Oxalá

PERFIL

 

 

Oxalá é uma criação da cultura iorubá (nagô), uma vez que a sociedade daomeana, baseada do matriarcalismo, não possuía uma grande figura masculina que ocupasse o posto de patriarca.

No culto daomeano o Orixá soberano era uma Iyabá, Nanã-Burukú, entidade que foi desalojada de sua condição de principal Orixá e substituída por Oxalá, quando da dominação do Daomé pelos Iorubás.

Como resultado dessa dominação, houve perda de poderes de Nanã para o Orixa Iorubá, e Oxalá foi introduzido como patriarca em suas lendas.

Oxalá, filho do Deus Supremo, Olórum ou Olódumaré, é o Orixá que tem poderes sobre a Criação, humana, vegetal ou animal.

Representa o Céu, o princípio de tudo, o Pai.

É o princípio gerador e potencial, o responsável pela existência de todos os seres entre o Céu e a Terra, entre o Orun e o Ayé.

É considerado o Pai de todos os orixás. É o mais velho e o primeiro a ser criado.

É responsável pela criação do mundo e dos seres humanos.

É o Orixá dos inhames novos e da agricultura, que traz as chuvas e que fecunda os campos.

Sua festa, ligada ao início do ano agrícola costuma ser em agosto e setembro, e inclui a renovação da água do templo e a lavagem dos objetos de culto.

Está associado à justiça e ao equilíbrio.

É cultuado nas seguintes formas: Oxalufã = Oxalá Velho e Oxaguiã = Oxalá Moço.

Sua cor é o branco, símbolo da pureza e cor que, no espectro, é a somatória de todas as outras cores.

 

 

 

MITOLOGIA

 

Conta a história nagô que Oxalá foi criado por Olódumaré e dele recebeu a missão de criar o Mundo, sendo-lhe dado o poder de sugerir e realizar.

Para esse encargo, recebeu o “Saco da Criação”, o “Apoiwa”, uma sacola fechada contendo as forças mágicas que, quando libertadas, teriam o poder de alterar tudo o que existia, dando às coisas um sentido absolutamente diverso.

 

Pondo-se a caminho, apoiado em um cajado de estanho, Oxalá ao ultrapassar a porta do Orun, que era a fronteira de passagem para o Ayé, encontrou-se com Exú, guardião dessa ligação, e a quem se recusou a fazer as oferendas de praxe.

Exú, descontente, vingou-se, fazendo Oxalá sentir imensa sede, que o Orixá mitigou furando com seu cajado o tronco de um dendezeiro e bebendo o líquido de escorreu, o vinho de palma.

Tanto bebeu que acabou por adormecer, embriagado, disso se aproveitando Odudua, seu irmão, que lhe roubou o “Saco da Criação” e foi ao encontro de Olodumaré a quem mostrou o uqe tinha achado e relatou o estado em que se encontrava Oxalá.

Olodumaré, então, transferiu a incumbência a Odudua, que riou o Mundo antes que Oxalá despertasse: aberta a sacola, as forças liberadas por Odudua reagruparam os elementos e criaram a Terra.

Esse deslize valeu a Oxalá a reprimenda de Olódumaré e um castigo, representado pela proibição, para sempre, de voltar a beber o vinho de palma ou de usar o azeite-de- dendê, ambos oriundos do dendezeiro, “ehôs” (probições) que até hoje prevalecem para os filhos-de- santo desse Orixá.

Arrependido, Oxalá se penitenciou perante Olorum e dele recebeu e nova missão: a de modelar no barro os corpos dos seres humanos.

Por ter recebido esse encargo Oxalá se tornou conhecido como o “Deus da Criação”, sendo às vezes, errôneamente, confundido com o próprio Olódumaré.

Oxalá, contudo, não levou muito a sério a proibição de Olódumaré, e vez por outra, tornava a beber o vinho de palma, e, nas oportunidades em que se excedia, modelava imperfeitamente suas criações, que saiam contrafeitas, deformadas, capengas ou corcundas. Outras vezes, retiradas do forno antes da hora, saiam malcozidas e suas cores eram tristemente pálidas: eram os albinos.

Por isso, todas as pessoas enquadradas nessas tristes categorias são-lhe consagradas.

 

Mais tarde Oxalá tornar-se-ia o Rei do Igbós, povo habitante do lugar que posteriormente se transformaria na cidade de Ifé, tida como berço na civilização iorubá e do resto do mundo, enquanto que Odudua tornava-se o Rei do Mundo, face a posse do “Saco da Criação”.

Durante seu reinado, Oxalá foi deposto por Odudua, que à frente de um poderoso exército o combateu e destronou, usurpando-lhe o reino.

Nessa história reside um arquétipo consagrado pela cultura iorubá e que é frequentemente encontrado em nossa civilização: o da competição entre irmãos, que se tornam inimigos.

 

Oxalá é, entre os Orixás, aquele sobre o qual repousa a aura de maior austeridade no plano amoroso.

Ao contrário de outros Orixás, masculinos e femininos, relativamente instáveis em seus relacionamentos, ele teve, segundo algumas correntes, apenas uma esposa, Yemanjá, embora alguns pesquisadores afirmem ter sido Nanã-Burukú sua primeira consorte e Yemanjá, a segunda.

Oxalá, por ser o Deus da Criação, por sua missão de modelar os homens, é considerado o responsável direto pelo processo de fecundação.

 

 

 

 

 

 OXALÁ NA ÁFRICA

 

 

Oxalá, ou Orixalá, ou Obatalá, ou Orinsalá, ocupava a posição única e inconteste do mais importante e do mais elevado dos deuses dos nagôs (iorubás).

Foi o primeiro Orixá a ser criado por Olódumaré e era cultuado pelos negros africanos sob dezenas de formas.

Oxalá, tendo Yemanjá como esposa, foi pai de quase todos os Orixás do panteão nagô.

E, segundo algumas correntes, foi também pai de três Orixás daomeanos, Iroko, Oxumaré e Obaluaiê, em seu casamento com Nanã-Burukú.

 

 

 

OXALÁ NO BRASIL

 

 

No Brasil, Oxalá, sem dúvida é considerado o maior de todos os Orixás.

É o mais venerável e o mais venerado, tendo sido associado com Nosso Senhor Jesus Cristo.

 

Essa associação se deve, certamente, mais a fatores geográficos do que a semelhanças de caráter ou de fundamento mitológico.

Tem origem, provavelmente, porque Oxalá, velho deus africano, vivia no Monte Okê, e era chamado de “O Velhão”. Na Bahia, a Igreja do Senhor do Bonfim, dedicada a Nosso Senhor Jesus Cristo, situa-se no alto de uma colina.

Essa semelhança de moradas deve ter sido a origem desse sincretismo que associou Oxalá a Jesus Cristo, numa vinculação que se tornou permanente e plenamente aceita, ao ponto de a Igreja do Bonfim ser referida, no Candomblé, como o “Laçatê do Vovô”, ou seja, a “Casa do Vovô”.

Oxalá é o dirigente das Correntes que atuam nas mais altas e puras linhas de vibração da Umbanda, e representa a pura espiritualidade e a Paz Universal.

Seus fluidos atingem o aspecto interior e exterior dos seres e das coisas, e sua missão é a de aperfeiçoar, incentivando os seres ao progresso, à evolução, à busca da perfeição.

Sua potência vibratória cataliza e envia para a Terra os fluidos de todos os Orixás, sendo de sua responsabilidade as obras e os trabalhos de luz, e os assuntos espirituais.

Seus adeptos usam colares de contas brancas leitosas e vestem-se, geralmente, de branco, hábito que se estendeu a todas as pessoas vinculadas à Umbanda, especialmente, e ao Candomblé.

Em alguns terreiros, sexta-feira é o dia dedicado a Oxalá, enquanto que em outros, é adotado o domingo e em outros ainda, a segunda-feira.

 

 

 

ARQUÉTIPO

 

 

O arquétipo da personalidade dos devotos de Oxalá é aquele das pessoas calmas e dignas de confiança, respeitáveis e reservadas, dotadas de força de vontade inquebrantável, que nada pode influenciar.

 

Em nenhuma circunstância essas pessoas modificam seus planos e projetos, mesmo a despeito de opiniões contrárias, racionais, que as alertem para os perigos resultantes de seus atos.

São idealistas e defendem os injustiçados, tendo a intuição do futuro.

Seu pensamento é frequentemente original, antecipado à sua época, e são dotados de mentes brilhantes e grande facilidade de argumentação.

 

 

 

 

 

REGÊNCIA

 

 

Orixá masculino, regente da linha da fé.

 

Oxalá envolve a fé como um todo, sem distinção de religião. Seu ponto de força são os campos.

RESUMO

Diz-se na Bahia, que existem dezesseis Oxalás, sendo os mais invocados, Oxalufan e Oxaguian.

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