Os Orixás

Os orixás são deuses africanos que correspondem a pontos de força da Natureza e os seus arquétipos estão relacionados às manifestações dessas forças.

Os orixás são deuses africanos que correspondem a pontos de força da Natureza e os seus arquétipos estão relacionados às manifestações dessas forças.

As características de cada Orixá os aproximam dos seres humanos, pois eles se manifestam através de emoções como nós. Sentem raiva, ciúmes, amam em excesso, são passionais.

Cada orixá tem ainda seu sistema simbólico particular, composto de cores, comidas, cantigas, rezas, ambientes, espaços físicos e até horários.

Estes deuses da Natureza são divididos em 4 elementos - água, terra, fogo e ar.

Alguns estudiosos ainda vão mais longe e afirmam que são 400 o número de Orixás básicos divididos em 100 do Fogo, 100 da Terra, 100 do Ar e 100 da Água, enquanto que, na Astrologia, são 3 do Fogo, 3 da Terra, 3 do Ar e 3 da Água.

Os tipos mais conhecidos entre nós formam um grupo de 16 deuses, também associados à corrente energética de alguma força da natureza: Iansã é a dona dos ventos, Oxum é a mãe da água doce, Xangô domina raios e trovões, e outras analogias.

Na Umbanda e no Candomblé se cultuam muitos outros orixás, desconhecidos por leigos, por serem menos populares do que Xangô, Iansã, Oxossi e outros, mas com um significado muito forte para os adeptos dos cultos afro-brasileiros.

Alguns são especificamente cultuados, devido à ligação com trabalhos específicos que regem, para a saúde, morte, prosperidade e diversos assuntos que afligem o dia-a-dia das pessoas.

Esses deuses africanos são considerados intermediários entre os homens e Deus, e por possuírem emoções tão próximas dos seres humanos, conseguem reconhecer nossos caprichos, nossos amores, nossos desejos.

É muito comum, alguns dizerem que suas personalidades das pessoas são conseqüências dos Orixás que regem suas cabeças, desenvolvendo características iguais às destes deuses africanos.

A criação dos Orixás


Olórum ou Olódumaré é Deus, o Ser por excelência, Aquele que não está aquí nem lá, mas está em tudo, em toda parte, em qualquer lugar, a qualquer instante, Onisciente e Onipresente.

Olórum criou duas emanacões primeiras: Obatalá ou Oxalá e Odudua, que com Ele, Olórum, formaram a trindade primitiva, conceito presente em todas as metafísicas organizadas, em todos os quadrantes e épocas: a Trindade Egípcia - Osiris (Pai), Isis (Mãe) e Horus (Filho) -; a Trindade Cristã - Pai, Mãe e Espírito Santo -; a Trindade Hindú - Brahma (Pai), Avidya (Mãe) e Mahat (Filho) -, etc.

Oxalá e Odudua representam os dois polos fundamentais: o ativo e o passivo; o princípio masculino e o feminino.

Não é contraditório que seres mitológicos, como Odudua, no caso em foco, sejam por vezes considerados femininos e por outras, masculinos.

De fato, mitológicamente, esses entes abrigavam dentro de sí ambos os princípios, masculinos e femininos, e a alternância de sua condição, da mesma forma que as uniões - que hoje seriam consideradas incestuosas - entre pais e filhas, mães e filhos, ou entre irmãos, são entendidas como mitológicamente possíveis e perfeitamente aceitas.

Do consórcio entre Obatalá e Odudua nasceram dois Orixas: Aganjú, a Rocha, e Yemanjá, a Água, e da união destes nasceu um novo Orixá, Orungã, intermediário entre o Céu e a Terra.

Certa feita, na ausência de Aganjú, Orungã rapta e viola Yemanjá, que desesperada, foge do filho e na alucinação dessa fuga tomba morta.

De seu ventre surgem então os demais Orixás: Xangô, Oxóssi, Yansã, Ogum, Oxum, Obá, Ibeiji, Xamponam, etc.




Introdução


O culto aos Orixás remonta aos antigos credos africanos, onde as atividades religiosas encontravam-se diretamente ligadas às noções de família e origem das tribos que constituiam os agrupamentos sociais dos habitantes do Continente Negro.

O Orixá seria, em princípio, um ancestral divinizado que, em vida, estabelecera vínculos que lhe garantiriam o controle sobre certas forças da natureza, como o trovão, o vento ou as águas, ou havia assegurado a possibilidade de se impor sobre o exercício de atividades como a caça, a agricultura ou o trabalho com metais, ou ainda desenvolvido profundo conhecimento das propriedades das plantas, ervas e sua utilização, ou mesmo se sobressaido em batalhas ou guerras.

Esses seres excepcionais eram dotados de um “Asé” (poder) muito forte, e sua passagem da vida terrestre para a vida espiritual, onde iriam adquirir condição de Orixás, ocorria, em geral, em momento de intensa paixão, episódios cujas descrições se perpetuaram nas lendas conservadas na lembrança dos negros africanos, e transmitidas verbalmente de pai para filho.

Possuidores desse “Asé” enorme e de poderes extraordinários, sofriam esses seres, em momentos de crise emocional, uma metamorfose provocada pela cólera ou outros sentimentos violentos, de forma que o que neles era de material desaparecia, queimado pela paixão, restando apenas o “Asé”, poder em estado de energia pura.

Por força desse “Asé” muito poderoso, em seu desencarne, não eram conduzidos, como os demais humanos, à condição de “Eguns” (almas dos mortos), mas se transformavam em Orixás.

Nessa condição de Orixás, seu “Asé” lhes permitia encarnar momentâneamente em um de seus descendentes, por intermédio e durante um fenômeno de possessão por eles provocado.

O Orixá era, portanto, uma força pura, um “Asé” imaterial que sómente se tornava perceptível aos seres humanos quando se incorporava em um deles, que era escolhido entre seus descendentes e recebia o nome de “Elégun”, palavra que, no dialeto nagô significava “aquele que tem o privilégio de ser montado (gun) por ele”.

Tornava-se esse “Elégun” o veículo que permitia ao Orixá voltar à Terra para saudar seus descendentes e receber as provas de respeito e consideração daqueles que o invocavam. Nesse retorno momentâneo à Terra, durante as cerimônias de evocação, os

Orixás ouviam as queixas de seus descendentes e os aconselhavam, concediam graças, resolviam desavenças, prescreviam remédios para suas dores e doenças, e davam consolo para seus infortúnios e sofrimentos.

Demonstravam, dessa forma, que o mundo celeste não estava tão distante nem tão superior ao dos crentes, que podiam conversar diretamente com o deuses e valer-se de sua benevolência.

O Orixá ancestral era um bem de família, transmitido pela linhagem paterna, e os grandes chefes de clã, os “Balés” , delegavam a um dos membros da coletividade, o “Aláàse” - o guardião do poder dos deuses -, a responsabilidade pelo culto a esse Orixá familiar, que era realizado sob sua supervisão e com o auxílio do “Elegún” , que seria um de seus descendentes.

Dentro da cultura do Candomblé, o Orixá é considerado a existência de uma “vida passada na Terra”, na qual os Orixás teriam entrado em contato direto com os seres humanos, aos quais passaram ensinamentos diretos e se mostraram em forma humana.

Essa teria sido uma época muito distante na qual o ser humano necessitava da presença física dos Orixás, pois o ser humano ainda se encontrava em um estágio muito primitivo, tanto materialmente como espiritualmente.

Após passarem seus ensinamentos, voltaram à Aruanda, mas deixaram na Terra sua essência e representatividade nas forças da natureza.




Início da Criação


No ar infinito, indiferençado, que havia no princípio, antes de se iniciar a Criação, Olórum gerou o movimento.

Esse movimento do ar criou as águas primordiais e uma entidade, chamada Orinxalá (não confundir com Orixalá, outro nome de Oxalá).

O ar e Orinxalá, combinados e em movimento, fizeram surgir a primeira matéria, amorfa e pastosa, que por sua vez em movimento, deu origem à rocha incandescente que, refriada, resultou na terra.

Da terra, surgiu o ser primordial, protótipo dos demais: Exú.

Exú torna-se, então, o marco da separação, necessária à ordem do Universo, para que não haja novamente o Caos.

Os três elementos iniciais - ar, água e terra -, formam dois conjuntos básicos: ar-água, domínio de Oxalá, e água-terra, domínio de Odudua.

O primeiro conjunto, ar-água, é o símbolo do masculino universal, enquanto o binômio água-terra, é o símbolo do feminino universal.

Por isso, mitológicamente, atribue-se a Oxalá a condição masculina, e a Odudua a condição feminina.




Os Poderes dos Orixás


Olodumare fez o mundo e repartiu entre os orixás os vários poderes, dando a cada um um reino para cuidar.

A Exú deu o poder da comunicação e a posse das encruzilhadas.

A Ogum, o poder de forjar utensílios para a agricultura e o domínio sobre todos os caminhos.

A Oxossi o poder sobre a caça, a agricultura e a fartura. A Obaluaiê o poder de controlar as doenças de pele.

A Oxumaré coube o arco-íris, que embeleza a Terra e comanda as chuvas.

Xangô recebeu o poder sobre a Justiça e sobre os trovões.

Oia (Iansã) reinaria sobre os mortos, e teria poder sobre os raios.

Ewá controlaria a subida dos mortos para o Orum, e reinaria sobre os cemitérios.

Oxum seria a divindade da beleza, da fertilidade feminina, das riquezas materiais e teria o poder de reinar sobre os sentimentos de amor e ódio.

Nanã, pela sua idade avançada, recebeu a dádiva de ser a pura sabedoria dos mais velhos, além de ser o final de todos os mortais: nas profundezas de seu reino os corpos dos mortos seriam recebidos. Do seu reino sairia, também, a lama com a qual Oxalá modelaria os mortais.

A Oxaguian coube o poder das invenções relativas à cultura material.

Cada Orixá era, portanto, senhor de um elemento, de uma atividade, de uma prerrogativa e, nesses campos particulares de domínio, seus poderes eram sempre superiores aos dos demais Orixás.

Oxalá tinha poderes sobre a Criação.

Yemanjá, sobre a Maternidade e a Pesca.

Oxum inspirava a Concepção e a Fecundidade.

Yansã dominava dos Ventos e a Tempestade.

Xangô reinava sobre o Raio, o Trovão, a Sabedoria e a Justiça.

Oxóssi era absoluto sobre as Matas, a Caça e a Agricultura.

Ogum subordinava a Metalurgia e o Desenvolvimento Tecnológico.

Omulú prevalecia sobre a disseminação das Doenças e sua cura.

Ossaim tinha a primazia do conhecimento das ervas e da liturgia.

etc...

No contexto geral, contudo, nenhum Orixá possuia poderes maiores ou era hierárquicamente superior aos outros.

Suas forças se equivaliam, e nos embates que por vezes travavam entre sí, saia vencedor aquele que, na oportunidade, agisse com maior sagacidade rapidez ou energia, ou que soubesse obter, naqueles instantes, maior força dos elementos que dominasse.

Eventualmente podiam realizar alianças com outros Orixás que detivessem poderes de que necessitassem, em algum momento, para uma tarefa específica.

Nesse equilíbrio reside a beleza da organização do culto africano, pela interdependência que cria entre os Orixás, direcionando-os ao entrelaçamento de seus poderes para a consecussão de seus desígnios.

Assim, por exemplo, Oxalá não teria poderes maiores ou seria hierárquicamente superior a Ogum, a Oxóssi, a Oxum ou a qualquer outro Orixá, mas merece todo o respeito, por representar o chefe de família, o patriarca.

Oxalá é também o Orixá que traz consigo a memória de outros tempos, conhecendo as soluções já encontradas no passado para casos semelhantes.

Representa o conhecimento empírico, neste caso colocado acima dos conhecimentos especializados que cada Orixá representa: Ossaim, a liturgia; Oxóssi, a caça; Ogum, a metalurgia; Oxum, a fecundidade; Omulú, a medicina; Yemanjá, a maternidade; Xangô, a justiça, e assim por diante.

Dessa forma, o destaque de Oxalá sobre os demais decorre do merecimento, e não a implícita superioridade de seus poderes.




Classificação dos Orixás


ORIXÁS FUNFUNS

Os Orixás Funfuns são os seres que criaram nosso universo e, por conseqüência, a Terra.

Podemos citar alguns deles: Olorum, Aorum, Oorum, Pavenã, Aganju, Olodumarê, Afefé, Oloxum, Odudua, Tempo, Iroco, Ifá, Obatalá.

ORIXÁS DE PREDOMINÂNCIA

São aqueles que descenderam dos Orixás Funfuns e sua função era povoar o planeta, espalhando semelhantes por todo mundo.

Durante sua estadia na Terra, os Orixás tiveram muitas aventuras fantásticas, devido à sua força sobre os elementos da natureza. Muitas de suas façanhas e trapalhadas são citadas em lendas.

Após sua passagem pela Terra, os Orixás de predominância se recolheram para o Orum, exercendo a função de auxiliar seus semelhantes na Terra - a humanidade - em busca da evolução e da comunhão universal.

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Os Orixás na África


A origem familiar e tribal dos Orixás, evidentemente teve a consequência de regionalizar, por muito tempo, o seu culto.

A posição de cada Orixá era profundamente dependente da história de cada grupo familiar, do qual era protetor, e com o passar do tempo, tornou-se vinculado às regiões e cidades habitadas por esses grupos familiares.

Por esse motivo, nem todas as tribos africanas cultivavam os mesmos deuses, resultando no registro de cerca de 600 Orixás cultuados na África.

Com o passar do tempo, contudo, pela gradativa mistura entre os grupos familiares, que naturalmente se expandiam, alguns desses Orixás foram se transformando em objeto de culto mais comum e mais difundido.

Certos Orixás tinham seu culto organizado por largo território, como por exemplo, Obatalá, o Deus da Criação, e Ogum, o Deus dos ferreiros.

Outros eram cultuados apenas em algumas regiões, sendo quase ou totalmente desconhecidos em outras: Xangô, que ocupava o primeiro lugar em Oyó, era desconhecido em Ifá; Oxum, cujo culto era marcante na região de Ijexá, estava totalmente ausente em Egbá; inversamente, Yemanjá, soberana na região de Egbá, não era conhecida em Ijexá.

Eram homenageados em uma série de cultos regionais ou nacionais: Sango em Oyo, Yemoja na região de Egbá, Iyewa em Egbado, Ogun e Ekiti em Ondo, Osun em Iles, Osogbo em Ijebu Ode, Erinlé em Ilobu, Lógunnède em Iles, Otin em Inis, Osàálà-Obàtálá em Ifé, subdivididos em Osàlúfon Ifan e Òságiyan em Ejigbô

Ainda hoje os cultos africanos apresentam tais características, embora já se observe relativa homogeneidade de crenças, resultante das adaptações e amálgamas progressivos nos credos provindos de diferentes regiões.

Eram os principais:

OLORUN também chamado Olodumare: é o Deus supremo que criou as divindades ou Orixás (Oris em iorubá).

Odudua: Orixá também conhecido como criador do mundo, pai de Oranian e Iorubá.

Orixanlá ou Obatalá: o mais respeitado, o pai de quase todos orixás

Oxalá: Orixá do Branco, da paz, da fé.

Oxalufan: Qualidade de Oxalá: velho e sábio

Oxaguian: Qualidade de Oxalá: jovem e guerreiro

Xangô: Orixá do fogo e trovão, protetor da justiça.

Ogum: Orixá do ferro, das ferramentas, da guerra e do fogo.

Oxossi: Orixá da caça, dos plantios, da colheita e da fartura.

Oyá ou Iansã: Orixá, do sexo feminino dos ventos, relâmpagos, tempestades e do rio Níger.

Oxum: Orixá feminino dos rios, do ouro, do jogo de conchas e do amor.

Iemanjá: Orixá feminino dos lagos e mares. Orixá da fertilidade, mãe de muitos Orixás.

Nana ou Nhanhã: Orixá feminino dos pântanos, das águas profundas e da morte, mãe de Obaluaiê.

Obaluaiye ou Omulu: Orixá das doenças epidêmicas e pragas, Orixá da Cura.

Ibeji: Orixás gêmeos.

Exú: Orixá guardião dos templos, encruzilhadas, passagens, casas, cidades e pessoas; Senhor dos caminhos; mensageiro divino dos oráculos.

Logunedé: Orixá jovem da caça e da pesca.

Ayra: Usa branco, tem profundas ligações com Oxalá e Xangô.

Oxumaré: Orixá da chuva e do arco-íris, o proprietário da Cobra.

Ossaim: Orixá das folhas, sabe o segredo de todas elas.

Ifá: É o porta-voz de Orunmila, Orixá da Adivinhação e do destino.

Yewá: Orixá feminino do Rio Yewa.

Obá: Orixá feminino do Rio Oba, uma das esposas de Xangô.

Axabó: Orixá feminino da família de Xangô.

Irôco: Orixá da árvore sagrada, (Gameleira branca no Brasil).

Egungun: Ancestral cultuado após sua morte em Casas separadas dos Orixás.

Iyami-AJE: É a sacralização das mães, a grande mãe feiticeira.

Oranian: Orixá filho mais novo de Odudua.

Baiani: Orixá também chamado Dadá Ajaká

Olokun: Orixá divindade do mar.

Olossá: Orixá dos lagos e lagoas .

Orixá Oko: Orixá da agricultura.

Onile: o culto ao Orixá Egungun





Orixás Daomeanos


Os Orixás daomeanos eram mais frios, por serem originários de uma cultura hierarquizada, onde os deuses eram vistos de uma maneira um pouco mais ameaçadora e coercitiva.

Esses Orixás não costumavam ter o senso de humor dos Orixás iorubás, nem sua flexibilidade.

O mundo dos daomeanos é mais sóbrio, discreto, sombrio e perigoso. O sexo não tem papel predominante em suas lendas.

Assim: Nhanhã, Omulú, Elegbá.




Orixás Iorubás (Nagôs)


Os deuses iorubás manifestavam grande vitalidade, envolvendo personalidades controvertidas como Exú.

A ânsia desse povo pelo movimento e pela expansão, conduzia à existência de grande número de guerreiros entre suas tribos e, consequentemente, seus deuses refletiam essa tendência. Assim: Ogum, Yansã e Obá.

Ainda de acôrdo com a índole desse povo, os Orixás que não eram guerreiros, como Yemanjá, Oxalá, Xangô e Oxum, eram figuras maliciosas, sensuais, plenas da alegria de viver e dotadas de grande senso de humor, características inerentes à sociedade nagô.

Em contrapartida surgiam grandes paixões frequentemente de origem sexual, que davam margem aos enganos terríveis, às tragédias, à infelicidade e à emoção exacerbada.

Era uma cultura de mitos quentes, onde o amor podia levar à guerra ou à morte, assim como à utilização de estratagemas diversos e engraçados, tal como se referem as lendas relativas a Exú, Yansã e Oxum.




Os Orixás nas Américas e no Brasil


A presença das religiões africanas no Novo Mundo, foi consequência imprevista do tráfico de escravos promovido pelos primeiros colonizadores das Américas.

Os navios negreiros que por mais de 350 anos transportaram, através do Atlântico, o contingente de escravos capturados no Continente Africano, trouxeram também sua personalidade, sua maneira de ser, seus traços de comportamento, sua cultura e suas crenças.

Esses escravos, provenientes de regiões da África escalonadas descontínuadamente ao longo da costa ocidental do continente, entre a Senegâmbia e Angola, e ainda da costa oriental de Moçambique e da Ilha de São Lourenço, trouxeram para as Américas e Antilhas, seus usos e costumes.

No Brasil, o maior contingente de negros foi proveniente dos agrupamentos ou tribos Bantú, Nagô (Iorubás), e Gegê (Daomeanos) que, mantendo, cultivando e entrelaçando suas crenças particulares, nos legaram o culto aos Orixás.

Para o Brasil foi trazido o culto de aproximadamente 50 Orixás, que atualmente estão reduzidos para 16 no Candomblé (alguns tendo vários nomes e qualidades), e para 8 na Umbanda.

Esse número final não é absolutamente comprovado, refletindo, apenas, a maior frequência, porquanto existem terreiros, tanto de Candomblé como de Umbanda, onde se verifica a presença de maior número de Orixás.




As correlações dos Orixás com o mundo humano


As divindades africanas representam, estilizadamente, as relações estabelecidas na sociedade humana.

São uma espécie de codificação dos valores morais, das normas de comportamento, das relações aprovadas e sancionadas pela comunidade, e também da sabedoria, da alegria, das paixões, das emoções, dos desacertos, das frustações e das mazelas do ser humano.

Contém os padrões assumidos pela sociedade e refletem funções e atitudes.

Assim:

No que se refere às atividades: a Ogum, guerreiro, é atribuida a especialização no desenvolvimento da tecnologia e da metalurgia; a Oxóssi, cabe a caça e a agricultura, e por extensão, a alimentação; a Ossaim, se refere a liturgia e a manipulação das ervas curativas; a Omulú, se submetem a medicina, o controle sobre as doenças e o poder de curar; a Xangô, se subordina o exercício da Justiça e do poder institucionalizado; a Oxum diz respeito a fecundidade e a concepção, e a Yemanjá, concerne a maternidade e a criação da prole.

No contexto das faixas etárias: Ibeiji, representando a criança, brincalhão, arteiro, dengoso; Ogum, Oxóssi e Exu, configurando o jovem adulto, guerreiro, saudável e bem - humorado, que se relaciona intempestivamente com o sexo oposto; Xangô, reproduzindo a figura do homem maduro, cujo temperamento mais exaltado já foi aplacado pela experiência e pelo senso de justiça; Oxalá, vivenciando a figura do patriarca ancestral e venerando, o velho que já viu tudo, acumulou sabedoria e possue enorme conhecimento da História e do comportamento humano, severo, mas paciente e compreensivo.

Nas mulheres, a mesma coisa: Oxum é a jovem mãe, mulher algo adolescente, coquete, maliciosa, cheia de paixão e de busca ao prazer, impulsiva e rebelde; Yemanjá, é a mulher adulta e madura, no explendor de sua plenitude, mais cautelosa, segura de suas atitudes, protetora de sua prole; Nhanhã, a matriarca idosa, respeitável, sizuda, reflexiva, profunda.




Sincretismo


As religiões africanas sempre foram firme e decididamente combatidas pelos senhores de escravos, que, entre outras razões, justificavam a captura dos negros com a argumentação de que, escravizando-os, obtinham a oportunidade de promover sua conversão ao catolicismo, livrando- os do paganismo original e libertando-os da “idolatria pagã” que professavam.

De fato, se empenhavam nesse sentido, e, no afã de trazerem os negros para o cristianismo, os donos de escravos, estimulados pelo clero português, foram criando uma série de santos protetores para os negros, e, por extensão, para as atividades negreiras, para os comerciantes de escravos, para os navios que os transportavam, etc.

Os navios eram batizados com nomes de santos católicos, especialmente inúmeras variações do nome de Nossa Senhora, enquanto outros santos eram eleitos como protetores diversos: São José, por exemplo, era merecedor de grande devoção entre os negreiros e considerado o “protetor dos homens que se dedicavam ao tráfico de escravos”.

Os escravos passaram assim a conviver com as convicções religiosas de seus senhores, que teimavam em catequiza-los, e com as estampas e imagens que representavam os santos católicos de seus amos, embora não deixassem de professar, às ocultas, seu próprio credo.

Às ocultas, porque a prática pelos negros dos seus rituais originais era não apenas proibida, mas severamente punida pelos donos de escravos.

É dificil precisar o momento em que o sincretismo entre os deuses africanos e os santos católicos se estabeleceu, mas é muito provável que tenha se originado nas semelhanças que existiam entre eles, quer por vinculamentos mais aparentes, quer por características mais intuitivas.

Assim, embora pareça estranho à primeira vista, que Xangô, o deus do trovão, violento e viril, tenha sido associado a São Jerônimo, que na religião católica é representado por um ancião calvo e calmo, sempre inclinado sobre velhos livros, esse sincretismo deve ter-se originado no fato de São Jerônimo frequentemente ser representado acompanhado de um leão, dócilmente deitado a seus pés. Como o leão é um dos símbolos da realeza entre os nagôs, Xangô, terceiro soberano daquela nação, ter-lhe-ia sido associado.

A aproximação entre Obaluaiê e São Lázaro é mais evidente, posto que o primeiro era o deus da varíola e o segundo é representado com o corpo coberto de feridas e abcessos. Yansã, a senhora das tempestades e do relâmpago, foi sincretizada com Santa Bárbara, numa associação também evidente, porquanto a santa católica é a protetora dos raios e trovoadas.

São Jorge, que na Bahia é ligado a Oxóssi, no Sul do País encontra-se identificado com Ogum, o deus da guerra, pois o santo católico apresenta-se representado como um valente cavaleiro que, vestindo armadura guerreira, combate os dragões.

Mesmo a aproximação de Ogum a Santo Antonio, como ocorre na Bahia, é compreensível. Santo Antonio, geralmente representado com aparência suave e carregando uma flor- de-lís e o Menino-Jesús, foi também denominado o “martelador dos heréges”, por causa da violência verbal com que fustigava os maus pensadores e os monges sacrílegos.

De qualquer forma, essas associações foram a forma encontrada pelos escravos para libertarem dos recônditos mais escondidos das senzalas seus rituais religiosos próprios, bem como para escaparem à repressão de seus senhores, dissimulando diante destes a verdadeira direção de seus cultos.

Perante as imagens católicas, eles podiam dar curso aos seus cantos e preces em louvor aos Orixás, que realizavam em suas línguas de origem, enquanto afirmavam aos seus senhores, que não entendiam seu idioma, que estavam homenageando, à sua maneira, os santos do Paraíso, num expediente que lhes permitiu conservar os rituais que hoje são intensamente difundidos entres nós.

Desse modo, ao longo do tempo, a aproximação entre os santos católicos e os deuses africanos foi se tornando consolidada e é um dos motivos da eliminação de antagonismos entre essas religiões, tanto que, hoje, grande número de adeptos da Umbanda e do Candomblé, religiões de fortes raízes oriundas dos cultos africanas, também são católicos respeitosos e praticantes, sem que tal fato crie constrangimentos ou objeções.





Os Santos Católicos sincretizados com os Orixás das Religiões Afro-Brasileiras

 

 

A SINCRETIZAÇÃO

 

 

As religiões africanas que sofriam, à época da escravatura, severa perseguição e proibição por parte dos senhores de escravos, estes estimulados pelo clero português, acabaram por adotar, em seus cultos, as imagens dos santos católicos, sincretizando-os com seus Orixás.

Desse modo, frente a essas imagens adotadas, podiam professar seus cultos sem a objeção dos senhores de escravos, que supunham estarem, os negros, prestando homenagens aos respectivos Santos Católicos.

Foram as seguintes as sincretizações, que permanecem até hoje, observando-se, contudo, um Santo Católico pode ter sido sincretizados com mais de um Orixás, ou um Orixá ser sincretizado com mais de um Santo Católico.

Isso se deve ao desenvolvimento regional das religiões afro-brasileiras: cada região realizou à sua moda, essa sincretização.

Assim:            

     Nosso Senhor Jesus Cristo         sincretizado com                      Oxalá

Jesus (em hebraicoYeshua; em grego: Ἰησοῦς), também chamado Jesus de Nazaré, é a figura central do cristianismo e aquele que inspirou os ensinamentos de maior parte das denominações cristãs, além dos judeus messiânicos, que consideram ser o Filho de Deus.

O cristianismo e o judaísmo messiânico consideram Jesus como o Messias aguardado no Antigo Testamento e referem-se a ele como Jesus Cristo, um nome também usado fora do contexto cristão.

Oxalá

       Nosso Senhor do Bonfim          sincretizado com                      Oxalá

Senhor do Bonfim, segundo a devoção católica, é uma figuração de Jesus Cristo em que este é venerado na visão de sua ascensão.

O Senhor do Bonfim não é o padroeiro do estado da Bahia, mas a sua devoção (muito grande e difundida) é a principal do Estado, particularmente da cidade de Salvador. A Igreja do Senhor do Bonfim é um dos mais importantes monumentos arquitetônicos de Salvador, além de palco para uma das principais festas religiosas do lugar, que ocorre sempre no mês de janeiro.

Ele é o  padroeiro de outras localidades, como na cidade de Senhor do Bonfim, na Bahia  e a cidade mineira de Bocaiuva

Oxalá

                   São Pedro                   sincretizado com                      Xangô

São Pedro ou São Pedro Apóstolo, (em hebraico:כיפא, em grego koiné: Πέτρος, Petros),  foi um dos doze apóstolos de Jesus Cristo, segundo o Novo Testamento.

Segundo a Bíblia, seu nome original não era Pedro, mas Simão.

No Evangelho de João (João 1:42), Cristo muda seu nome para “כיפא, Kepha”  (Cefas em português), que em aramaico significa "pedra", "rocha", nome este que foi traduzido para o grego como “Πέτρος”, Petros, "Rocha" segundo a interpretação católica, e, posteriormente, passou para o latim como Petrus.

Na interpretação da Igreja Católica a razão para Jesus ter mudado o nome do apóstolo, bem como seu significado na citação bíblica, foi Cristo ter afirmado a Pedro: «Também eu te digo que tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha igreja; e as portas do Hades não prevalecerão contra ela.

Historiadores e As Igrejas Católica e Ortodoxa consideram Pedro como o primeiro bispo de Roma, e, por isso, o primeiro papa.

Ele seria, até hoje segundo o catolicismo, o detentor do mais longo pontificado da história: cerca de trinta e sete anos.

               São Jerônimo                   sincretizado com                      Xangô

Jerônimo (em latim: Eusebius Sophronius Hieronymus; em grego: Εὐσέβιος Σωφρόνιος Ἱερώνυμος), também conhecido por Jerônimo de Estridão, foi um sacerdote católico ilírio, destacado como teólogo e historiador e considerado confessor e Doutor da Igreja pela Igreja Católica.

Era filho de Eusébio, da cidade de Estridão, na fronteira entre a Dalmácia e a Panônia.

É mais conhecido por sua tradução da Bíblia para o latim (conhecida como Vulgata) e por seus comentários sobre o Evangelho dos Hebreus, mas sua lista de obras é extensa.

São Jerônimo é reconhecido como santo pelos católicos, ortodoxos e anglicanos.

               São João Batista              sincretizado com                      Xangô

São João Batista nasceu em Aim Karim, cidade de Israel que fica a 6 quilômetros do centro de Jerusalém.

Era filho de  um sacerdote do templo de Jerusalém chamado Zacarias, e de Isabel, que era prima de Maria Mãe de Jesus, e que mais tarde foi canonizada como Santa Izabel.

Em sua missão de adulto, ele pregou a conversão e o arrependimento dos pecados manifestos através do batismo.

João batizava o povo.

Daí o nome João Batista, ou seja, João, aquele que batiza.

São João Batista é muito importante no Novo Testamento, pois ele foi o precursor de Jesus, anunciou sua vinda e a salvação que o Messias traria para todos.

 João Batista era a voz que gritava no deserto e anunciava a chegada do Salvador.

Ele é também o último dos profetas.

Depois dele, não houve mais nenhum profeta em Israel.

               São Judas Tadeu              sincretizado com                      Xangô

São Judas Tadeu ou São Judas Apóstolo (em grego: Θαδδαῖος, transl. Thaddæus ou Thaddaeus em diferentes versões da Bíblia) é um santo cristão e um dos doze apóstolos de Jesus, também conhecido como Judas Lebeus e Judas, irmão de Tiago.

Ele é também conhecido como São Tadeu, e como São Matfiy (Фаддей, он же Иуда Иаковлев или Леввей, em russo) na tradição ortodoxa russa (junto com São Judas).

Ele é às vezes identificado como sendo Judas, "irmão de Jesus", mas não deve ser confundido com Judas Iscariotes, também outro apóstolo, que traiu Jesus.

A Igreja Apostólica Armênia honra Tadeu juntamente com São Bartolomeu como santo padroeiro e responsável por ter levado o Cristianismo à Arménia.

É o santo patrono das causas desesperadas e das causas perdidas na Igreja Católica Romana.

O atributo de São Judas é a maça ou o machado.

 Ele também é geralmente mostrado nos ícones com uma chama à volta da cabeça, que representa a sua presença durante o Pentecostes, quando ele recebeu o Espírito Santo junto aos Doze apóstolos.

                  São Antônio                  sincretizado com         Ogun - Omulú - Obaluiayê

Santo António ou Antônio de Lisboa, também conhecido como Santo António ou Antônio (de Pádua, de sobrenome incerto mas batizado como Fernando, foi um Doutor da Igreja que viveu na viragem dos séculos XII e XIII.  Primeiramente pertenceu à Ordem dos Cónegos Regulares da Santa Cruz, que seguiam a Regra de Santo Agostinho, depois tornou-se franciscano em 1220 e viajou muito, vivendo inicialmente em Portugal, depois na Itália e na França, retornando posteriormente à Itália, onde encerrou sua carreira.

Sua fama de santidade levou-o a ser canonizado pela Igreja Católica pouco depois de falecer, distinguindo-se como teólogo, místico, asceta e sobretudo como notável orador e grande taumaturgo.

António é também tido como um dos intelectuais mais notáveis de Portugal do período pré-universitário.

Santo António é o padroeiro da cidade de Lisboa (São Vicente é o padroeiro do Patriarcado de Lisboa), sendo também o padroeiro secundário de Portugal e da cidade italiana de Pádua.

                  São Lázaro                    sincretizado com             Omulú - Obaluiayê

Lázaro de Betânia é um personagem bíblico descrito no Evangelho segundo João. como um amigo que Jesus teria ressuscitado.

Lázaro foi discípulo e amigo pessoal de Jesus, era irmão de Marta e de Maria, seu nome vem do grego e corresponde ao hebraico Eleazar (אלעזר), e significa literalmente "Deus ajudou".

Lázaro vivia com sua família no vilarejo chamado Betânia, que ficava a menos de uma hora de caminhada de Jerusalém, em Israel.

Jesus, em suas andanças missionárias, anunciando o Reino de Deus, sempre ia se hospedar na casa de Lázaro.

Lázaro era estimado e respeitado pela comunidade hebraica, pela origem nobre, honestidade e religiosidade da família.

Lázaro foi um personagem especial na Bíblia, pois é a única pessoa por quem Jesus chora no Novo Testamento.

Lázaro adoeceu gravemente e suas irmãs Marta e Maria enviaram com urgência um mensageiro ao encontro de Jesus com a seguinte mensagem: "Aquele a quem Você ama, está doente".

Jesus, contudo, somente chegou a Betânia no quarto dia após a sua morte, e foi recebidos pelas duas irmãos que lhe disseram:  "Oh, Senhor se tivesse estado aqui não haveria morrido nosso irmão".

Jesus responde: "Eu sou a ressurreição e a Vida. Os que acreditam em Mim, não morrerão para sempre"     

Em seguida, Jesus disse: “Lázaro, eu te mando, saia! “

E Lázaro se levantou: depois de quatro dias morto, foi ressuscitado milagrosamente.

São Lázaro teve o privilégio de ter dois túmulos, pois morreu duas vezes.

Muitas vezes pensou-se que São Lázaro fosse o pobre, miserável e cheio de feridas da parábola contada por Jesus.

Por isso, na Idade Média, foi tido como o padroeiro dos leprosos.

Mas esta  associação é errada e hoje não é mais usada

                  São Jorge                      sincretizado com                  Oxóssi - Ogum

                                         

São Jorge (em grego: Άγιος Γεώργιος; transl.: Ágios Geṓrgios; em latim: Georgius), também conhecido como Jorge da Capadócia e Jorge de Lida foi, conforme a tradição, um soldado romano no exército do imperador Diocleciano, venerado como mártir cristão.

São Jorge é um dos santos mais venerados no Catolicismo, na Igreja Ortodoxa, bem como na Comunhão Anglicana.

É imortalizado na lenda em que mata o dragão.

É também um dos Catorze santos auxiliares.

É considerado como um dos mais proeminentes santos militares.

São Jorge é o santo padroeiro em diversas partes do mundo tais como: (países) Inglaterra, Portugal (orago menor), Geórgia, Lituânia, Sérvia, Montenegro, Etiópia, e (cidades) Londres, Barcelona, Génova, Régio da Calábria, Ferrara, Friburgo em Brisgóvia, Moscovo e Beirute.

No Oriente, ele é conhecido como “megalomártir”, ou seja, “grande mártir”.

Ele também é reconhecido como modelo de virgem masculino, ao lado de São João Evangelista e o próprio Jesus Cristo.

                  São José                        sincretizado com              Xangô - Exequerê

                                         

São José, José de Nazaré, José, o Carpinteiro ou São José Operário foi, segundo o Novo Testamento, o esposo da Virgem Maria e opai adotivo de Jesus.

O nome José é a versão lusófona do hebraico Yosef (יוסף), por meio do latim Iosephus.

             

Descendente da casa real de David, é venerado como Santo pelas igrejas ortodoxa, anglicana e católica, que o celebra como seu padroeiro universal.

É tido como "Padroeiro dos Trabalhadores", e, pela fidelidade a sua esposa e dedicação paternal a Jesus, como "Padroeiro das Famílias", emprestando seu nome a muitas igrejas e lugares ao redor do mundo.

O papa Pio IX declarou-o patrono e protetor da Igreja Católica, além de patrocinar os doentes e uma morte feliz, devido à crença de que ele morreu na presença de Jesus e Maria.

               São Sebastião                   sincretizado com                    Oxóssi

                                         

 

São Sebastião originário de Narbonne e cidadão de Milão, foi um mártir e santo cristão, morto durante a perseguição levada a cabo pelo imperador romano Diocleciano, no ano  de  286 DC.

O seu nome deriva do grego sebastós, que significa divino, venerável (que seguia a beatitude da cidade suprema e da glória altíssima.

Sua conduta em defesa dos prisioneiros cristãos levou o imperador a julgá-lo sumariamente como traidor, tendo ordenado a sua execução por meio de flechas (que se tornaram símbolo constante na sua iconografia).

Foi dado como morto e atirado em um rio, porém, Sebastião não havia falecido.

Encontrado e socorrido por Irene (Santa Irene), apresentou-se novamente diante de Diocleciano, que ordenou então que ele fosse espancado até a morte.

O bárbaro método de execução de São Sebastião fez dele um tema recorrente na arte medieval, surgindo geralmente representado como um jovem amarrado a uma estaca e perfurado por várias setas (flechas); três setas, uma em pala e duas em aspa, atadas por um fio, o que constituem o seu símbolo heráldico.

                   São Roque                    sincretizado com              Omulú - Obaluiayê

                                         

 

São Roque nasceu no ano de 1295, provavelmente em Montpellier, na França.

Quando ele nasceu, todos ficaram bastante surpresos por causa de uma marca em seu peito: uma cruz vermelha.

Era de família nobre, distinta e abastada. Seu nascimento foi uma grande benção de Deus. Foi fruto e resultado de muita oração.

Roque ficou órfão dos pais quando tinha entre quinze e vinte anos e herdou uma grande fortuna, porém, como cristão convicto educado por sua mãe, Roque desejava viver na pobreza, em imitação a Cristo.

Por isso, ele quis repartir todos os seus bens entre os pobres, e queria fazer isso em segredo, como disse Jesus.

A pouca idade, porém, não permitia que ele se dispusesse de seus bens.

Então, ele confiou tudo a um tio, partiu sem nada para a cidade de Roma e foi mendigando ao longo do caminho.

São Roque viveu por três anos na cidade de Roma.

Passava muito tempo em oração na tumba dos apóstolos.

Lá ele contraiu a praga e para não ocupar mais um leito no hospital, arrumou um lugar na floresta para esperar a morte.

Pela graça de Deus, ele viu nascer ali, bem perto da cabana onde vivia, uma pequena fonte de água límpida e cristalina.

Ao beber e se lavar nas águas ele sentia grande alívio em suas feridas.

Outro fato interessante foi que um cachorro o encontrou e começou a levar pão para São Roque.

O dono do cão, notando a regularidade com que o animal fazia isso, seguiu-o e encontrou o santo.

Roque ficou curado da doença e conseguiu a conversão de seu benfeitor.

Então, ele ficou um tempo em Piacenza e curava os doentes.

Viajando para a Toscana, em Aguapendente, na Itália, viu a grande mortalidade causada pela peste.

Então, pediu permissão ao administrador do hospital para assistir aos doentes, e logo que Roque se pôs entre os enfermos, cessou a epidemia em toda a cidade.

O mesmo aconteceu em Cesena e em outras localidades.

Ele curou muitos fazendo apenas o sinal da cruz.

Dizia-se que a peste fugia de Roque.

Ao retornar a Montepellier, sua terra natal, não o reconheceram e ele acabou preso.

      

Pensavam que era um espião disfarçado de peregrino, pois havia uma guerra civil.

Ele ficou na prisão por cinco anos.

No dia 16 de agosto de 1327, foi encontrado morto em sua cela e, então, realizou seu primeiro milagre depois de morto.

O carcereiro, que era manco desde o nascimento, ficou curado ao tocar o corpo de São Roque com o pé, para ver se ele estava vivo, dormindo, ou se estava morto.

Ao tirarem sua roupa para sepultá-lo, ele foi reconhecido por causa da cruz marcada em seu peito.

               São Bartolomeu                sincretizado com                    Oxumaré

                                         

 

Seu nome vem do aramaico, com uma referência patronímica: Bar Talmay - filho de Talmay.

historiadores que também mantêm uma referência patronímica, mas dá outro significado para o nome: Bar Ptolomeu - Filho de Ptolomeu.

Esta última hipótese não é inverossímil, visto que Ptolomeu (suposto pai de Bartolomeu) possuía um prenome grego, e a cultura grega tinha uma grande influência na Judeia da época e em todo território.

Nenhuma narração bíblica trata dele especialmente, e seu nome consta apenas nas listas dos doze apóstolos.

No entanto, segundo a tradição, ele é o Natanael de que falam outras passagens, e isso fica evidente através da comparação entre os quatro Evangelhos.

Natanael significa "Deus deu" - o significado desse nome fica claro levando-se em conta que ele vinha de Caná, onde deve ter testemunhado a ação de Jesus nas Bodas de Caná.

Segundo fontes históricas, São Bartolomeu teria pregado o cristianismo até na Índia.

                 São Lourenço                sincretizado com                       Tempo

                                         

 

Lourenço de Huesca ou São Lourenço (Huesca ou Valência, Hispânia, foi um mártir católico.

O cargo de diácono era de grande responsabilidade, pois consistia no cuidado dos bens da Igreja e a distribuição de esmolas aos pobres. No ano 257, o imperador romano Valeriano decretou a perseguição aos cristãos e, ao ano seguinte, foi detido e decapitado o Papa Sisto II.

Segundo as tradições, quando o Papa São Sisto se dirigia ao local da execução, São Lourenço ia junto a ele e chorava. "aonde vai sem seu diácono, meu pai?", perguntava-lhe. O Pontífice respondeu: "Não pense que te abandono, meu filho, pois dentro de três dias me seguirá".

Após a execução do Papa, o imperador ameaçou a Igreja para entregar as suas riquezas no prazo de 3 dias.

 

Passados três dias, São Lourenço levou as pessoas que foram auxiliadas pela Igreja e os fiéis cristãos diante do imperador, e exclamou a seguinte frase que lhe valeu a morte: "Estes são o património (riquezas) da Igreja".

O imperador, furioso e indignado, mandou prendê-lo, e ser queimado vivo sobre um braseiro ardente, por cima de uma grelha.

       São Cosme e São Damião          sincretizado com                       Ibeiji

                                         

 

Cosme e Damião eram médicos que curavam os enfermos não só com seu saber mas através de milagres propiciados por suas orações, e sua santidade é atribuída pelo motivo de haverem exercido a medicina sem cobrar por isso, devotados à fé.

Os gêmeos nasceram em Egeia (agora Ayas, no Golfo do İskenderun, Cilícia, Ásia Menor), e tinham outros três irmãos, e seus nomes verdadeiros eram Acta e Passio.

O pai foi mártir durante a perseguição dos cristãos na era de Diocleciano.

Quando a perseguição de Diocleciano começou, o prefeito Lísias mandou prender Cosme e Damião e ordenou-lhes que renunciassem à sua religião.

Eles se mantiveram constantes sob tortura e, segundo a lenda, não sofriam nenhum ferimento por água, fogo, ar, nem mesmo na cruz, até que foram decapitados por uma espada.

Seus três irmãos, Antimo, Leôncio e Euprepio também morreram como mártires com eles.  Sua  execução ocorreu em 27 setembro, provavelmente entre 287 e 303 d.C.

                 São Benedito                  sincretizado com                     Orunmilá

                                         

 

São Benedito, o Negro, conhecido também como São Benedito,o Mouro;  Benedito, o Africano;  Benedito de Palermo e São Benedito, é um santo católico que, segundo algumas versões de sua história, nasceu em 1524 na Sicília (Itália), em família pobre e descendente de africanos escravizados na Etiópia.

Outras versões dizem que foi um escravo capturado no norte da África, o que era muito comum no sul da Itália nesta época. Neste caso, ele seria de origem moura, e não etíope.

Era chamado pelo apelido de "mouro" devido a cor escura da pele.

Aos 18 anos de idade, já havia decidido consagrar-se ao serviço de Deus, e, aos 21, um monge dos irmãos eremitas de São Francisco de Assis chamou-o para viver entre eles.

Benedito aceitou e fez votos de pobreza, obediência e castidade, e, coerentemente, caminhava descalço pelas ruas e dormia no chão sem cobertas.

Era muito procurado pelo povo, que desejava ouvir seus conselhos e pedir-lhe orações.

Cumprindo seu voto de obediência, depois de 17 anos entre os eremitas, foi designado para ser cozinheiro no Convento dos Capuchinhos.

Sua piedade, sabedoria e santidade levaram seus irmãos de comunidade a elegê-lo Superior do Mosteiro, apesar de analfabeto e leigo, pois não havia sido ordenado sacerdote.

Seus irmãos o consideravam iluminado pelo Espírito Santo, pois fazia muitas profecias.

    

Ao terminar o tempo determinado como Superior, reassumiu com muita humildade mas com alegria suas atividades na cozinha do convento.

São Benedito morreu aos 65 anos, no dia 4 de abril de 1589, em Palermo, na Itália.

         São Francisco de Assis             sincretizado com                     Oroko

                                         

 

Giovanni di Pietro di Bernardone, mais conhecido como São Francisco de Assis, foi um frade católico da Itália.

Era filho do comerciante italiano Pietro di Bernadone dei Moriconi e sua esposa Pica Bourlemont, cuja família tinha raízes francesas. Os pais de Francisco faziam parte da burguesia da cidade de Assis, e graças a negócios bem sucedidos na Provença, França, conquistaram riqueza e bem estar.

Depois de uma juventude irrequieta e mundana, voltou-se para uma vida religiosa de completa pobreza, fundando a ordem mendicante dos Frades Menores, mais conhecidos como Franciscanos, que renovaram o Catolicismo de seu tempo.

Com o hábito da pregação itinerante, quando os religiosos de seu tempo costumavam fixar-se em mosteiros, e com sua crença de que o Evangelho devia ser seguido à risca, imitando-se a vida de Cristo, desenvolveu uma profunda identificação com os problemas de seus semelhantes e com a humanidade do próprio Cristo.

Sua atitude foi original também quando afirmou a bondade e a maravilha da Criação num tempo em que o mundo era visto como essencialmente mau, quando se dedicou aos mais pobres dos pobres, e quando amou todas as criaturas chamando-as de irmãos.

Alguns estudiosos afirmam que sua visão positiva da natureza e do homem, que impregnou a imaginação de toda a sociedade de sua época, foi uma das forças primeiras que levaram à formação da filosofia da Renascença.

                    São Tomé                      sincretizado com                     Jubiabá

                                         

 

Tomé foi um dos doze Apóstolos escolhidos por Jesus., e o acompanhou durante os anos de vida pública d Cristo.

Era judeu, da Galiléia e provavelmente pescador.

Tomé ou Tomás, significa “gêmeo”, e isto nos faz supor que ele tinha um irmão gêmeo.

Após a morte de Jesus, Tomé estava entre os Apóstolos que receberam o Espírito Santo no dia de Pentecostes.

Depois disso, sabe-se que ele foi pregar o Evangelho na Índia.

A memória de São Tomé está fortemente relacionada ao fato de ele ter duvidado de seus companheiros, quando estes lhe afirmaram terem visto Jesus ressuscitado.

Ele quis “ver para crer”.

Nesse sentido, ele representa a cada um de nós quando passamos por momentos de dúvida.

Por outro lado, sua dúvida nos ajuda a entender que Deus não rejeita a necessidade de certeza, mas elogia aqueles que “creem sem terem visto”.

Porém, que possamos nos inspirar também no seu testemunho de fé quando a verdade se apresenta.

Um fatpo interessante, mais contemporâneo, é o de. no ano de 2004 um fato mexeu com toda a região. De Malbar, na Índia:

Em dezembro desse ano, como foi noticiado, uma terrível tsunami devastou totalmente a região.

Porém, a Igreja de São Tomé onde se conversam suas relíquias, ficou intacta.

Uma tradição local conta que São Tomé fincou um poste em frente ao local onde fica a igreja, afirmando que as águas do mar jamais ultrapassariam aquela marca.

O poste se conserva até hoje e fica em frente do local onde, mais tarde, construiu-se a igreja dedicada a ele.

Por causa disso, alguns sacerdotes hindus da região decidiram não mais perseguir os cristãos do local.

São Tomé é considerado o padroeiros dos arquitetos, dos construtores e dos cegos.

            São Miguel Arcanjo               sincretizado com                   Odé - Exú

                                         

 

Os arcanjos Miguel, Gabriel e Rafael representam a mais alta hierarquia dos anjos.

Eles fazem parte do grupo dos “sete espíritos” citados no livro do Apocalipse.

Eles, atendem diretamente ao trono de Deus.

Como função, podemos dizer que eles são mensageiros dos decretos de Deus aqui neste mundo.

 

O nome Gabriel vem do Hebraico e quer dizer "Deus é meu protetor" ou, ainda, "homem de Deus", e São Gabriel Arcanjo tem como missão principal ser o anunciador das revelações de Deus.

 

O nome Rafael é a junção de duas palavras hebraicas: “Rafa”, que significa cura, e “El”, que significa Deus. Rafael, portanto, significa "Cura de Deus" ou, também, "Curador divino".

Ele é considerado o chefe dos anjos da guarda e é um dos sete espíritos que assistem mais próximos de Deus.

Também é invocado como o anjo da Providência, aquele que está sempre velando por toda a humanidade.e em sua missão está incluída a cura das feridas da alma e do corpo.

 

São Miguel é considerado o guardião celeste, o príncipe e guerreiro, que defende o trono celestial, e é o chefe supremo do exército celestial, dos anjos que são fiéis a Deus.

Ele é também o defensor e protetor do Povo de Deus e Padroeiro da Igreja Católica.

Ele é conhecido também como o Arcanjo da Justiça e Arcanjo do arrependimento.

São Miguel Arcanjo é o grande combatente e vencedor das forças do mal.

               Santa Bárbara                   sincretizada com                       Yansâ

 

                                            

Bárbara de Nicomédia foi uma virgem mártir do século III comemorada como santa cristã na Igreja Católica Romana, na Igreja Ortodoxa e na Igreja Anglicana.

Em Portugal e no Brasil, tornou-se popular a devoção à Santa Bárbara, invocada como protetora por ocasião de tempestades, raios e trovões, dando origem à expressão “Só se lembram de Santa Bárbara quando troveja”.

Santa Bárbara foi, segundo a Tradição católica, uma jovem nascida na cidade de Nicomédia, atual İzmit, Turquia , nas margens do Mar de Mármara, nos fins do século III da Era cristã.

A moça era a filha única de um rico e nobre habitante desta cidade do Império Romano chamado Dióscoro.

Por ser filha única e com receio de deixar a filha no meio da sociedade corrupta daquele tempo, Dióscoro decidiu fechá-la numa torre.

Santa Bárbara na sua solidão, tinha a mata virgem como quintal, e questionava-se se,  de fato, tudo aquilo era criação dos ídolos que aprendera a cultuar com seus tutores naquela torre.

Por ser muito bela e, acima de tudo, rica, não lhe faltavam pretendentes para casamentos, mas Bárbara não aceitava nenhum.

Desconcertado diante da cidade, Dióscoro estava convencido que as "desfeitas" da filha justificavam-se pelo fato dela ter ficado trancada muitos anos na torre.

Então, ele permitiu que ela fosse conhecer a cidade.

Durante essa visita ela teve contato com cristãos, que lhe contaram sobre os ensinamentos de Jesus sobre o mistério da união da Santíssima Trindade.

Pouco tempo depois, um padre vindo de Alexandria a batizou.

Ao saber disso, Dióscoro denunciou a própria filha ao prefeito Marciniano que a mandou torturar numa tentativa de a fazer renunciar sua fé, fato que não aconteceu.

Assim, Márcio condenou-a à morte por degolação.

Durante sua tortura em praça pública, uma jovem cristã de nome Juliana denunciou os nomes dos carrascos, e imediatamente foi presa e entregue à morte juntamente com Bárbara.

Ambas foram levadas pelas ruas de Nicomédia por entre os gritos de raiva da multidão.

        

Bárbara teve os seios cortados, depois foi conduzida para fora da cidade onde o seu próprio pai a executou, degolando-a.

Quando a cabeça de Bárbara rolou pelo chão, um imenso trovão estrondou pelos ares fazendo tremer os céus, e um raio flamejou pelos ares e atravessando o céu atingiu Dióscoro, matando-o.

Santa Bárbara passou a ser conhecida como "protetora contra os relâmpagos e tempestades" e é considerada a Padroeira dos artilheiros, dos mineiros e de todos quantos trabalham com fogo.

Santa Bárbara é frequentemente retratada com correntes em miniatura e uma torre.

Como uma das catorze santas auxiliares, Barbara continua a ser uma santa popular nos tempos modernos.

               Santa Catarina                   sincretizada com                       Yansâ

 

                                            

Mártir Santa Catarina (em grego: ἡ Ἁγία Αἰκατερίνη ἡ Μεγαλομάρτυς) é uma santa e mártir cristã que foi uma notável intelectual no início do século IV.

Catarina nasceu na cidade egípcia de Alexandria e cresceu como uma pagã, mas em sua adolescência converteu-se ao cristianismo.

Diz-se que ela visitou seu contemporâneo, o imperador romano Maximino Daia, e tentou convencê-lo do erro moral na perseguição aos cristãos., e o imperador mandou prendê-la no cárcere até que viessem os 50 maiores sábios da província de Alexandria e a humilhassem por causa da sua argumentação aparentemente simples.

Quando chegaram, os sábios riram-se do imperador por tê-los convocado para contra-argumentar com uma simples garota, porém, o imperador os advertiu que, se conseguissem convencê-la, ele os presentearia com os melhores bens do mundo; mas se não conseguissem, ele os condenaria à morte.

Catarina foi tão plenamente sábia nas suas colocações e argumentos que mesmo perante esta ameaça os sábios não conseguiram convertê-la aos ídolos: pelo contrário, vencidos pela eloquência de Catarina, converteram-se ao cristianismo.

Frustrado, o imperador mandou prender e torturar Catarina na masmorra.

Visitada na prisão pela esposa do imperador e pelo chefe de sua guarda, Catarina os converteu, fazendo o mesmo com inúmeros soldados o que enfureceu ainda mais o imperador, que mandou assassinar os sábios e sua esposa, lançou os guardas aos leões no Coliseu e condenou a Catarina à morte lenta na roda (instrumento de tortura que mutilava e causava grande sofrimento).

Diz a lenda católica que quando foram amarrar Catarina na roda, ela fez o sinal da cruz e a roda quebrou.

Nessa ocasião, apareceu-lhe o arcanjo Miguel para confortá-la e Catarina rezou suplicando que, em nome do seu martírio, Deus ouvisse as orações de todos aqueles que a ele recorressem e que tudo obtivessem por sua intercessão.

Por fim, Catarina de Alexandria morreu decapitada.

             Santa Joana D'Arc               sincretizada com                  Yansâ - Obá

 

                                            

Joana d'Arc (em francês: Jeanne d'Arc, uma heroína francesa e santa canonizada pela Igreja Católica, conhecida por seus feitos durante a Guerra dos Cem Anos., nasceu filha de Jacques d'Arc e Isabelle Romée, numa família camponesa, em Domrémy no nordeste da França.

Joana alegava receber visões divinas do arcanjo Miguel, de Santa Margarida e da Santa Catarina, que a instruíram a ajudar as forças de Carlos VII e livrar a França do domínio da Inglaterra.

O não coroado Carlos VII enviou Joana junto com um exército para tentar solucionar o Cerco de Orleães., e após apenas nove dias de ação, a batalha terminou com um resultado favorável aos franceses e Orleães foi libertada, elevando assim a reputação de Joana a condição de heroína nacional aos olhos do povo francês.

Seguiu-se uma série de vitórias militares para as forças de Carlos VII, que permitiram sua coroação como rei na Catedral de Reims e a maré da Guerra dos Cem Anos começou a virar em favor dos franceses.

Após o fracassado Cerco de Paris, contudo, a popularidade de Joana dentre a nobreza francesa despencou, e em 23 de maio de 1430, ela foi capturada em Compiègne pelos Borguinhões, um grupo de franceses que apoiavam os inglese e qie  a entregaram nas mãos do governo da Inglaterra.

Em  seu  julgamento pelo bispo Pierre Cauchon, jogando contra ela diversas acusações de cunho religioso, até declara-la culpada e sentencia-la a morte na fogueira.

Foi sido executada em 30 de maio de 1431, aos 19 anos de idade, mas sua morte, contudo, a elevou aos status de mártir e fez aumentar o fervor patriótico francês contra os ingleses.

Joana d'Arc é atualmente uma dos nove padroeiros da França.

    Nossa Senhora da Candelária       sincretizada com                    Yemanjá

 

                                            

Nossa Senhora da Candelária é uma das designações atribuídas à Virgem Maria. É a padroeira das Ilhas Canárias, venerada na Igreja Católica.

De acordo com a lenda a, uma estátua da Virgem Maria carregando uma criança em uma mão e uma vela verde no outro, foi descoberto na praia de Chimisay (Güímar) por dois pastores Guanche em 1392.

A imagem foi transferida para a Cueva de Chinguaro, que foi a sede do aborígene rei.

A Virgem da Candelária era venerada por grandes religiosos canários, como o Padre Anchieta, Pedro de Betancur e María de León Bello y Delgado.

Yemanjá

  Nossa Senhora da Conceição           sincretizada com                    Yemanjá

 

                                            

A Imaculada Conceição ou Nossa Senhora da Conceição é, segundo o dogma católico, a concepção da Virgem Maria sem mancha (em latim, macula) do pecado original.

O dogma diz que, desde o primeiro instante de sua existência, a Virgem Maria foi preservada por Deus da falta de graça santificante que aflige a humanidade, porque ela estava cheia de graça divina.

                  

 A Igreja Católica também professa que a Virgem Maria viveu uma vida completamente livre de pecado.

 A Imaculada Conceição da Virgem Maria foi solenemente definida como dogma pelo Papa Pio IX em sua bula  “Ineffabilis Deus”,  em 8 de dezembro de 1854.

A Igreja Católica considera que o dogma é apoiado pela Bíblia (por exemplo, Maria sendo cumprimentada pelo Anjo Gabriel como "cheia de graça"), bem como pelos escritos dos Padres da Igreja, como Irineu de Lyon e Ambrósio de Milão.

Uma vez que Jesus tornou-se encarnado no ventre da Virgem Maria, era necessário que ela estivesse completamente livre de pecado para poder gerar seu Filho.

  Nossa Senhora dos Navegantes       sincretizada com                    Yemanjá

 

                                            

Nossa Senhora dos Navegantes é um título dado a Mãe de Jesus, Maria.

A fé e a designação Nossa Senhora dos Navegantes têm início no século XV, com a navegação dos europeus, especialmente com os portugueses.

As pessoas que viajavam pelo mar pediam proteção à Nossa Senhora para retornarem aos seus lares, vez que  Maria era vista como protetora das tempestades e demais perigos que o mar e os rios ofereciam.

A primeira imagem foi trazida de Espanha junto com os navegadores.

Nossa Senhora dos Navegantes é também conhecida pelo nome de Nossa Senhora das Candeias, Nossa Senhora da Boa Viagem; Nossa Senhora da Boa Esperança e Nossa Senhora da Esperança.

Em Porto Alegre, cidade de colonização açoriana, Nossa Senhora dos Navegantes foi declarada a padroeira da cidade.

Todos os anos é realizada em Porto Alegre uma procissão fluvial no Rio Guaíba.

 A festa é realizada todo dia 2 de fevereiro.

       Nossa Senhora da Glória           sincretizada com                    Yemanjá

 

                                            

Nossa Senhora da Glória é o titulo que se refere a três verdades de fé professadas pela Igreja: a Dormição de Nossa Senhora, sua Assunção ao céu em corpo e alma pelo poder de Deus, e sua Glorificação como Rainha do céu e da terra. São o quarto e o quinto Mistérios Gloriosos do Terço.

A Dormição de Maria é uma verdade de fé professada pela Igreja.

Segundo a Tradição da Santa Igreja Católica Apostólica Romana: Maria faleceu por volta dos 58 anos de idade, em Jerusalém.

Após sua morte, seu corpo foi velado com grande emoção e vigílias pelos cristãos.

Vários apóstolos vieram de longe para se despedirem da mãe do Salvador.

Depois, seu corpo foi sepultado, provavelmente no Horto da Oliveiras.   

                 

A Assunção de Maria é também um dogma da Igreja Católica.e foi proclamada pelo Papa Pio XII em 1950.

No documento eclesiástico promulgado em 1 de novembro de 1950, “Festa de Todos os Santos”, o Papa Pio XII declarou como dogma revelado por Deus que “Maria, Mãe imaculada perpetuamente Virgem de Deus, após a conclusão da sua vida terrena, foi assunta em corpo e alma à glória dos Céus”.

A Glorificação de  Maria  ocorreu porque, finalmente, a Virgem Imaculada, preservada e imune de toda mancha do pecado original, quando terminada sua vida terrena, foi levada em corpo e alma à glória celestial, e exaltada pelo Senhor como Rainha de todas as coisas, de modo que ela pode ser mais plenamente conformada com seu Filho, Senhor dos senhores e vencedor do pecado e da morte. 

A Assunção da Virgem é uma participação singular na Ressurreição de Jesus e uma antecipação da ressurreição dos outros cristãos.

    Nossa Senhora das Candeias         sincretizada com                    Yemanjá - Obá

 

                                            

Nossa Senhora das Candeias é outro nome pelo qual é conhecida Nossa Senhora da Candelária.

    Nossa Senhora da Aparecida         sincretizado com                      Oxum

 

                                            

Nossa Senhora da Conceição Aparecida, popularmente chamada de Nossa Senhora Aparecida, é a padroeira do Brasil.

Venerada na Igreja Católica, Nossa Senhora Aparecida é representada por uma pequena imagem de terracota de Nossa Senhora da Imaculada Conceição, atualmente alojada na Catedral Basílica de Nossa Senhora Aparecida, localizada na cidade de Aparecida, em São Paulo.

 

Segundo os relatos, a aparição da imagem ocorreu na segunda quinzena de outubro de 1717, quando Pedro Miguel de Almeida Portugal e Vasconcelos, conde de Assumar e governante da capitania de São Paulo e Minas de Ouro, estava de passagem pela cidade de Guaratinguetá, no vale do Paraíba, durante uma viagem até Vila Rica.

O povo de Guaratinguetá decidiu fazer uma festa em homenagem à presença de Dom Pedro de Almeida e, apesar de não ser temporada de pesca, os pescadores lançaram seus barcos no Rio Paraíba do Sul com a intenção de oferecerem peixes ao conde.

Os pescadores Domingos Garcia, João Alves e Filipe Pedroso rezaram para a Virgem Maria e pediram a ajuda de Deus.

Após várias tentativas infrutíferas, desceram o curso do rio até chegarem ao Porto Itaguaçu.

Eles já estavam a desistir da pescaria quando João Alves jogou sua rede novamente, e, em vez de peixes, apanhou o corpo de uma imagem da Virgem Maria, sem a cabeça.

Ao lançar a rede novamente, apanhou a cabeça da imagem, que foi envolvida em um lenço.

Após terem recuperado as duas partes da imagem, a figura da Virgem Aparecida teria ficado tão pesada que eles não conseguiam mais movê-la.

A partir daquele momento, os três pescadores apanharam tantos peixes que se viram forçados a retornar ao porto, uma vez que o volume da pesca ameaçava afundar as embarcações.

 

Esta foi a primeira intercessão atribuída à santa.

 

Durante os quinze anos seguintes a imagem permaneceu na residência de Filipe Pedroso, onde as pessoas da vizinhança se reuniam para orar.

A devoção foi crescendo entre o povo da região e houve relatos de milagres por aqueles que oravam diante da santa.

                                     

A fama de seus poderes foi se espalhando por todas as regiões do Brasil.

                                     

Logo, já não eram somente os pescadores os que vinham rezar, mas também muitas outras pessoas das vizinhanças, e a família construiu um oratório no Porto de Itaguaçu, que logo tornou-se pequeno para abrigar tantos fiéis.

Assim, por volta de 1734, o vigário de Guaratinguetá construiu uma capela no alto do morro dos Coqueiros, aberta à visitação pública em 26 de julho de 1745.    

                                        

O número de fiéis não parava de aumentar e, em 1834, foi iniciada a construção de uma igreja maior (a atual Basílica Velha), sendo solenemente inaugurada e benzida em 8 de dezembro de 1888.

    Nossa Senhora das Cabeças           sincretizada com                      Oxum

 

                                            

Serra Morena esta localizada na Andaluzia, Espanha.

O pico mais alto desta serra é o pico da Cabeça.

La vivia um soldado das Cruzadas, Juan Alonso de Rivas, que era natural de Granada, que ficara mutilado perdendo um braço na guerra contra os muçulmanos, e por isso se tornou um pastor de ovelhas.

Juan era um devoto de Maria Santíssima e sempre quando estava trabalhando com suas ovelhas, ficava rezando e pedindo a proteção de Nossa Senhora para si e seus familiares.

No dia 12 de agosto de 1227, quando estava com seu rebanho perto do pico da Cabeça, Juan, de repente, ele viu uma grande luz e ouviu um barulho de um sininho tocando perto de onde estava.

O sininho estava encaixado em um galho de árvore e não parava de tocar.

Quando chegou mais perto, viu dentro de uma gruta que fica no cume do monte, uma imagem de Nossa Senhora.

Nesse momento, ele ouviu uma doce voz que vinha do Céu e que lhe disse que não tivesse medo, e que ele fosse até o povoado de Andujar, que fica a 18 km da Serra Morena, e falasse de sua visão.

Pediu também que Juan falasse para toda a cidade que Deus pedia a conversão de todos e que fosse construída naquele lugar uma grande igreja.

Juan, com medo que os moradores do povoado não acreditassem nele, pediu a Nossa Senhora que lhe desse um sinal.

Foi aí que aconteceu um grande milagre: por interseção de Maria Santíssima, Juan teve o seu braço refeito, aquele mesmo braço que fora arrancado na guerra.

Ele não se conteve de tanta alegria, correu para o povoado para contar a boa nova do milagre e do pedido de Nossa Senhora.

Todos ficaram maravilhados ao verem-no com o braço novamente em seu corpo e, juntamente com o vigário de Andajur correram para o pico da Serra da Cabeça para verem a imagem e venerar Nossa Senhora.

Ela passou a ser chamada ali de Nossa Senhora da Cabeça.

Trouxeram a imagem em procissão para o vilarejo, até que fosse construída a igreja que Nossa Senhora queria.

 

Em seguida, construíram um grande templo em honra a Nossa Senhora da Cabeça.

 

Toda a região se converteu e passou a peregrinar sempre para a Serra Morena.

 

Vários milagres começaram a acontecer e a nova devoção foi se espalhando por toda a região.

 

Passaram a representar a imagem da Santa segurando uma cabeça em suas mãos.

 

As pessoas passaram a pedir proteção para quem tem dores de cabeça e para os filhos que não estão bem na escola, para que Nossa Senhora da Cabeça os cure e proteja.

 

Nossa Senhora da cabeça é venerada na Catedral do Rio de Janeiro desde o ano de 1910.

      Nossa Senhora de Lourdes           sincretizada com                      Oxum

 

                                            

Nossa Senhora de Lourdes é uma das invocações marianas atribuídas à Virgem Maria e que surgiu com base nos relatos das aparições que foram presenciadas por  Bernardete Soubirous, numa gruta de Lourdes, na França.

Ocorreram no ano previsto por Nossa Senhora de La Salette, também em França, em 1846, doze anos antes, e foram reconhecidas pela Igreja Católica.

As aparições de Nossa Senhora de Lourdes começaram no dia 11 de fevereiro de 1858, quando Bernadette Soubirous, camponesa com 14 anos, foi questionada por sua mãe, pois afirmava ter visto uma "dama" na gruta de Massabielle, cerca de uma milha da cidade, enquanto ela estava recolhendo lenha com a irmã e uma amiga.

A "dama" também apareceu em outras ocasiões para Santa Bernadette.

Em uma dessas aparições, a “dama” convidou Santa Bernadette a cavar o chão e beber a água da nascente que encontrou lá.

Essa água, foi administrada em pacientes de todos os tipos, e muitas curas milagrosas foram noticiadas.

Sete dessas curas foram confirmados como desprovidas de qualquer explicação médica pelo professor Verges, em 1860.

O governo vedou a Gruta e emitiu sanções mais duras para alguém que tentasse chegar perto da área fora dos limites, e as aparições de Lourdes tornaram-se uma questão nacional na França, resultando na intervenção do imperador Napoleão III, com uma ordem para reabrir a gruta em 4 de Outubro de 1858.

A Igreja decidiu ficar completamente longe da polêmica.

Bernadette, conhecendo as localidades bem, conseguiu visitar a gruta à noite, mesmo quando vedada pelo governo.

Lá, em 25 de março, a aparição lhe disse: "Eu sou a Imaculada Conceição" ("Je suis l'Immaculée Conception.").

Em 16 de Julho, Bernadette foi pela última vez à Gruta e relatou que "Eu nunca a tinha visto tão bonita antes".

A Igreja, diante de perguntas de nível nacional, decidiu instituir uma comissão de inquérito, em 17 de Novembro de 1858., e, em 18 de Janeiro de 1860, o bispo local declarou que: "A Virgem Maria apareceu de fato a jovem Bernadette Soubirous".

Estes eventos estabeleceram o culto mariano de Lourdes, que, juntamente com Fátima e Aparecida, é um dos santuários marianos mais freqüentados no mundo.

Bernadette Soubirous foi canonizada como Santa Bernardete em 8 de dezembro de1933.

      Nossa Senhora de Nazaré             sincretizada com                      Oxum

 

                                            

Nossa Senhora de Nazaré é um dos títulos dados a Maria, mãe de Jesus.

A devoção teve início com uma famosa aparição e milagre ocorridos em Portugal e espalhou-se pelas colônias portuguesas.

No Brasil, a devoção a Nossa Senhora de Nazaré tem grande expressão em Belém (Pará) através do Círio de Nazaré, que se tornou uma das maiores procissões católicas do mundo.

      Nossa Senhora de Sant'Ana        sincretizada com              Nhanhã Burukú

 

                                            

Santa Ana ou Sant'Ana (do latim Anna, por sua vez do hebraico transliterado Hannah, "Graça") foi mãe de Maria, avó de Jesus Cristo.

Sabe-se muito pouco sobre Santa Ana.

Sabe-se que esta era mãe de Maria de Nazaré, esposa de São Joaquim e Avó de Jesus

 

Sabe-se também que esta teria após o nascimento da Virgem Maria tido mais uma ou duas filhas, pois Deus liberara após Joaquim ter ficado 40 dias no deserto.

O nome dessas filhas são: Maria Salomé e Maria de Cleofas.

A devoção aos pais de Maria é muito antiga no Oriente, onde foram cultuados desde os primeiros séculos de nossa era, atingindo sua plenitude no século VI.

Já no ocidente, o culto de Santana remonta ao século VIII, quando, no ano de 710, suas relíquias foram levadas da Terra Santa para Constantinopla, de onde foram distribuídas para muitas igrejas do ocidente, estando a maior delas na igreja de Sant’Ana, em Düren, Renânia, Alemanha.

Seu culto foi tornando-se muito popular na Idade Média, especialmente na Alemanha.

Em 1378, o Papa Urbano IV oficializou seu culto .

Em 1584, o Papa Gregório XIII fixou a data da festa de Sant’Ana em 26 de Julho, e o Papa Leão XIII a estendeu para toda a Igreja, em 1879.

        Nossa Maria Madalena              sincretizada com                     Ossanha

 

                                            

Maria Madalena (em grego: Μαρία ἡ Μαγδαληνή) é descrita no Novo Testamento como uma das seguidoras mais dedicadas de Jesus Cristo.

É considerada santa pelas diversas denominações cristãs.

“Madalena" não era o seu sobrenome, como popularmente se acredita.

No seu tempo de vida o conceito de "sobrenome" não existia entre o povo judeu.

O nome Madalena na realidade é um adjetivo que a descreve como sendo natural de Magdala, cidade localizada na costa ocidental do Mar da Galileia.

                  Nossa Clara                      sincretizada com                     Logunã

 

                                            

Clara de Assis, em italiano Santa Chiara d'Assisi, nascida Chiara d'Offreducci, foi a fundadora do ramo feminino da ordem franciscana, a chamada Ordem de Santa Clara (ou Ordem das Clarissas).

Pertencia a uma família nobre e era dotada de grande beleza.

Destacou-se desde cedo pela sua caridade e respeito para com os pequenos, tanto que, ao deparar-se com a pobreza evangélica vivida por São Francisco de Assis, foi tomada pela irresistível tendência religiosa de segui-lo,e enfrentando a oposição da família, que pretendia arranjar-lhe um casamento vantajoso, aos dezoito anos Clara abandonou o seu lar para seguir Jesus mais radicalmente.

Para isto foi ao encontro de São Francisco de Assis na Porciúncula e fundou o ramo feminino da Ordem Franciscana, também conhecido por "Damas Pobres" ou Clarissas.

Viveu na prática e no amor da mais estrita pobreza.

A Canonização de Santa Clara, foi realizada em 3 de agosto de 1255, na Catedral de Anagni, e em 14 de fevereiro de 1985 o Papa Pio XII proclamou Santa Clara como a padroeira da televisão.

                 Sara de Kali                       sincretizada com                     Egunitá

 

                                            

Algumas falam que ela seria serva e parteira auxiliar de Maria, e que Jesus, por esta tê-lo trazido ao mundo, teria uma alta estima por ela. Outras, que era serva de Maria Madalena.

Seu centro de culto é a cidade de Saintes-Maries-de-la-Mer, na França, onde ela teria chegado junto com Maria Jacobina, irmã de Maria, mãe de Jesus, Maria Salomé, mãe dos apóstolos Tiago e João, Maria Madalena, Marta, Lázaro e Maxíminio.

Eles teriam sido jogados no mar em um barco sem remos nem provisões, e Sara teria rezado e prometido que se chegassem a salvo em algum lugar ela passaria o resto de seus dias com a cabeça coberta por um lenço. Depois disso chegaram a Saintes-Maries, onde algumas lendas dizem, foram amparadas por um grupo de ciganos, razão porque Santa Sara Kali, é a santa protetora do povo cigano, foi canonizada em 1712 pela igreja católica, mas até hoje ela omite seu culto, talvez por falta de dados históricos seguros.

O termo Kali significa "a negra", porque sua pele era escura.

Seu culto está ligado ao culto das Madonas Negras e os festejos da santa ocorrem no dia 24 de maio com procissão e banhos no mar.


Os devotos buscam a obtenção das graças nos olhos da santa, pois nos olhos de Santa Sara Kali tudo está contido: a força de Deus, a força da mãe, a força do amor da irmã e da mulher, a força das mãos, a energia, o sorriso, a magia do toque e a paz.

Sincretismo - Resumo

 

  

O Culto aos Orixás

Nos tempos do início da civilização o povo africano, acreditava que forças sobrenaturais impessoais, espíritos, ou entidades estavam presentes ou corporificados em objetos e forças da natureza.

Tementes dos perigos da natureza que punham em risco constante a vida humana, perigos que eles não podiam controlar, esses antigos africanos ofereciam sacrifícios para aplacar a fúria dessas forças, doando sua própria comida como tributo que selava um pacto de submissão e proteção e que sedimentam as relações de lealdade e filiação entre os homens e os espíritos da natureza.

Muitos desses espíritos da natureza passaram a ser cultuados como divindades, e mais tarde designados como Orixás, detentores do poder de governar aspectos do mundo natural, como o trovão, o raio e a fertilidade da terra, enquanto outros foram cultuados como guardiões de montanhas, cursos d'água, árvores e florestas.

O contato entre os povos africanos, tanto em razão de intercâmbio comercial como por causa das guerras e domínio de uns sobre outros, propiciou a incorporação pelos yorubás de divindades de povos vizinhos, como os voduns dos povos fons, chamados jejes no Brasil, entre os quais se destaca Nanã, antiga divindade da terra, e Oxumarê, divindade do arco-íris.

O deus da peste, por exemplo, que recebe os nomes de Omulu, Olu Odo, Obaluaê, Ainon, Sakpatá e Xamponã ou Xapanã, resultou da fusão da devoção a inúmeros deuses cultuados em territórios yorubá, fon e nupe.

As transformações sofridas pelo deus da varíola, até sua incorporação ao panteão contemporâneo dos orixás, mostram a importância das migrações e das guerras de dominação na vida desses povos africanos e seu papel na constituição de cultos e conformação de divindades.

O culto aos Orixás, que na África estava estreitamente vinculado às origens familiares, não tem no Brasil as mesmas correlações.

O passar do tempo e o aumento do número de adeptos, não apenas entre indivíduos da raça negra, mas também entre os de origem européia e asiática, acabaram por desvincular o culto aos Orixás das tradições originais africanas.

 

Os crentes de origens não-africanas e mesmo os de antecedência negra, ligam-se presentemente, nos cultos afro-brasileiros, aos Orixás, não por laços de sangue, mas por afinidades de temperamento.

As pessoas de origem africana ou não-africana, têm em comum tendências inatas e comportamento geral que, de alguma forma, corresponde às características principais de um dos Orixás.

Essas tendências inatas, por vezes ocultas no ser humano sob a capa da conveniência de um comportamento social adequado, são-lhe, contudo, inerentes e imutáveis, e se constituem em seu arquétipo.

Examinando-se os iniciados nos rituais da Umbanda e do Candomblé, veremos que seus arquétipos possuem traços comuns com as características fundamentais de um ou mais Orixás, dos quais, o mais aproximado, é definido como seu “Orixá-de-Cabeça”. O segundo mais aproximado define-se como seu “Ajuntó”.

Assim, a vitalidade Xangô, a feminilidade elegante e coquete de Oxum, a sensualidade de Iansã, a calma benevolente de Nhanhã, a vivacidade e independência de Oxóssi, etc., encontram paralelos nos adeptos que os cultuam, e que passam a ser considerados seus “filhos”.

A Evocação dos Orixás

Os orixás podem ser evocados através de rezas (aduras), cantigas especiais (orikis), ou pelo seu nome dentro do plantel dos orixás (morunko).

Cada Orixá tem suas cores predominantes, que derivam das três cores básicas do universo, que, segundo os yorubas, são o vermelho, o preto e o branco.

As roupas rituais de cada orixá, além de todos os adereços e ferramentas que lhe são peculiares, também exibirão essas cores.

As comidas também são indispensáveis nas oferendas, variando muito de orixá para orixá.

Os Orixás no Candomblé

Os orixás podem ser evocados através de rezas (aduras), cantigas especiais (orikis), ou pelo seu nome dentro do plantel dos orixás (morunko).

Cada Orixá tem suas cores predominantes, que derivam das três cores básicas do universo, que, segundo os yorubas, são o vermelho, o preto e o branco.

As roupas rituais de cada orixá, além de todos os adereços e ferramentas que lhe são peculiares, também exibirão essas cores.

As comidas também são indispensáveis nas oferendas, variando muito de orixá para orixá.

Os Orixás na Umbanda

O planeta em que vivemos e todos os mundos dos planos materiais se mantêm vivos através do equilíbrio entre as energias da natureza.

A harmonia planetária só é possível devido a um intrincado e imenso jogo energético entre os elementos químicos que constituem estes mundos e entre cada um dos seres vivos que habitam estes planetas.

 

Um dado característico do exercício da religião de Umbanda é o uso, como fonte de trabalho, destas energias.

Vivendo no planeta Terra, o homem convive com Leis desde sua origem e evolução, Leis que mantêm a vitalidade, a criação e a transformação, dados essenciais à vida como a vemos desenvolver-se a cada segundo.

Sem essa harmonia energética o planeta entraria no caos.

O fogo, o ar, a terra e a água são os elementos primordiais que, combinados, dão origem a tudo que nossos corpos físicos sentem, assim como também são constituintes destes corpos.

Esses elementos e suas ramificações são comandados e trabalhados por Entidades Espirituais que vão desde os Elementais (espíritos em transição atuantes no grande laboratório planetário), até aos Espíritos Superiores que inspecionam, comandam e fornecem o fluido vital para o trabalho constante de criar, manter e transformar a dinâmica evolutiva da vida no Planeta Terra.

Esses espíritos de alta força vibratória são chamados de Orixás, usando um vocábulo de origem Yorubana.

Na Umbanda são tidos como os maiores responsáveis pelo equilíbrio da natureza, e entendidos como entidades dotadas de grande desenvolvimento espiritual, e por isso são denominados “Espíritos de Luz”.

São os comandantes dos grandes agrupamentos denominados “Correntes”, e dirigem as “Linhas de Trabalho”, subordinando-se ao Deus Supremo, Olódumaré.

 

 

 

 

 

Qualidades dos Orixás

 

 

Na realidade se levarmos em conta o real significado da palavra “qualidade” não usaríamos o termo correto no sentido do dicionário, porém são várias as conotações e denotações na Língua Portuguesa.

Quando os negros chegaram ao Brasil, oriundos de várias cidades e regiões africanas, trouxeram com eles várias formas de se assentar os Orixás.

Cada povo só fazia os Orixás dessa região de onde originavam.

Assim os que vieram da região do Daomé, a atual República do Benin, só faziam os Orixás Nanã, Omulú e Oxumaré.

Os oriundos de Oyo só faziam os vários Xangôs.

Os provenientes de Ketu, só faziam os Odés e assim por diante.

Ao chegar ao Brasil, esses conhecimentos, que antes faziam parte da sabedoria de uma região específica, de uma cidade ou de uma tribo, passaram a se misturar, e gradativamente se tornaram conhecimento geral.

Os Baba ou Iyà, que só sabiam fazer Xangô, por exemplo, começaram a ter acesso aos fundamentos para fazer um Oxóssi, uma Oxum, um Ogum etc., e assim por diante.

Contudo, de uma determinada região africana, que detinha o conhecimento para fazer um Oxóssi, poderia, ainda dentro dessa mesma região, haver diferentes formas e fundamentos no modo de fazer e assentar um mesmo Orixá.

Foram essas práticas que, no Brasil e também em Portugal, passaram a ser conhecidas pela denominação QUALIDADE.

 

QUALIDADE, assim, significa a variedade de formas pelas quais eram vistos os diversos Orixás, e como eram cultuados nas várias tribos, cidades e regiões Africanas.

 

 

 

 

 

 

Os Orixás e os Signos Planetários

 

 

São três os tipos de Orixás presentes em nossa vida: o de frente ou de cabeça, que corresponde ao signo solar, o ajuntó, que é o nosso ascendente, e o de herança, associado ao signo lunar.

Apesar de existirem mais de 100 Orixás, para efeito de associação com os signos, somente 16 deles ganham importância porque apresentam características semelhantes às dos planetas e estrelas do céu astral e também por causa de sua ligação com os quatro elementos básicos da natureza: Fogo (Ogum, Iansã e Xangô), Ar (Oxumaré, Logum-Edé e Exu), Água (Oxum, Obá, Nanã e Iemanjá) e Terra (Oxóssi, Ossaim, Euá, Oxalá, Iroko e Omulu ou Abaluaê).

 

Assim temos:

 

Oxalá – rege Capricórnio, Peixes e Touro. É o grande pai, o pilar da família e da sociedade. Nisso, assemelha-se a Capricórnio. É também um sábio, um curandeiro. É sensível à bebida e a outros vícios, o que o liga a Peixes. Sua analogia com Touro vem de sua sensibilidade. Corresponde aos planetas Vênus e Plutão.

 

Oxum – rege Touro e Libra. É o Orixá da fertilidade e da riqueza, símbolo também da sexualidade e, por isso, está associado ao signo de Touro. É ainda vaidoso, diplomata, tem muita ambição social, o que o aproxima das características do signo de Libra. Corresponde ao planeta Vênus.

 

Xangô – rege Leão e Sagitário. Autoritário, dominador, é um líder nato, guerreiro difícil de ser derrotado, características dos nativos de Leão. Simboliza ainda a lei e a justiça. É sociável e aproveita o melhor da vida, o que o associa ao signo de Sagitário. Corresponde ao planeta Júpiter.

 

Yemanjá e Nanã – regem Câncer. São os Orixás maternos. Protegem, dominam e amam seus filhos à toda prova. Yemanjá é fértil, sensual e muito preguiçosa. Nanã é a avó, que gosta de ser adulada, é dengosa e se magoa com facilidade. Um perfeito retrato dos cancerianos. Correspondem à Lua.

 

Oxóssi – rege Virgem, Capricórnio e Aquário. É o protetor das matas. Tem o espírito matemático e o humor instável de um virginiano. Mas é também bastante sério e responsável – coisas dos capricornianos. Apresenta ainda todo o exotismo e originalidade de Aquário. Corresponde aos planetas Saturno e Mercúrio.

 

Ogum – rege Áries. É o Orixá da guerra, que luta por sua liberdade e independência. Ativo, está sempre procurando alguma coisa para fazer ou alguém para brincar. É um tanto egoísta, instável e emotivo ao extremo. Por tudo isso está ligado ao signo de Áries. Corresponde ao planeta Marte.

 

Iansã – rege Leão, Sagitário e Aquário. Senhora dos ventos, é alegre, sociável, mas temperamental, como os leoninos. É aventureira, atrevida, impulsiva, diz o que quer e quando quer e assim se parece com Sagitário. Mas tem também o desprendimento dos aquarianos. Corresponde aos planetas Urano e Júpiter.

 

Obaluaê – rege Escorpião e Capricórnio. É o Orixá das mortes e das doenças. Insondável, tem grande força mental e é vingativo, peculiaridades dos escorpianos. Por vezes, porém, é austero e melancólico. Tem problemas de pele e de ossos, coisas típicas dos capricornianos. Corresponde ao planeta Saturno.

 

Ossaim – rege Virgem e Gêmeos. É o Orixá das ervas medicinais e está intimamente ligado à natureza. É crítico, meticuloso, o que o aproxima do signo de Virgem. Mas é também mutável, inquieto, irônico e super-inventivo que são qualidades dos geminianos. Corresponde ao planeta Mercúrio.

 

Oxumaré e Logum-Edé – regem Gêmeos. São Orixás bissexuais. Oxumaré é o arco-íris e seu temperamento é instável, varia de acordo com as circunstâncias. Logum-Edé é bom negociante, astuto, nem sempre honesto. Essas qualidades o aproximam do signo de Gêmeos. Correspondem ao planeta Mercúrio.

 

Obá – Rege Escorpião e Touro. É o Orixá das angústias, do sofrimento e da desilusão amorosa, mas também do espírito de luta, o que lembra Escorpião. É também bom companheiro, leal, e, às vezes age com ingenuidade, o que o associa a Touro. Corresponde ao planeta Saturno.

 

Exú – rege Gêmeos e Escorpião. É um Orixá comunicativo, brincalhão, cheio de truques – facetas encontradas nos nativos de Gêmeos. Mas é também violento e associado à energia sexual. Possui algo que fascina e ao mesmo tempo repele, características dos escorpianos. Corresponde ao Planeta Plutão.

 

Euá – rege Virgem. É o Orixá que representa a faixa branca do arco-íris. Mantém analogia com a pureza e a castidade. É ainda cismado, crítico feroz de si mesmo e dos outros, o que o relaciona com o signo de Virgem. Mas é também um guerreiro nato e, por essa razão, corresponde ao planeta Marte.

 

Iroko – rege Touro, Aquário e Libra. É o Orixá da obstinação e dos desejos materiais – qualidades dos nativos de Touro. Sua relação com Aquário vem do individualismo, do seu desinteresse pelos problemas alheios. É ainda associado a Libra, pela sua versatilidade. Corresponde ao planeta Vênus.

 

 

 

 

Os Grandes Orixás Planetários

 

 

Que seriam os regentes do Septenário Universal, e são:

 

Oxalá

Yemanjá

Ogum

Oxóssi

Xangô

Oxum

Omulú

 

 

 

Orixás Secundários

 

Que se subordinam aos Grande Orixás Planetários e são:

 

Iansã

Obá

Nhanhã ou Nanã

Ibeiji

Elegbá

 

 

Outros grupos de estudiosos, a cuja opinião somos particularmente favoráveis, agrupam os Orixás da seguinte forma:

 

 

 

 

Grandes Orixás

 

 

Que são os que dirigem as “Linhas de Trabalho”, ou seja, ou grandes agrupamentos de espíritos que se reúnem para trabalhar para uma mesma finalidade, sob o comando de um Líder.

Esses Grandes Orixás se subdividem em dois grupos, de acordo com as Linhas que comandam, a saber:

 

 

Linhas de Santo

 

Assim chamadas as “Correntes de Trabalho” constituidas por espíritos de grande evolução espiritual ou “Espíritos de Luz”, e que são comandadas por:

 

Oxalá

Yemanjá

Ogum

Oxóssi

Xangô

Oxum

Iansã

Nhanhã ou Nanã

 

 

 

Linhas Estranhas

 

 

Assim chamadas as “Corrente de Trabalho” formadas por espíritos de evolução algo inferior às dos “Espíritos de Luz”, e que são comandadas por:

 

Omulú, que dirige os Eguns

Elegbá, que dirige os Exús

Ibeiji, os Orixás gêmeos que dirigem os Erês

 

 

 

 

Orixás Menores

 

Que são entidades que dirigem as “Falanges”, dos quais, por serem muito numerosos, citaremos apenas:

 

Oxumaré

Ossam ou Ossaim ou Ossanha

Exequerê

Jubiabá

Orumilá

Obaluaiê

Odé

Iroko

Logunedê

Ifá

Axabó

Baiani

Olokun

Olossé

Iyami-Ajé

Onilé

Yewa

Dadá ou Xangô Dadá

Martim Pescador

Salavá

Aguará

Katende

Santo de Cobras

e muitos outros...

 

Os Orixás são, na verdade, multiformes, ou seja, são cultuados sob diferentes formas, da mesma maneira como os católicos cultuam Maria Santíssima sob diversas denominações.

Assim, por exemplo, Xangô é cultivado sob diversas denominações: Xangô- Ogodô (O Velho), Xangô-Oganjú (O Moço) e Xangô-Dadá.

Ogum também é cultuado sob pelo menos dez formas, e assim, da mesma maneira, outros Orixás.

 

 

 

 

Os Orixás Mortos

 

 

São assim considerados os Orixás que não tem mais culto, ou cujo culto esteja tão reduzido que tenha se tornado inexpressivo.

Alguns deles se transformaram em novos Orixás, enquanto que outros simplesmente desapareceram.

Entre eles: Odudua, Olocum, Xamponam, Tempó, Gunoco, Apé, Oká, Oyé, Ajê, Xalunga, Yamele, Oninde, Ená e outros.

 

Orixás de Cabeça

 

 

Orixás-de-Cabeça são aqueles que dirigem as “Linhas” a que pertencem os filhos-de-santo - nelas inscritos segundo as características de seus arquétipos - sendo responsáveis por seu encaminhamento e desenvolvimento espiritual, numa noção que parece herdada da idéia católica do Anjo da Guarda.

Cada adepto possue dois Orixás-de-Cabeça, um que é mais aparente e mais relacionado com o arquétipo individual do adepto e que pode provocar os fenômenos da possessão e da incorporação, e outro que é mais acalmado e menos interveniente, e que é chamado de “Ajuntó”.

Ambos influenciam o comportamento individual, e o caráter diferenciado de cada pessoa é resultante da maneira pela qual a combinação e equilíbrio entre esses dois elementos condutores de sua personalidade se estabelecem.

 

 

 

 

 

Os Filhos dos Orixás

 

 

Quando um espírito tem a oportunidade de reencarnar, é porque ele possua um carma, que deve ser resgatado.

A natureza desse carma determina por qual Orixá esse novo encarnado será assistido, já que cada Orixá tem suas predominâncias e detém os conhecimentos adequados para lidar com as dificuldades de um setor específico da vida, e sobrepuja-las.

O uso de uma palavra que significa “dono da cabeça” (ORI-XÁ) mostra a relação existente entre o mundo e o indivíduo, entre o ambiente e os seres que nele habitam.

Nossos corpos têm, em sua constituição, todos os elementos naturais em diferentes proporções.

Além dos espíritos amigos que se empenham em nossa vigilância e auxílio morais, contamos com um espírito da natureza, um Orixá pessoal que cuida do equilíbrio energético, físico e emocional de nossos corpos físicos.

Nós, seres espirituais manifestando-se em corpos físicos, somos influenciados pela ação dessas energias desde o momento do nascimento.

Quando nossa personalidade nesta existência começa a ser definida, uma das energias elementais predomina – e é a que vai definir, de alguma forma, nosso "arquétipo".

Ao Regente dessa energia predominante, definida no nosso nascimento, denominamos de nosso Orixá pessoal, "Chefe de Cabeça", "Pai ou Mãe de Cabeça", ou o nome esotérico "ELEDÁ".

A forma como nosso corpo reage às diversas situações durante esta encarnação, tanto física quanto emocionalmente, está ligada ao “arquétipo”, ou à personalidade e características emocionais que conhecemos através das lendas africanas sobre os Orixás.

Junto a essa energia predominante, duas outras se colocam como secundárias, que na Umbanda denominamos de "Juntós", corruptela de "Adjuntó", palavra latina que significa auxiliar, ou ainda, chamamos de "OSSI" e "OTUM", respectivamente na sua ordem de influência.

Quando um espírito vai encarnar, são consultados os futuros pais, durante o sono, quanto à concordância em gerar um filho, obedecendo-se à lei do livre arbítrio.

Tendo os mesmos concordado, começa o trabalho de plasmar a forma que esse espírito usará no veículo físico.

Esta tarefa é entregue aos poderosos Espíritos da Natureza, sendo que um deles assume a responsabilidade dessa tarefa, fornecendo a essa forma as energias necessárias para que o feto se desenvolva, para que haja vida.

A partir desse processo, o novo ser encarnado estará ligado diretamente àquela vibração original.

Assim surge o ELEDÁ desse novo ser encarnado, que é a força energética primária e atuante do nascimento.

Nesse período, os Elementais trabalham incessantemente, cada um na sua respectiva área, partindo do embrião até formar todas as camadas materiais do corpo humano, que são moldadas até nascer o novo ser com o seu duplo etéreo e corpo denso.

Após o nascimento, essa força energética vai promovendo o domínio gradativo da consciência da alma e da força do espírito sobre a forma material até que seja adquirida sua personalidade por meio da Lei do livre Arbítrio.

A partir daí essa energia passa a atuar de forma mais discreta, obedecendo a esta Lei, sustentando-lhe, contudo, a forma e energia material pela contínua manutenção e transformação, no sentido de manter-lhe a existência.

É importante compreender que os Orixás não vivem, e nem mesmo direcionam a vida de ninguém: seu auxílio se concretiza sob a forma de ensinamentos e proteção, sempre respeitando o livre arbítrio de cada um. Dessa forma, sem que haja julgamento prévio, todos recebem a oportunidade de resgatarem suas faltas, ou seja, seu carma, através da reencarnação.

A cada reencarnação, de acordo com nossas necessidades evolutivas e carmas a serem cumpridos, somos responsáveis por diferentes corpos, e para cada um destes nossos corpos, podemos contar com o auxílio de um Espírito da Natureza, um Orixá protetor.

Em todos os rituais de Umbanda, de modo especial nas Iniciações, a invocação dessa força é feita para todos os médiuns quando efetuam seus Assentamentos, meio de atração, para perto de si, da energia pura do seu ELEDÁ energético e das energias auxiliares, ou "OSSI" e "OTUM.

Eledá, Ossi e Otum formam a Tríade do Coronário do médium na Umbanda.

 

 

 

 

 

 As Afinidades dos Filhos dos Orixás

 

 

Os filhos de fé não recebem influências apenas de um ou dois orixás.

Da mesma forma que nós não ficamos presos à educação e à orientação de um pai espiritual, não ficamos também sob a tutela de nosso orixá de frente ou adjunto.

Freqüentemente recebemos influências de outros orixás (como se fossem professores, avós, tios, amigos mais próximos na vida material).

O fato de recebermos estas influências, não quer dizer que somos filhos ou afilhados desses orixás; trata-se apenas de uma afinidade espiritual.  

                                                                                                                   

Podemos ser filho de Ogum e receber mais influências de Xangô ou de Iansã.

Podemos ser filhos de Obaluiyê e não gostar de trabalhar com entidades que lhe dizem respeito (linha das almas), frerindo trabalhar com as entidades das cachoeiras.

O importante é que nos momentos mais decisivos de nossas vidas, suas influências benéficas se façam presentes, quase sempre uma soma de valores e não apenas e individualmente, a característica de um único Orixá.

 

 

 

Elementos Primordiais dos Orixás

Olódumaré

Olódumaré ou Olorum é o Deus Supremo, a Força Inicial, a Perfeição Absoluta, o Onisciente e o Onipresente, o Deus de todos os homens de de todas as Religiões.

É Aquele que está em toda a parte e em todo lugar ao mesmo tempo, O que tudo vê e tudo dispõe. toda a espécie de vida.

 

É a emanação de toda a energia, o início de todas as coisas, a origem de Reina acima dos Orixás, e sua progênie é duvidosa.

Paira acima das contingências humanas de justiça e de moral, e nenhum culto específico lhe é destinado, mesmo porque Ele criou os Orixás para serem seus representantes, governarem e supervisionarem o Mundo e para receberem, em seu nome, as preces e cultos de seus filhos.

Pela Sua Infinita Dimensão, Olódumaré não necessita de oferendas, sacrifícios ou homenagem, bastando-lhe o respeito de seus filhos.

É um Deus distante, e está fóra da compreensão da mente humana, na medida em que apenas aqueles que possuem elevado nivel de evolução espiritual detém o suficiente poder de abstração necessário à compreensão, ainda que imperfeita, do Absoluto.

Essa definição, que se reconhece imprecisa e insuficiente, é uma tentativa de elaborar um raciocínio que defina o sistema que centraliza o que era diverso e harmoniza o que era incompatível entre os Orixás oriundos de horizontes muito diferentes.

Admitindo-se a existência de um Deus Supremo, e se ficarmos acima das sutilezas particulares de cada Orixá, todos igualmente poderosos, parece ser possível organizar um sistema em que cada Orixá se torna um arquétipo de atividade, profissão ou função, complementando os demais, de forma a que, todos em conjunto, representem a somatória das forças que regem o Mundo. Olódumaré habita o Além, o Orum, na linguagem nagô, e que é traduzido, geral e usualmente, por “Céu”.

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