa das águas profundas e das regiões pantanosas.

Enquanto que Oxum é a responsável pela concepção, Nanã faz o caminho inverso: é ela quem conduz ao astral as almas dos que desencarnam.

É considerada uma figura austera, justiceira e absolutamente incapaz de uma brincadeira ou de uma explosão temperamental.

É associada com a lama dos alagados, considerando-se que tal elemento representa o estágio intermediário entre os estados da matéria: a lama e os pântanos situam-se entre a terra que é sólida e as águas que são líquidas, reunindo, portanto, as propriedades de ambos os elementos.

Nanã é um Orixá muito antigo, contemporâneo à criação do mundo. Na cultura daomeana ela era a matriarca.

Como no culto nagô a figura da mãe já estava ocupada e dividida entre Oxum e Yemanjá, foi levada em conta a antiguidade de Nanã e a ela reservado o papel de avó.

 

 

 

 

MITOLOGIA

 

 

Nanã-Buruku, ou Nhanhã-Buruku ou ainda Nanã-Brukung, era a velha sereia que acolheu e protegeu Yemanjá no fundo dos mares por ocasião do episódio com Aganjú.

Há poucas referências quanto às origens mitológicas dessa velha Iyebá, pouco se sabendo a seu respeito além de sua longeva existência.

Foi a primeira das esposas de Oxalá, com quem teve três filhos: Iroko, Obaluaiê e Oxumaré.

 

 

 

 

NHANHÃ NA ÁFRICA

  

 

Nhanhã era um Orixá de origem daomeana, e no culto anterior à chegada dos iorubás à Nigéria, tinha hierarquia semelhante à de Oxalá, patriarca no culto nagô.

Era considerada a mais antiga das Iyabás, concepção assimilada pelos nagôs e habitava o fundo dos mares, dos rios e dos pântanos, morando na lama que recobre essas regiões profundas dos alagados.

Era, por extensão, o ponto de contato das águas com as terras, a separação entre o que já havia (a água) e o que foi criado por Odudua (a terra), razão porque seu surgimento era tido como contemporâneo à criação do mundo.

Seu culto era disseminado por larga região geográfica, fato que por vezes a levava a ser confundida com outros Orixás, como por exemplo, com Xampanam, Omulú e Obalauaiê, que são nomes diversos de um mesmo Orixá, o Deus da Varíola.

Seu nome significa, em nagô: “Senhora dos maus ardís do mar”.

 

 

 

NHANHÃ NO BRASIL

 

 

 

Na Umbanda, Nhanhã é considerada como a Mãe Velha, e é tida como a avó de todos os Orixás.

 

É uma Iyaba amável, maternal, conselheira, paciente, porém ciumenta. Seus  fluidos  são  a  síntese  de  todos  os  fluidos,  uma  vez que  reúne o magnetismo de todos os graus vibratórios.

Nhanhã é a protetora dos namorados e dos problemas amorosos, das pessoas idosas, dos religiosos e dos ambientes onde se pratique a caridade.

Protege seus filhos dos afogamentos e encontra-se sincretizada com Sant’Ana.

A ela deve ser dirigida a primeira saudação quando se entra no mar, antecedendo o cumprimento devido à Iemanjá.

Terça-feira é o dia da semana que lhe é dedicado, e sua festa tem lugar em 26 de julho.

 

 

 

QUALIDADES DE NHANHÃ

 

 

Burukú - Senhora da terra ou do dinheiro. É um Orixá descendente de Abomey; está relacionado à água doce dos pântanos. Carrega consigo um ibiri azul.

 

Adjaoci - Guerreira agressiva descendente de Ifé, mora em águas doces e se veste de azul.

 

Ajapá - Vive nos pântanos, é temida, defensora da mata e está relacionada a morte, lama e terra. É racional e protetora dos moribundos. Descendente de Ajapá.

 

Abeneji - Nanã mãe de Ibá Odu, cabaça que traz Oxumarê, Oxossi Olodé, Oya e Yemanjá

 

Obaia - Usa contas de cristal, roupa lilás, veio de Baribae. Orixá da lama e da água.

 

Ybain - É a principal orixá e a mais temida, usa roupa vermelha. Para chamá-la, a ekedi tem que bater com seus otás para fazê-la pegar suas filhas. É a orixá da varíola.

 

Xalá - Ligada a Oxalá e ao branco.

 

Savé - Usa uma coroa feita de búzios e veste-se de azul e branco.

 

Oporá - Mãe de Obaluaiyê, ligada a terra, temida e agressiva. Está sempre coberta de òsun vermelho. Vinda de Ketu.

 

Omilaré - A verdadeira esposa de Oxalá. É a mais velha, está relacionada aos pântanos e ao fogo. É a verdadeira mãe de Omolu Intoto. É vestida de musgo e cristal.

 

 

 

 

ARQUÉTIPO

 

 

 

 

Nhanhã é o arquétipo das  pessoas  que agem  com  calma, benevolência, dignidade e gentileza.

 

Corresponde às  pessoas  lentas  no cumprimento de seus trabalhos e que julgam ter a eternidade à sua frente para terminar seus afazeres.

São pessoas que gostam de crianças e educam-nas, tratando-as por vezes com excesso de doçura e mansidão, pois tem a tendência de se comportarem com a indulgência dos avós.

 

 

 

REGÊNCIA

 

Orixá feminino, regente da linha da evolução. Nanã envolve a sabedoria e a paciência.

Seus pontos de força na natureza são os pântanos e os mares profundos.

 

RESUMO

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