Omolokô

O termo Omolokô alude ao povo Loko, que era governado pelo rei Farma, no sertão de Serra Leoa, na África.

Ele teria sido o rei mais poderoso entre todos os manes.

Sua cidade chamava-se Lokoja e se localizava à margem do Rio Mitombo, afluente do rio Benue, que por sua vez, é afluente do grande Rio Níger.

Lokoja ficava próxima do Reino Yorubá. 

O povo Loko também era conhecido pelos nomes de Lagos, Lândogo e Sosso.

Os Lokos viveram até 1917 a oriente dos Temnis de Scarcies.

Acredita-se que a tribo Loko pertencia a um grupo maior chamado Mane e que alguns de seus integrantes vieram escravizados para o Brasil e formaram o Omolokô.

A mesa e Santé


A roça-de-santo é uma distinção utilizada, inclusive pelos Omolokôs, para denominar o local onde se concentram as comemorações e rituais aos Orixás.

O termo é uma referência ao período colonial em que os escravos cultuavam aos Orixás às escondidas nas roças e fazendas dos senhores de engenho.

A roça-de-santo possui distintos locais que concentram axé, onde juntos, emanam energia que têm como função: proteger, encantar, equilibrar e acentuar a fé dos omorixás da roça e pousar os visitantes.

A roça-de-santo é dividida em dois ambientes: O público e o sagrado.

O público é um local onde se pode beber e fumar e onde se serve o Ajeum (refeição, comida), sendo um lugar que se é permitido maior descontração: Quintal.

O sagrado é onde se encontram os atabaques e onde é executado o xirê do santo, saídas e obrigações: Sala.

É onde se guardam todos os apetrechos e vestimentas dos Orixás: Peji.

E onde estão guardados parte dos segredos da Roça-de-Santo e onde são realizadas as iniciações: Roncó.

É onde se preparam todas as comidas de santo: Cozinha-de-santo.

É onde ficam os igbás e os objetos mais sagrados dos Orixás: Quartos-de-

Santo.

O Omoloko é uma religião surgida no Rio de Janeiro.

O Omolocô é um ramo da cabula, da mesma forma que a Cabula é um ramo do omolocô, ciência dos antigos nganga-ia-muloko, que controlavam a maldição dos raios.

O Omolocô tem Zambi como Entidade Suprema.

Cultua entidades como Canjira, o senhor dos caminhos e da guerra; Quimboto, o dono da varíola e das doenças; Caiala, senhora do mar; Pomboê, dona dos raios; Zambanguri ou Sambariri, senhor do trovão; Quiximbi ou Mamãe Cinda, dona das águas doces.

No Omolocô todo pai é um Tata; seus auxiliares são os cambones; todo filho é um caçueto; e toda médium, intermediária entre o Santé e o mundo dos vivos, é uma cota.

E todos são malungos, amigos, companheiros.

A bandeira do Omolocô é verde, atravessada em diagonal por uma linha branca e com uma pena branca no centro.

O camutuê, cabeça, do futuro caçueto não será raspado, recebendo apenas uma pequena tonsura.




História


O vocábulo deriva de uma composição baseada em duas outras, oriundas da língua iorubá:

Omo: filho e Loko, que aludiria à árvore Iroko e resultaria em Filhos da Gameleira Branca.

O Omolokô instaurou-se no Rio de Janeiro, segundo estudiosos, no século XIX, a partir do conhecimento trazido por negros vindos da África e seus descendentes.

A herança do período colonial que sofreu influência de diversas vertentes religiosas da África, predominantemente o culto aos orixás e aos inkices, tornou peculiar a sua forma de culto, mantendo a cosmologia de cada origem, acrescida de rituais religiosos contemporâneos.

No Rio de Janeiro, a partir da miscigenação e influência do Espiritismo francês, instaurou-se um novo movimento denominado Omolokô, disseminado prioritariamente por Tancredo da Silva Pinto.

O Omolokô é apontado por estudiosos e praticantes como um dos principais influenciadores da formação da Umbanda africanizada ao lado do Candomblé de Caboclo, do Cabula e do próprio Candomblé.

Teria surgido, segundo Tancredo da Silva Pinto entre o povo africano Lunda-Quiôco.

Possui ritualística própria e seu representante mais expressivo é o tatá Tancredo da Silva Pinto, já falecido, estafeta dos correios, morador do Morro de São Carlos, que foi um grande estudioso, colunista e escritor.

Porém, há relatos da existência de uma escrava, Maria Batayo ainda na década de 1860, e a filha de escravos, Léa Maria Fonseca da Costa, que preservaram o Omolokô dissociado da Umbanda conforme é abordado na obra de Ornato José da Silva.

A diáspora dos Orixás cultuados no Omolokô é a mesma utilizada pelo Candomblé e sua organização dogmática o faz diferir também por isso da Umbanda que os cultua em número menor e de forma majoritariamente sincrética.

Há quem defina erroneamente o Omolokô como uma mistura de Umbanda e Candomblé.





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