Omulú

PERFIL

 

 

 

Omulú (ou Omolu, em sua forma velha) é um Orixá de origem daomeana, e filho de Oxalá e Nhanhã-Burukú.

É o Orixás das doenças, assim como de suas curas.

No credo nagô era considerado o Deus da Varíola, doença que, na época, se constituía no maior flagelo conhecido, na moléstia mais temida e na epidemia mais frequente, capaz de dizimar comunidades inteiras.

Omulú acumula tanto a capacidade de provocar as doenças como castigo àqueles que não o respeitam ou ofendem, como também detém o poder de cura-las.

Por isso, é considerado o Orixá da medicina, correspondendo à figura do médico astral.

 

 

Seu poder é temível e devastador.

Omulú é sombrio e grave, e sua aproximação prenuncia tragédia. Relaciona-se com o castigo, punindo com violência e determinação o desafeto, sendo difícil de ser aplacado.

É um Orixá ligado à terra como elemento.

É dotado de um saber bastante específico e é temível por seus desígnios, e acostumado a ficar ligeiramente à parte dos seres humanos, já que é uma figura totalmente repressora e perigosa, que pode, facilmente, trazer a morte.

Assim como os outros Orixás representam formas da natureza ou atividades sócio-produtivas dos homens, Omulú seria o registro da passagem das doenças epidêmicas - “castigo s sociais” - que atacariam uma comunidade inteira de uma só vez.

Esse caráter de ameaça e punição é a razão da aura de temor que cerca esse Orixá.

É o Orixá da transformação das energias produzidas, sejam naturais, (aquelas emanadas na natureza ou do nosso próprio pensamente), sejam artificiais (as criadas pelas oferendas) . Todas Omulú transforma e descarrega para a terra.

É o Orixá da transição para a vida astral.

É o Senhor dos segredos da vida e da morte. É o Mestre das Almas.

Se Exu p o grande manipulador das forças da magia, Omulú é o Mestre.

 

 

 

 

MITOLOGIA

 

 

 

Omulú, Xampanam, são alguns dos nomes dados ao mitológico deus nagô que era considerado o Deus da Varíola e das moléstias contagiosas.

É também, erroneamente chamado de Obaluaiê ou Obaluaê, ou Obaluaiê, que, é um outro Orixá, embora tenha características muito semelhantes às de Omulú.

Como personagem histórico Omulú é dado como oriundo do desaparecimento do grande Orixá Xampanam, do qual surgiram dois novos Orixás: Omulú e Obaluaiê, cujas atividades e personalidades eram de tal forma interligadas e identificadas, que são considerados, indevidamente, um único personagem.

A Omulú cabia o controle das doenças, principalmente as de natureza epidêmica, que enviava à Terra como castigo e punição para aqueles que tivessem infringido, de forma séria e insistente, as normas de comportamento.

Detinha, no entanto, o poder de curar tais doenças.

 

 

 

 

OMULÚ NA ÁFRICA

 

 

 

 

Omulú era um Orixá muito popular entre os negros africanos, que o chamavam de “o médico dos pobres”, pelo fato de se constituir no Orixá que governava a saúde e as doenças.

Era considerado o Deus da Varíola, moléstia muito comum entre os nativos do continente africano naqueles dias, e um flagelo constante nas regiões habitadas pelos nagôs.

Seu culto era frequentemente confundido com o culto à Nhanhã-Burukú, em virtude de oferendas idênticas que eram feitas a ambos os Orixás, e que se constituiam no sacrifício de animais.

 

 

 

 

OMULÚ NO BRASIL

 

 

 

Omulú é considerado o guardião dos cemitérios, e sua missão é governar as linhas dos mortos, os Eguns, assim como administrar as doenças.

Sua função é transmutar a matéria ao estado etérico, para que ela possa integrar-se ao todo, ou seja, às vibrações astrais.

Estão em suas mãos a vida e a morte.

Governa as atividades que exigem paciência e tempo, como a solução de problemas difíceis, as pesquisas, as descobertas científicas, o conhecimento dos mistérios das religiões, e tudo que se relaciona com o solo e a agricultura.

No Candomblé apresenta-se sob a forma de um velhinho que não pode se movimentar sem auxílio, e, portanto, não dança, permanecendo acomodado e sentado.

Enquanto permanece no terreiro, duas ekédis (auxiliares) mantém uma toalha branca estendida sobre sua cabeça, que permanece envolta por um capacete de palha (geralmente palha-da-costa) enfeitado com búzios e que também lhe cobre o rosto, chamado “Azé”.

As Falanges dos Pretos Velhos e das Almas são componentes da Linha de Omulú, embora os Pretos Velhos também se encontrem ligados a Oxalá e a Xangô.

Protege seus filhos do Mal de Hansen, da erisipela, da varíola e da embolia.

É sincretizado com São Roque e São Lázaro na Bahia, e com São Sebastião no Recife e no Rio de Janeiro.

A segunda-feira ou o sábado são os dias da semana que lhe correspondem, e sua festa se realiza em 17 de dezembro, embora no Norte do País seja realizada em 16 de agosto.

 

 

 

ARQUÉTIPO

 

 

 

O arquétipo de Omulú é o das pessoas com tendências anarquistas, que gostam de exibir seus sofrimentos e suas tristezas, dos quais tiram satisfação íntima.

São incapazes de se sentirem satisfeitas quando a vida lhe corre tranquila e são capazes de, atingindo situação material invejável, rejeitar tais privilégios por conta de escrúpulos imaginários.

São pessoas que podem ser capazes de se consagrar ao bem dos outros, fazendo completa abstração de seus próprios interesses e necessidades vitais.

 

 

 

 

 

REGÊNCIA

 

Orixá masculino, regente da linha da evolução.

Omulu envolve a transformação moral e o encerramento de ciclos.

É o Orixá que domina as doenças e suas curas.

Seus pontos de força na natureza são os cemitérios e o fundo do mar.

 

 

 

 

 

RESUMO

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