Xangôs do Nordeste

Em todo o Nordeste, da Paraíba à Bahia, a influência dos Yorubas prevalece sobre os do Daomé.

Esta é a região onde mais proliferaram às religiões tradicionais africanas, e a que deu lugar a maior número de pesquisas e de trabalhos sobre os nagôs.

Além de cultuar os orixás de origem iorubá, há ainda um grande sincretismo com os aspectos e santos da igreja católica.

Nessa região são praticados o Xangô , na Paraíba, Pernambuco, Alagoas, Sergipe, e do Candomblé, da Bahia para o sul.

Essa dualidade de nomenclatura não foi introduzida pelos negros, mas sim pelos brancos em virtude da popularidade e importância de Xangô nessa região, e Candomblé por designar toda dança dos negros, tanto profanas como religiosas.

O Xangô é colocado como uma religião sacrificial, pois também adota o “sacrifício” dos animais em homenagem as divindades.

No campo religioso afro-brasileiro, os terreiros Nagôs mais antigos e tradicionais da Bahia foram considerados, tanto por pais-de-santo como por pesquisadores da área acadêmica, como mais puros ou autênticos e sua “nação” como mais preservada e/ou organizada.

A partir do que foi convencionado na Bahia como “nagô puro”, têm sido avaliados terreiros nagô de outros estados das mais diversas denominações: Candomblé, Xangô, Mina, Batuque e outras.

Outras  unidades  de  Xangô  são  conhecidas  por  seguir  as  tradições umbandizadas.

 

Xangô do Nordeste, Xangô de Pernambuco, Xangô do Recife, Xangô do Norte e Nagô Egbá, são os nomes dado aos cultos afros no Recife, Alagoas e Paraíba.

Esses nomes foram atribuídos aos cultos pelos brancos: Xangô pela importância e notoriedade do Orixá, e Candomblé comjo referência à dança realizada pelos povos negros.

Xangô é o nome mais empregado em Pernambuco, Paraíba, Sergipe e Alagoas, enquanto que Candomblé prevalece na Bahia.

Em todo o Nordeste, da Paraíba à Bahia, a influencia Iorubá (Nagõs) prevaleceu sobre a do Daomé.

Enquanto o Candomblé da Bahia se manteve severo na manutenção dos preceitos básicos do culto, os Xangôs do Nordeste admitiram certas evoluções em seus costumes, absorvendo práticas rituais do Candomblé.

Basicamente, nos dias atuais, seus cerimoniais pouco diferem daqueles praticados pelo Candomblé.

Tal como no Candomblé, mantém a concepção de que o mundo espiritual não está tão afastado do mundo material nem num plano tão superior, podendo ser realizado o entendimento entre os seres humanos e as entidades.

Por esse motivo, o crente pode conversar diretamente com seus Orixás, através do fenômeno da incorporação.

Nos terreiros de Xangô é comum verificar-se a incorporação simultânea de Orixás, Mestres de Catimbó e Mestres dos Caboclos, num exemplo da harmonia existente entre os diversos cultos professados no Nordeste do Brasil.

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