Oxóssi

PERFIL

 

 

Oxóssi é filho de Oxalá e Yemanjá, e irmão de Ogum.

É o Orixá masculino responsável pela caça, atividade fundamental pra a sobrevivência na antiga África.

É o protetor das matas, dos animais das florestas e dos caçadores.

É tradicionalmente associado à Lua, e, por conseguinte, à noite, melhor momento para a caçada.

 

Habita a floresta e com ela se identifica, convivendo produtivamente com a mata.

Oxóssi é, portanto, um Orixá que vive ao ar livre e está sempre longe de um lar organizado e estável.

É Orixá da saúde, da energia ligada à saúde, na nutrição, da farmacopéia, da prosperidade. É o caçador do Axé.

Tem personalidade forte, determinada e empreendedora, partilhando com Ogum os mesmos conceitos de liberdade e independência.

Sua responsabilidade é a preservação da vida animal, ainda que admita sua caça quando destinada a prover a alimentação, sendo, contudo, absolutamente contrário à matança injustificada.

Sem colidir com Ogum, patrono da agricultura, atribue-se à Oxóssi o poder sobre as colheitas, por se tratar da atividade que, historicamente, substituiu a caça como forma de subsistência.

Veste-se de verde, azul-turquesa e vermelho.

 

 

 

MITOLOGIA

 

Conta a lenda que os antigos iorubás antes de iniciarem a colheita do inhame-vegetal que compunha seu sistema alimentar - faziam uma festa que se destinava a agradecer aos deuses pela possibilidade de uma boa safra.

Durante uma dessas celebrações apareceu um pássaro gigantesco que havia sido enviado pelas Eléyes, feiticeiras locais que se utilizavam de aves para a realização de seus nefastos trabalhos.

Diante da possibilidade de verem prejudicadas suas comemorações e, em consequência, diminuídas suas chances de uma colheita farta, os nagôs trataram de trazer vários caçadores famosos para matar o pássaro.

Sucessivamente apresentaram-se Oxotogum, o caçador das vinte flechas, oriundo de Idô; Oxotogí, o caçador das quarenta flechas, originário de Moré; e Oxotadotá, o caçador das cinquenta flechas, proveniente de Ilarê, mas, esgotados seus projéteis, nenhum deles conseguiu derrotar o pássaro.

Finalmente, apresentou-se Oxotokansoxô, que vinha de Keto, e possuía uma única flecha, mas cuja mãe, espertamente, havia consultado um babalaô e, seguindo suas instruções, havia feito uma oferenda às feiticeiras.

A oferenda relaxou o encanto que protegia o pássaro, e quando Oxotokansoxô lançou sua única flecha, ela cravou-se no peito da ave, matando-a.

Havia sido eliminado o mau presságio e o povo entoou cantos e gritos em louvor ao caçador, chamado-o de “Oxówussi”, que, em nagô, significa “o que é popular”.

Com o tempo, “Oxówussi” transformou-se em “Oxóosi” e, finalmente, em “Oxóssi”.

Outra lenda conta:

Num dia em que voltava da batalha, Ogun encontrou o irmão temeroso e sem reação, cercado de inimigos que já tinham destruído quase toda a aldeia e que estavam prestes a atingir sua família e tomar suas terras.

Ogun vinha cansado de outra guerra, mas ficou irado e sedento de vingança.

Procurou dentro de si mais forças para continuar lutando e partiu na direção dos inimigos, e com sua espada de ferro pelejou até o amanhecer.

Quando por fim venceu os invasores, sentou-se com o irmão e o tranquilizou com sua proteção, assegurando-lhe que sempre que houvesse necessidade ele iria até seu encontro para auxiliá-lo.

Ogun então ensinou Oxóssi a caçar, a abrir caminhos pela floresta e matas cerradas.

Ogun ensinou Oxóssi a defender-se por si próprio e ensinou Oxóssi a cuidar da sua gente.

 

Agora Ogun podia voltar tranquilo para a guerra.

Ogun fez de Oxóssi o provedor.

 

 

 

 

 

 OXÓSSI NA ÁFRICA

 

 

Oxóssi era o Deus dos caçadores, e revestia-se de muita importância nos cultos africanos, por vários motivos:

O primeiro era de ordem material, pois protegendo os caçadores, ele garantia a eficácia de suas expedições e a abundância da caça, indispensável para a alimentação do povo.

O segundo, de ordem médica, uma vez que os caçadores, que passavam grande parte do tempo nas florestas, aprendiam com Ossanha, a divindade das folhas ligada a Oxóssi, os segredos das ervas e de suas propriedades.

O terceito dizia respeito à ordem social, porquanto eram os caçadores que, durante suas expedições, descobriam novos locais favoráveis à instalação de uma nova roça ou um novo vilarejo.

E, o quarto e último, de ordem administrativa e de segurança, uma vez que, antigamente, os caçadores eram os únicos a possuirem armas, e por isso encarregavam-se, também, das funções de guardas e vigias.

Oxóssi era o Deus das Florestas. O caçador, o médico, o químico.

Um Orixá com íntima ligação com as matas, seus animais e toda a espécie de vida orgânica fora das águas.

Era um Orixá valente e empreendedor, e mensageiro dos deuses, pela faculdade que ele e os membros de sua Linha possuem de atrair os fluidos de todos os Orixás, adaptando-se com facilidade a todos eles.

 

 

 

OXÓSSI NO BRASIL

 

 

O principal trabalho de Oxóssi na Umbanda é proteger o terreiro e os filhos- de-santo dos ataques das correntes negativas, e atuar no nivelamento das vibrações mediúnicas.

Oxóssi representa o equilíbrio das forças ante a magia e a demanda, por ser a força cósmica da natureza que comanda a mente, através da ação das ervas de defumação e dos banhos de ervas, práticas que favorecem o equilíbrio mediúnico e purificam a aura, facilitando a incorporação mediúnica.

Oxóssi administra, portanto, a preparação dos banhos aromáticos e dos preparados de ervas destinados às curas, razão porque mantém estreita ligação com Ossanha (ou Ossaim), a divindade das plantas medicinais e das folhas, de quem obtém as ervas curativas das matas.

Oxóssi cataliza uma energia astral que exerce influência sobre os jovens, por ser a juventude uma fase de luta e preparação para o futuro.

Oxóssi favorece as amizades, a saúde, as plantações, as aves, os animais, e tem influência nas comunicações, nos estudos, nos escritos, nas mensagens telepáticas, nos transportes mediúnicos e nas vidências.

As entidades de sua Linha manifestam-se na Umbanda sob a forma de caboclos e índios, ocupando-se, principalmente, das tarefas de limpeza e equilíbrio de fluidos.

Na Bahia, Oxóssi encontra-se sincretizado com São Jorge, enquanto que no Sul, é associado a São Sebastião.

Sua festa se realiza no dia 20 de janeiro, dia de São Sebastião, e seu dia da semana é a terça-feira.

 

 

 

ARQUÉTIPO

 

 

O arquétipo de Oxóssi é o das pessoas espertas, rápidas, sempre alertas e em constante movimento.

São pessoas cheias de iniciativa e sempre em vias de novas descobertas ou de novas atividades.

Têm o senso de responsabilidade e dos cuidados para com a família, e são generosas e hospitaleiras.

São amigas da ordem, mas gostam muito de mudar de residência e achar novos meios de existência, em detrimento, algumas, vezes, de uma vida doméstica harmoniosa e calma.

 

 

 

 

 

REGÊNCIA

 

 

Orixá masculino, regente da linha do conhecimento.

Oxóssi envolve o conhecimento, estratégias e a confiança.

Seu ponto de força são as matas

RESUMO

©2020 by Sylvio Pires Gachido. Todos os diretos reservados. WebDesigner Adriana Cruz