Obá

PERFIL

 

 

 

Obá é uma Iyabá, Orixá feminino iorubá.

É a divindade de um rio do mesmo nome, na África.

É uma Iyabá enérgica, físicamente forte e guerreira por excelência. É o Orixá do equilíbrio e da justiça

É a protetora dos tristes e abatidos, dos doentes e dos desenganados e é muito ligada a Ogum, único Orixá que, segundo as antigas lendas, conseguiu derrota-las nas lutas.

Obá é senhora das águas doces revoltas e procura sempre pelo equilíbrio, sendo defensora da justiça.

Onde se encontram quebras fortes de água doce, pororocas e quedas

 

d’água, ali se encontra ela. as enchentes.

 

Obá anda ao lado de Nanã, por isso também tem controle sobre o barro e Por possuir grande força física, ela representa o poder feminino da luta,

 

também é atribuído a ela o poder de transformar os alimentos crus em cozidos.

 

 

 

 

 

MITOLOGIA

 

 

 

 

Obá, filha de Oxalá e Yemanjá, é uma Iyabá físicamente mais forte que muitos Orixás masculinos, aos quais desafiava e vencia nas lutas.

Assim fez com Oxalá, Xangô e Orunmilá, até que, diante de Ogum este, que havia se aconselhados com Ifá antes da disputa, espertamente, conduziu-a a um local onde havia previamente espalhado uma pasta escorregadia, na qual Obá pisou, perdendo o equilíbrio e dando a Ogum a oportunidade de domina-la e possui-la.

Oba, então, casou-se com Ogum. Mas Obá ainda não havia sentido o amor verdadeiro, e, em um dia de mais disputas entre os Orixás, conheceu Xangô, por quem se apaixonou, e decidiu abandonar Ogum e casar- se com Xangô, tornando-se a terceira esposa deste Orixá.

Oba tornou-se muito ciumenta e possessiva, e não demorou a surgir entre ela e Oxum, segunda esposa daquele Orixá, uma grande rivalidade: Oxum eram mais moça, esbelta e elegante, enquanto Obá, mais velha, já apresentava sinais de sua idade e nada possuia de elegância.

Para compensar essa desvantagem, Obá, conhecedora do voraz apetite de Xangô, procurava conquistar suas atenções através das comidas que lhe preparava, muitas vezes roubando, para tanto, os segredos culinários de Oxum.

Oxum, irritada, resolveu se vingar e, certa feita, disse a Obá que o segredo para prender Xangô era cortar uma de suas próprias orelhas e servi-la ao Orixá cozida no feijão branco. Obá assim fez: cortou uma de suas orelhas, cozeu-a no feijão branco e serviu-a a Xangô.

O Deus do Trovão, horrorizado, aborreceu-se seriamente, censurando Obá com veemência, passando então a evita-la, para desespero da Iyabá que, além de tudo, ficou sem uma das orelhas, a direita.

Nessa lenda reside as razões para o costume ainda existente no Candomblé, de os filhos de Xangô não comerem feijão branco e o de Obá, quando se manifesta nas filhas-de-santo, apresentar-se com uma das mãos ou um xale cobrindo a região da orelha que foi decepada.

 

Na dança briga com Oxum que, com artifícios, a induziu a cortar uma das orelhas para usá-la na comida de Xangô e com isso manter seu amor. Obá descobriu-se enganada, e foi repudiada por Xangô.

 

Em outra ocasião Obá deu de presente a Xangô um lindo cavalo branco, que se tornou o predileto desse Orixá.

Mais adiante, Xangô partiu para uma batalha, e Obá, decorrido algum tempo, preocupada com o marido que não voltava, consultou Orunmilá, que a instruir a colocar um espanta- moscas, chamado iruquerê, feito com rabo de cavalo, no teto da casa.

Obá encomendou o iruquerê para Elequá, e Oxum, ao saber sido, resolveu interferir, orientando Elequá a cortar o rabo do cavalo branco de Xangô.

O cavalo, por isso, sangrou até a morte e Xangô, ao retornar, não encontrou seu cavalao, mas percebeu o iruquerê pendurado no teto, e, por suas outras esposas, soube que isso havia sido obra de Obá.

Xangô, furioso, repudiou Obá.

 

Mas Obá não deixou de graça as artimanhas de Oxum.

Um dia, sem que Oxum percebesse o perigo ela virou um caldeirão cheio de azeite de dendê em fervura, sobre os pés de Oxum, que ficou gravemente ferida.

Por isso, dia a lenda que é possível reconhecer pos filhos de Oxum, por seus pés.

 

Senhora das ilhas e penínsulas é a Orixá que zela pelo amor. Deusa do Rio Obá.

Guerreira, veste vermelho e branco, usa escudo e lança. Saudação a Obá: “Obá Siré!”, que significa “Rainha Poderosa!”

 

 

 

 

OBÁ NA ÁFRICA

 

 

 

 

Obá foi a terceira esposa de Xangô.

Tal como as duas primeiras, Iansã e Oxum, também havia sido mulher de Ogum.

 

Seu culto registrou grande e sensível redução ao longo do tempo, não obstante ser ela uma das mais simpáticas Iyabás da mitologia nagô, por sua simplicidade e delicadeza.

 

 

 

 

 

 

OBÁ NO BRASIL

 

 

 

 

Tal como na África, o culto à Obá no Brasil tem registrado grande declínio, havendo mesmo alguns pais de santo que a consideram como “um Orixá que não tem mais”.

No Candomblé apresenta-se com um turbante ou xale escondendo uma das orelhas, a direita, como recordação do ocorrido na lenda já narrada.

Não convive bem com Oxum.

É sincretizada com Santa Joana D’Arc.

Sua festa é celebrada a 31 de maio e seu dia da semana é a quinta-feira.

 

 

 

 

ARQUÉTIPO

 

 

 

 

O arquétipo de Obá é o das mulheres valorosas e incompreendidas, com tendências um pouco virís, que as fazem voltar-se para o feminismo ativo.

Suas atitudes militantes e agressivas são consequência de experiências amargas por elas vividas e seus insucessos devem-se, geralmente, a um ciume um tanto mórbido.

Entretanto, quase sempre encontram compensação para as frustrações sofridas, em sucessos materiais, onde sua avidez de ganho e cuidado para nada perder de seus bens, tornam-se garantias de sucesso.

 

 

 

 

 

REGÊNCIA

 

 

 

 

Orixá feminino, regente da linha do conhecimento.

Obá envolve a força do pensamento, concentração como um todo. Seu ponto de força é a terra.

 

 

 

 

 

 

 

RESUMO

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