Ogum

PERFIL

 

 

Divindade masculina iorubá (nagô), Ogum personifica o guerreiro, o conquistador, o lutador incansável.

Por tal motivo é conhecido como o Orixá que se encarrega de “quebrar as demandas”: é o soldado das causas difíceis.

É a figura do astral que, depois de Exú, encontra-se mais próxima dos seres humanos.

Sua missão é empreender, no astral, as guerras e lutas que os seres humanos não conseguem travar no plano terreno.

É o Orixá guerreiro, e, portanto, com identificação com as características militares, Ogum é avesso à hierarquia: não gosta de receber ordens nem de controlar o comportamento de ninguém.

Ao contrário, é um libertário que pouco se prende às convenções.

Ogum é mais paixão que razão: aos amigos, tudo, até o doloroso perdão; aos inimigos, a cólera mais implacável, a sanha destruidora do mais forte.

Ogum não prima pela imparcialidade: é sempre partidário, concordando ou discordando apaixonadamente.

É o Deus do ferro e da metalurgia; é o padroeiro daqueles que manejam ferramentas, e, por extensão, o Orixá que cuida dos conhecimentos práticos, e, consequentemente, patrono da tecnologia.

Ogum é o símbolo do trabalho e da atividade criativa do homem. É a visão prática, utilitária.

É a determinação da busca de objetivos e a capacidade de empreender. Ogum é a energia quase pura, explosivamente criada e indomada, praticamente inesgotável. Sem reino específico, atua na defesa de todos os reinos, e sua energia está em todos os lugares.

 

 Sua força reside na coragem com que se lança à frente, nos momentos de luta.

 

Ogum não se interessa pela riqueza, pelo poder ou pelas sutilezas da diplomacia.

É sucinto e gosta dos assuntos claros e definidos com rápidas palavras. Pouco se importa com a comodidade ou com o luxo.

Por isso, suas passagens rituais, suas vestimentas e suas comidas ritualísticas encontram-se entre as mais despojadas dos costumes africanos.

Seu domínio são as retas dos caminhos, as lutas e o trabalho.

Fora da guerra é o Orixá da alegria, da diversão, da delícia de viver, especialmente em companhia dos amigos e camaradas.

 

 

 

MITOLOGIA

 

Como personagem histórico, teria sido o filho mais velho de Oxalá, o fundador de Ifé, e Yemanjá.

Era um formidável guerreiro que lutava, sem cessar, com os reinos vizinhos, campanha após campanha.

Numa dessas sortidas apossou-se da cidade de Irê, onde colocou seu filho no trono, e partiu, em busca de novas aventuras.

Retornou anos depois, chegando à cidade no dia em que se realizava uma cerimônia preparativa para as colheitas, e durante a qual era proibido falar até que cumpridas certas oferendas, sob pena se perderem as safras.

Ogum, com fome e sede, não obtendo respostas para suas perguntas, e não tendo sido reconhecido pelos habitantes, tomou aquilo como insulto pessoal.

Sendo pequena sua paciência, enfureceu-se e passou a quebrar tudo o que encontrava, até que seu filho apareceu, explicou-lhe a natureza da cerimônia e ofereceu-lhe suas comidas e bebidas favoritas.

Enquanto se alimentava tinha prosseguimento a cerimônia, e superado o período de silêncio obrigatório, os habitantes de Irê passaram a entoar cantos em sua homenagem, e Ogum, arrependido de sua violência, declarou que já havia vivido o bastante, e baixando sobre a terra a ponta de sua espada, desapareceu solo adentro, sob assustadora barulheira.

 

 

 

 

 

 OGUN NA ÁFRICA

 

 

O culto a Ogum era bastante difundido entre os iorubás, assim como entre países vizinhos, e era um Orixá muito respeitado e temido.

Era considerado o Deus do Ferro, e toma-lo como testemunha numa discussão, ao mesmo tempo em que se tocava com a língua a lâmina de uma faca ou outro objeto de ferro, era sinal, entre os nagôs, de sinceridade absoluta.

Um juramento feito em nome de Ogum era o mais solene e digno de fé, comparável aos que fazem os cristãos sobre a Bíblia ou os muçulmanos sobre o Alcorão.

Sua importância nos credos africanos decorre de ser um dos mais antigos deuses iorubás, e também por sua ligação com os metais e com aqueles que os utilizam.

Sem sua proteção não seria possível nenhum trabalho ou atividade útil.

Era um Orixá solteiro, que vivia nos descampados, e se constituía no protetor da agricultura.

 

 

 

OGUN NO BRASIL

 

 

Ogum é um dos mais poderosos Orixás da Umbanda e do Candomblé.

É reconhecido como um Orixá guerreiro, que protege dos acidentes de sangue, quebra as demandas e resolve as dificuldades, amenizando com as forças de suas vibrações, as emanações fluídicas prejudiciais que favorecem a manifestação do baixo astral.

Costuma preceder os outros Orixás, abrindo os caminhos em todas as circunstâncias, por isso é considerado como o “Senhor dos Caminhos”.

É simbolizado nas lutas e representa a energia indispensável a todos os planos de vida.

 

 

Sua força é emissiva e ativa: dá coragem e fortifica a vitalidade para a luta. É o defensor da Lei e da Ordem.

É um Oxirá múltiplo, cultuado sob diversas formas: Ogum Menino; Ogum Sete Espadas; Ogum Sete Encruzilhadas; Ogum da Pedra Branca; Ogum de Ronda; Ogum do Oariri; Ogun do Lado de Martim Pescador; Ogum Beira-Mar e outras.

Ogum, embora severo, é muito afável, fato que lhe granjeou a simpatia da maioria dos outros Orixás, com quem se relaciona amistosamente e de maneira harmoniosa.

Na Bahia, foi associado a Santo Antonio, num sincretismo aparentemente decorrido do fato de ser aquele santo católico cognominado de “o martelador dos heréges”, pela veemência com que criticava os sacrílegos.

No Sul, encontra-se associado com São Jorge, num sincretismo mais evidente, face a indumentária do santo católico, que é representado como um guerreiro, vestindo armadura e portando uma espada.

Terça feira é o dia da semana que lhe é dedicado, e sua festa é celebrada a 23 de abril.

 

 

FALANGES DE OGUN

Ogum Beira-Mar (oferenda à beira-mar)

Ogum Rompe-Mato (oferenda na entrada da mata)

Ogum Megê (oferenda no lado direito do cemitério) 

Ogum Naruê (oferenda no lado esquerdo do cemitério)

Ogum Matinata (oferenda no sopé de morro)

Ogum Yara (oferenda na margem de rio) Ogum Delê (oferenda na água do mar)

 

ARQUÉTIPO

 

 

O arquétipo do Ogum é o das pessoas violentas, briguentas e impulsivas, incapazes de perdoarem as ofensas de que foram vítimas.

É o arquétipo das pessoas que perseguem energicamente seus objetivos, sem se desencorajarem com facilidade; daquelas que, nos momentos difíceis, triunfam onde qualquer outro já teria abandonado as esperanças de prosseguir; das pessoas que possuem humor mutável, passando de furiosos acessos de raiva ao mais tranquilo dos comportamentos.

Finalmente, é o arquétipo das pessoas impetuosas e arrogantes, daquelas que se arriscam a melindrar os outros por falta de discrição quando lhes prestam serviços, mas que, devido à sinceridade e franqueza de intenções, tornam-se difíceis de serem odiadas.

 

 

 

 

 

REGÊNCIA

 

 

Orixá masculino, regente da linha da lei.

Ogum envolve o caminho, as leis naturais que regem o Universo.

 

Seu ponto de força são as estradas.

RESUMO

©2020 by Sylvio Pires Gachido. Todos os diretos reservados. WebDesigner Adriana Cruz