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Os ritos funerários no Candomblé são basicamente dois: o “Axexê” e o “Mão de Vumbi”.

 

AXEXÉ

 

 

O Axexê tem como objetivo liberar a alma do morto da matéria, para que ela atravesse facilmente a separação entre o mundo físico e o mundo espiritual.

O ritual começa logo após o enterro e pode durar de três a sete dias, numa sucessão de diversas cerimônias.

Os participantes devem cobrir a cabeça com “ojás” - faixas de pano - brancos e usar pulseiras ou tiaras feitas com palha-da-costa, os “contra-eguns”, como proteção contra os Eguns.

O primeiro ritual é o “Padê a Exú”, seguindo-se a saudação à Oxóssi, na sua condição de ancestral mítico e caçador de almas, e depois aos demais Orixás.

No decorrer da cerimônia são trazidos os objetos pertencentes ao morto, e partindo-se um “obí” - espécie de nóz - realiza-se uma consulta a ele sobre o destino a ser dado àquele material, que a seguir é todo quebrado, cortando o vínculo do espírito, já Egun, com o mundo terreno.

O material, acrescido dos “contra-eguns” usados pelos participantes é envolto, formando um pacote - chamado “erú” e considerado potencialmente perigoso - que é depositado no local indicado pela consulta ao “obí”, sempre fora do recinto do culto, mas no interior do terreiro.

Essa cerimônia não tem a participação dos Orixás, nem o fenômeno da incorporação, já que lida basicamente com Eguns.

O único Orixá que eventualmente pode se manifestar é Iansã, considerada aquela que tem o poder de dominar os Eguns.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

MÃO DE VUMBI - 1

 

O cerimonial, que é executado imediatamente após o Axexê, consiste na reunião da comunidade para “despachar”, quase sempre o mar, os pertences do falecido.

Nessa oportunidade são recitados cânticos adequados para desliga-lo da comunidade.

 

 

O espírito do falecido, graças ao Axexê, já fazia parte do Orum. Seu Axé integra-se, agora, ao Axé do terreiro.

Em seguida, como o terreiro não é de propriedade do babalorixá, no caso de ser ele o morto objeto da cerimônia, mas sim das entidades, serão consultados os buzios para que seja indicado o novo sacerdote-chefe.

 

 

 

MÃO DE VUMBI - 2

 

 

A retirada da “Mão-de-Vumbi” refere-se à morte de um babalorixá ou de um de seus auxiliares diretos, seja homem ou mulher.

A cerimônia denominada “Mão de Vumbi” ou “Mão de Nvumbe” ou “tirar mão de Vumbi, Maku Nvumbi”, significa fazer uma cerimônia para tirar das pessoas que ele iniciou, sua mão, ou seja, sua influência, removendo os vínculos que ainda persistam entre o falecido e a pessoas ou pessoas em questão.e visando a libertação dos médiuns.

Quando uma pessoa é iniciada por um pai ou mãe-de-santo, passa a ter um vínculo espiritual: a mão da pessoa em sua cabeça, a mão que transmitiu o axé, e, quando o pai ou mãe-de-santo morre é necessário tirar a mão do morto.

Essa cerimônia é feita por outro pai ou mãe-de-santo escolhido pela pessoa.

Lembrando que tudo é um receptáculo de forças, ou seja, uma combinação de vários axés, com muito mais razão o será um ser humano.

A intensidade dessas forças será mais considerável quando o falecido houver sido um sacerdote ou sacerdotisa, e estarão ligados a esse seu “Axé” pessoal aqueles a quem ele iniciou, seus objetos rituais, e até mesmo as entidades particulares da Casa.

Essa cerimônia é feita após um ano do Ntambi (cerimônia fúnebre).

Cerimônia que é realizada nas pessoas que foram iniciadas pela pessoa que morreu, ou seja: tirar a mão do morto.

A cerimônia remove da pessoa em questão as vibrações daquele que foi seu iniciador e que faleceu, e as transfere para seu sucessor no terreiro, isso no caso da pessoa optar por permanecer na mesma casa ou terreiro.

Optando a pessoa por deixar a casa ou terreiro, a cerimônia a a ser realizada é a “Mão de Lefe”.

 

 

 

MÃO DE LEFE

 

 

Se o médium teve problemas com o terreiro ou seu responsável e resolve frequentar outro lugar, ele terá que fazer o Ritual de “Mão de Lefé”, que é a retirada das vibrações/ligações do antigo terreiro bem como do responsável dos rituais antigos que foram executados.

É um ritual profundo de libertação e todo médium de fato e de direito deve agilizar o mais rápido possível para que as energias astrais fluam na mais perfeita harmonia.

Há casos de Terreiros que quando ocorre morte dos responsáveis, bem como o fechamento definitivo da Casa de santo, alguns médiuns, por consideração ou homenagem ao Pai ou Mãe de Santo não realizam tal ritual, mas podem acontecer alguns problemas e é aconselhável reafirmar a responsabilidade da coroa ao próprio astral pessoal.

A não realização da “Mão de Lefe” por pessoas que se desligaram de suas antigas casas e jamais realizaram estes procedimentos, pode lhes acarretar uma série de problemas mediúnicos, inclusive afastamento provisório ou permanente de algumas entidades.

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