Umbanda

A Umbanda é uma religião brasileira nascida no Rio de Janeiro, nos anos 20, da mistura de crenças e rituais africanos e europeus.

As raízes umbandistas encontram-se em duas religiões trazidas da África pelos escravos: a Cabula, dos bantos, e o Candomblé, na nação nagô.

A Umbanda considera o universo povoado de entidades espirituais, os guias, que entram em contato com os homens por intermédio de um iniciado (o médium), que os incorpora.

Tais guias se apresentam por meio de figuras como o caboclo, o preto- velho, o exú, a pomba-gira, etc.

Os elementos africanos misturam-se ao catolicismo, criando a identificação de orixás com santos.

Outra influência é o espiritismo kardecista, de origem francesa, que acredita na possibilidade de contato entre vivos e mortos e na evolução espiritual após sucessivas vidas na Terra. Incorpora ainda ritos indígenas e práticas mágicas europeias.

Surgimento da Umbanda


Em fins de 1908, uma tradicional família da cidade de Neves, no Estado do Rio de Janeiro, teve um de seus membros, o jovem Zélio Fernandes de Morais, acometido por inesperada paralisia.

Não obstante o esforço de inúmeros médicos consultados, o rapaz não conseguia levantar-se do leito, até que, certo dia, sofreu a incorporação de uma entidade que anunciou seu restabelecimento para o dia seguinte.

De fato, no dia imediato, curou-se totalmente a misteriosa doença, e, levantando-se do leito, recuperou Zélio suas atividades normais.

Não logrando explicação médica ou lógica para o fato, terminou a família por conduzir o rapaz à Federação Espírita de Niteroi onde, convidado para participar de uma sessão, recebeu novamente o jovem Zélio a incorporação daquela entidade, que se identificou como o Caboclo das Sete Encruzilhadas.

Os presentes à sessão, todos kardecistas, contestaram essa afirmação e não permitiram que a entidade apresentasse sua mensagem que, de antemão, consideravam inválida, por vir de um espírito que classificaram como “atrasado e ignorante”. A isso respondeu o Caboclo que, dado não lhe ser permitido manifestar-se naquela comunidade, pela qual não se via aceito, passaria a apresentar-se na casa do jovem Zélio, onde daria início a um novo culto onde espíritos como ele, índios, negros e outros, poderiam dar mensagens e cumprir as missões espirituais de que haviam sido encarregados.

E assim foi: a 16 de novembro de 1908, na Rua Floriano Peixoto, n°. 30, na cidade de Neves-RJ, manifestou-se novamente o Caboclo das Sete Encruzilhadas, declarando que, naquele instante, se iniciava um novo culto, que se denominaria “Aun Bandhã” - “Aun”, significando alta espiritualidade, e “Bandhã”, que significava movimento incessante - , nome esse que, mais tarde, foi aportuguesado e transformou-se em Umbanda.

A Casa que então se fundava recebeu o nome de Tenda de Nossa Senhora da Piedade, e o Caboclo das Sete Encruzilhadas, após ditar as normas para seu funcionamento, passou à parte prática, dando consultas aos presentes e procedendo a inúmeras curas.

Nos dias seguintes, verdadeira romaria afluiu à casa dos Morais, atraída pelas curas proporcionadas pelo Caboclo das Sete Encruzilhadas, que então já se fazia acompanhar por um preto velho chamado Pai Antonio, com quem se revesava nas incorporações permitidas pelo jovem Zélio.

Estava fundada a Umbanda no Brasil, e o dia 15 de novembro, data da primeira manifestação do Caboclo das Sete Encruzilhadas foi adotado como Dia Nacional da Umbanda no Brasil.

Dez anos mais tarde, por determinação do Caboclo das Sete Encruzilhadas, que permanecia à frente dos trabalhos, a primitiva Tenda de Nossa Senhora da Piedade dava origem a sete novas Casas que, por sua vez, deram origem a dezenas de outras.

Em 1939, ainda por determinação do Caboclo das Sete Encruzilhadas, fundava-se a União Espírita de Umbanda do Brasil, destinada a congregar os templos umbandísticos que já então existiam, e que deveria ser o núcleo central da orientação do culto, tendo sido adotado o uniforme branco para todos os praticantes, numa demonstração de igualdade de classes e da simplicidade de rituais adotados.

De lá para cá, multiplicaram-se as Tendas, que hoje se constituem em centenas ou milhares, e congregam milhões de adeptos.

Zélio Fernandino de Moraes dedicou 66 anos de sua vida à Umbanda, tendo retornado ao plano espiritual em 03 de outubro de 1975, com a certeza de missão cumprida.




Origens


A Umbanda, muito mais que uma religião é, na verdade, a expressão maior de uma filosofia de vida, razão pela qual pode conviver pacíficamente e sem contenda com todas as demais crenças religiosas.

Contráriamente a muitas afirmações, a Umbanda não é o resultado de uma dissensão católica, nem se constitue num sub-ramo do Candomblé ou do Kardecismo, originando-se, na verdade, dos antigos rituais professados pelos indígenas brasileiros.

Farta documentação comprova que suas origens remontam aos antigos Catimbós indígenas, aos quais se foram juntando elementos nagôs - como a nomenclatura das comidas, bebidas, objetos, oferendas, etc. - e o culto aos Orixás. Do Catolicismo ela incorporou os princípios cristãos de caridade e amor ao próximo, e do Kardecismo, os conceitos básicos da reincarnação, da evolução espiritual e, especialmente, a prática do exercício mediúnico.

Essa peculiaríssima mistura resultou no culto que é considerado como “a primeira religião brasileira” e que, por não fazer distinção de classes e posições sociais, de raças ou de formação cultural e religiosa de seus membros, vem arregimentando, a cada dia, maior número de adeptos.

A Umbanda, abstraindo-se dela a nomenclatura nagô, identifica-se com todas as grandes religiões: das antigas religiões egípcias ao hinduísmo védico; do panteão celta ao taoísmo chinês; do budismo ao catolicismo.

É verdade que se pode argumentar com a tese de identidade arquétipica, teoria pela qual, independentemente de contatos, a humanidade partilha de idéias básicas, mas tal teoria poderá explicar fragmentos da fundamentação da Umbanda, não o seu todo.

Sua prática encontra acolhida universal, na medida em que se observa capacidade mediúnica em todos os tipos de humanos: do indígena brasileiro ao japonês; do negro ao eslavo; do europeu ao sul-americano.

Os princípios da Umbanda são universais e sua prática, embora restrita ao território brasileiro, é baseada na idéia fundamental de auxílio aos fiéis, na prática da caridade, na busca da paz interior e geral, e na procura de maior evolução e elevação espiritual dos homens, de forma que não contradiz os princípios de qualquer das outras religiões.

A influência africana na Umbanda foi interpretada como um "mal necessário" que apenas serviu para explicar sua chegada e desenvolvimento no Brasil.

O "branqueamento" das origens da Umbanda foi expresso em termos como "umbanda pura", "umbanda limpa", "umbanda branca" e "umbanda de linha branca" no sentido de "magia branca".

Estes termos contrastavam com "magia negra" e "linha negra" associados com o mal. Além disso, uma divisão de espíritos foi estabelecida entre os "da direita", o bem, e os "da esquerda", o mal.

A única instância de identificação positiva com a influência africana na Umbanda relacionava-se com os Pretos Velhos e com o continente africano ser reconhecido como um continente heroico e sofredor.

Irrompida a público há pouco mais de meio século, a Umbanda, a religião de “todas as classes”, abre possibilidades desconhecidas, e só o futuro apresentará os frutos de sua prática.

A Umbanda pode ter várias vertentes com práticas diversas, nomeadas de diferentes formas como Umbanda Tradicional, Primado de Umbanda, Umbanda de Nação ou Umbanda Mista, Umbandomblé, Umbanda Esotérica, Umbanda Astrológica, Umbanda Sagrada, Umbanda da Magia Divina, Umbanda Omolocô, Umbanda Crística, etc.

Essas diferentes vertentes partilham o culto a entidades ancestrais e a espíritos associados a divindades diversas, que podem pertencer ao Catolicismo, a cultos africanos, hindus, árabes entre outros.

Apesar de diferentes vertentes existem alguns conceitos encontrados que são comuns a todas, sendo estes:

A crença em um Deus Único e Onipresente, chamado Olorum ou Zambi.

A crença nas Divindades ou Orixás.

A crença na existência de Guias ou entidades espirituais.

A crença imortalidade da alma.

A crença nos antepassados A crença na reencarnação.

A crença na existência da Lei de Causa e Efeito pela qual os umbandistas pagam o Bem recebido com o bem e o Mal com a justiça divina.

Também se fundamentam na obediência aos ensinamentos básicos dos valores humanos, como a fraternidade, a caridade e o respeito ao próximo.

Além desses preceitos também estão a necessidade da prática mediúnica como por exemplo servindo de "aparelho" (o medium) para viabilizar a comunicação entre espíritos e orixás com os seres humanos.




Os Fundamentos da Umbanda


Tal como ocorre no Candomblé, face a existência de um grande número de Casas de Culto, os rituais da Umbanda tem diferenças, variando conforme a orientação imprimida aos trabalhos por cada Casa ou Tenda, mas certos princípios básicos são comuns a todas as comunidades umbandísticas: a crença em um Deus Único e Criador; a crença na existência de um septenário de Deuses emanados do Primeiro Princípio, que são os Orixás; a crença nos conceitos da reencarnação e da evolução espiritual; a crença na existência do fenômeno da mediunidade e sua prática.

Também é comum a todas as Casas de Culto a estrutura básica dos rituais, e, ao contrário do Candomblé, onde os cultos são marcados por extensa variedade de cerimoniais, longos e pré-estabelecidos, a Umbanda prima pela simplicidade e singeleza de seus ritos.

Na Umbanda, o cerimonial limita-se à récita de algumas orações, a que se seguem alguns poucos cânticos, aos quais raramente se juntam os atabaques, seguindo-se, sem maiores rituais, os fenômenos de incorporação ou outro tipo de trabalho que esteja determinado.

No aspecto do direcionamento espiritual, na Umbanda, ao contrário do Candomblé, a gestão da Casa é diretamente entregue às entidades que se manifestam no pai ou mãe- de-santo, a estes cabendo apenas a orientação e a administração material da Casa, que geralmente operam ouvindo o conselho de outros membros graduados da comunidade.

No sentido filosófico ou religioso, a Umbanda busca alcançar o aprimoramento de seus adeptos, encaminhando-os na direção de atingirem um maior grau de evolução espiritual, nesse princípio residindo a base de todas as suas atividades.

Propugna ainda a Umbanda obter a Paz: a Paz interior de cada um de seus seguidores; a Paz para a comunidade; a Paz para o País; a Paz Geral para toda a humanidade; a Paz Universal. Por isso, difere fundamentalmente do Candomblé, uma vez que seus rituais não se destinam própriamente a cultuar os Orixás, mas sim deles obter as informações, os conselhos e a orientação para que possam ser alcançados seus objetivos principais: o desenvolvimento espiritual e a paz da humanidade.

É evidente que há na Umbanda o intrínseco respeito pelos Orixás, que são devidamente homenageados e a quem se fazem oferendas e sacrifícios, porém o fundamento do culto encontra-se, principalmente, voltado para o aprimoramento dos fiéis e não direcionado para o simples cultivo dessas entidades.

Por esse motivo dedica-se a Umbanda, através da manifestação das entidades que comparecem aos trabalhos, à orientação dos fiéis, aconselhando-os à prática dos princípios cristãos de fraternidade e amor ao próximo, bem como procura auxilia-los na solução de seus problemas para que, libertos de maiores preocupações e constrangimentos materiais, possam os praticantes se ocuparem de atividades mais elevadas que os conduzirão ao maior aprimoramento espiritual.

Assim como no Candomblé, buscam os adeptos da Umbanda a proteção dos Orixás, mas, enquanto naquele essa proteção é consequência direta do trabalho exercido - segundo a filosofia daquele culto -, nesta, o alcance dessa proteção é proporcional ao merecimento de cada um, não apenas pelo trabalho exercido, mas pelo conjunto de atitudes, pensamentos e colocações que assumem, não sómente dentro das sessões, mas também em sua vida normal.

Portanto, a Umbanda acredita:

Na existência de uma fonte criadora universal, um Deus Supremo, Único, Onipotente e Onisciente, criador de todas as coisas, irrepresentável sob qualquer forma.

Em Entidades Espirituais, em plano superior de evolução, que não necessitam de novas reencarnações, responsáveis pela organização dos mundos e dos seres que neles habitam. São os Orixás, Santos, Chefes de Linhas e Falanges, executores diretos da Vontade Divina. Os Orixás são manifestações divinas, e cada um deles controla e se confunde com um elemento da natureza do planeta ou da própria personalidade humana, em suas necessidades e construções de vida e sobrevivência.

Em Guias Espirituais e Protetores, Sábios, poderosos e bondosos, porém necessitados ainda de reencarnações para seu aperfeiçoamento. São mensageiros dos Orixás e Santos;

Em Seres da Natureza e suas energias cósmicas que, manipulados com sabedoria e bondade, sob a forma de magia, auxiliam a peregrinação do homem;

Na imortalidade do espírito, sobrevivendo á morte física, a caminho da evolução; Na reencarnação, possibilitando o aprendizado e aprimoramento do Espírito;

Na Lei do Carma, instituindo que cada ação gera uma reação; Na necessidade do ritual como elemento mágico e disciplinador;

Na prática da mediunidade, sob as mais variadas modalidades, com o objetivo de caridade material e espiritual;

No mediunismo como forma de contato entre o mundo físico e o espiritual, manifesta de diferentes formas;

Na obediência aos ensinamentos básicos dos valores humanos, como: fraternidade, caridade e respeito ao próximo. Sendo a caridade uma máxima encontrada em todas as manifestações existentes;

No respeito às demais religiões, porque todas constituem caminhos de progresso espiritual que conduzem a Deus.





As entidades da Umbanda

O comando de toda Tenda de Umbanda é, como já referido, sempre confiado às entidades espirituais que se manifestam, subordinando-se estas à liderança do espírito que incorpora no pai ou mãe-de-santo.

Essas entidades obedecem a uma hierarquia, ocupando o topo da escala, em nível de igual poder de autoridade, os Caboclos, os Pretos Velhos e os Erês (Crianças).

A superposição de uma dessas falanges sobre as demais no comando do trabalho desenvolvido pela Casa decorre da maior afinidade que tenha o pai ou mãe-de-santo com uma das três, cujo guia passa a ser o líder e o conselheiro, regendo a manifestação das demais entidades.

Por esse motivo observa-se variação no comando e mesmo no tipo de atividade desenvolvida pelas entidades nas diversas casas, verificando-se que em alguns terreiros o comando maior é exercido por um caboclo, enquanto em outros o comando é detido por um preto-velho, e, em outros ainda, embora com menor frequência, a direção é exercida por um Erê.

As entidades que se manifestam na Umbanda, e que se ocupam de atividades de trabalho útil, exercendo a função de mensageiros dos Orixás, constituem-se em espíritos que, após longo ciclo de reencarnações, adquiriram mérito espiritual para, deixando de voltar ao mundo com um corpo, poderem continuar seu processo de evolução espiritual ajudando a humanidade por meio de comunicações e trabalho, quer através de atuação via fenômenos de incorporação, quer através de atuação exclusivamente no plano espiritual.

A referência a “atividades de trabalho útil” considera o fato de que, durante as sessões de Umbanda, em determinadas circunstâncias, ocorre a manifestação de entidades estranhas aos trabalhos, habitualmente espíritos carentes, não suficientemente iluminados e na maior parte das vezes imersos em sofrimento, que se aproximam, voluntariamente ou por intermédio da gestão das correntes espirituais participantes, para que possam receber orientação e encaminhamento, de forma a melhorar sua posição no astral. Nessas circunstâncias, sua manifestação não pode ser inserida naquela classificação.

É fato sabido que apenas uma pequeníssima parte dos espíritos componentes de uma Corrente de Umbanda participa do fenômeno de incorporação, podendo, ser identificada pelos adeptos. A maior parte desse contingente, composto por milhares de entidades, permanece em atividade espiritual no plano astral, cada qual respondendo pela execução de uma tarefa específica que lhe é confiada.

Nos fenômenos de incorporação, para encontrarem maior facilidade de comunicação com os homens, as entidades que se manifestam assumem características pelas quais sejam facilmente identificáveis com os aspectos da vida terrena, em formas correlacionadas com a vida humana.

Dessa maneira, entidades que se apresentam como pretos-velhos, índios, caboclos, boiadeiros, etc., não foram, necessariamente, tais figuras em sua última encarnação, apresentando-se nessas identidades como recurso ideoplástico destinado a permitir-lhes maior integração e proximidade com os consulentes.

De fato, pode-se relacionar facilmente as características básicas dessas correntes de trabalho com as características do ser humano, e com a natureza do trabalho que exercem no decorrer de uma sessão.

Os Erês (crianças alegres e brincalhonas), os Caboclos (fortes e vigorosos) e os Pretos-Velhos (sábios e pacientes), por exemplo, relacionam-se perfeitamente com as principais faixas etárias do homem: a infância, a idade adulta e a velhice, num paralelo de semelhanças e comportamento que facilita a aproximação entre aquelas entidades e o homem.

Da mesma forma as demais correntes atuantes congregam entidades que se apresentam com formas diversas, porém sempre, de alguma forma, estreitamente relacionadas com o cotidiano humano.

Por essas razões a grande penetração da Umbanda entre a população, a qual é devida, mais do que à compreensão de suas finalidades e objetivos, ao trabalho desenvolvido pelas entidades que se manifestam e que atuam entre seus seguidores sem qualquer postura hierárquica ou de prepotência, garantindo, dessa forma, o respeito e o acolhimento aos conselhos ministrados.

 

Essas entidades são chamados de "espíritos de luz" porque trabalham para o bem, e são organizadas e linhas e falanges (legiões) de uma forma quase militar.

 

Cada linha está sob a direção de uma deidade africana ou Orixá ou Orisha e, embora os nomes e configurações exatas variem dentro da Umbanda, eles são em sua maioria compostos a partir de divisões étnicas, como, por exemplo: "Povo de Moçambique", "Legião de Tupi- Guarani".

 

Em geral, os espíritos nos rituais da Umbanda se enquadram nas seguintes categorias:

Caboclos - espíritos indígenas, como o Sete Encruzilhadas

Pretos Velhos - os espíritos de velhos escravos brasileiros

Exus - mensageiros dos orixás; entidades mais próximas dos humanos, protegendo as suas estradas, caminhos. Praticam unicamente o bem. Se vierem para o mal, não são Exus, nem Umbanda.

Pombas Giras - entidades da linha da esquerda com hierarquia própria, erroneamente colocadas como femininas de Exu.

Erês ou Crianças.

Existem, também os espíritos banidos da Umbanda que são entidades que trabalham para o lado obscuro, dentro da Quiumbanda, um tipo de oposto negativo da Umbanda.

Caboblos na Umbanda


Os caboclos na Umbanda são uma linha de entidades dentro desta religião.

Evoluídos e sérios, guerreiros e enérgicos, são procurados principalmente pelos seus conselhos sensatos e pelos seus passes poderosos.

São entidades tipicamente brasileiras, buscando resgatar os valores de nossa terra antes que fosse culturalmente modificada pelo homem branco.

Os caboclos como entidades da Umbanda, representam a força indígena, a ligação com a Natureza, a saúde mental e espiritual, a humildade, a sabedoria e o trato com as ervas medicinais.




Pretos Velhos na Umbanda


Os pretos velhos vibram em uma frequência mais alta e, por isso, cuidam de assuntos mais energéticos como saúde, bem-estar, carmas.

Geralmente a entidade da Mãe ou Pai de Santo que coordena o terreiro é um preto velho ou um caboclo.

O preto velho representa a paciência, a humildade, a perseverança, o perdão e a busca pela saúde física.

Ótimos conselheiros, são acolhedores e amorosos. Representam o espírito dos escravos da Colônia.




Erês na Umbanda


Os erês vibram na frequência da alma e cuidam principalmente da nossa felicidade e dos nossos grandes sonhos.

São almas que desencarnaram muito cedo e por isso mantém o espírito brincalhão. Gostam de brincar e de comer guloseimas quando vêm ao terreiro.

Alegram e contagiam com sua pureza e inocência, e podem surpreender no tocante às graças que conseguem alcançar com sua fé.




Exús na Umbanda


Os espíritos que ainda estão muito próximos da matéria têm afinidade com a falange dos Exus, que são os grandes mensageiros da Umbanda, já que estão mais próximos dos homens.

Os exus como entidades da Umbanda, podem ser homens ou mulheres. Quando homens, podem usar capas e tridentes.

Quando mulheres, são chamados de Pombas-giras, com suas saias rodadas, suas flores e suas risadas contagiantes.

Por isso, tem mais facilidade de entender necessidades humanas como o amor, o sexo, o dinheiro. Não se deve confundir o Exu com o Diabo.

O Exu é um mensageiro. Exus não fazem trabalho para o mal. Quem faz isso são Eguns zombeteiros que se dizem Exus





Os Rituais na Umbanda

Os rituais da Umbanda visam evocar o Orixá ancestral e toda sua hierarquia composta por Orixás menores, Guias e Protetores.

Os rituais não têm forma ou modo definido de modo que variam de casa para casa e estão subordinados às decisões de cada Pai-de-santo e de cada entidade protetora do terreiro.

O local onde se dá as celebrações e o atendimento do público é geralmente uma casa denominada por tenda que contém um terreiro e um salão apropriado para sessões.

 

Os rituais da Umbanda seguem a simplicidade de todos seus demais aspectos.

 

Nunca foi permitido sacrifícios de animais.

Não utiliza atabaques ou quaisquer outros objetos e adereços.

Contudo, em algumas das Tendas fundadas pelo Caboclo das Sete Encruzilhadas os atabaques, com o passar do tempo, começaram a ser usados.

Todos os membros se vestem de branco, numa forma de demonstrar a pureza de suas intenções e numa maneira de patentear a igualdade de posições independentemente da situação social dos praticantes.

Os trabalhos se iniciam geralmente com uma prece, que tanto pode ser de origem católica ou kardecista, ou com um cântico, denominado “ponto cantado”, geralmente em homenagem a Oxalá, representando todos os Orixás. Em seguida, é feita a abertura dos trabalhos, com o canto apropriado, seguindo-se os despachos e oferendas a Exú, que são feitos de forma bastante singela e rápida, objetivando garantir proteção e segurança para o terreiro e para os trabalhos. O passo seguinte é a realização da defumação dos participantes, inclusive da assistência, no intuito de obter o nivelamento vibratório indispensável à harmonia da sessão.

Seguem-se alguns poucos e rápidos cânticos de chamamento das correntes de trabalho. Esses cantos destinam-se ao estabelecimento de “mantras” que facilitam a concentração dos médiuns, agindo ainda como catalizadores da atenção da platéia.

Tem então lugar as “giras” de passes, consultas e limpeza, tal como esteja determinado pela sequência ritual adotada pela Casa, antes e ao fim de cada qual são entoados os cânticos correspondentes às falanges ou entidades designadas para cada etapa específica.

Ao final, é feito o encerramento, que compreende o canto do ponto adequado e a récita da prece final que, a exemplo da de abertura, geralmente é uma oração católica ou kardecista, agora de agradecimento pelos trabalhos realizados e pelos ensinamentos recebidos.

Terminologia dos rituais na Umbanda

Abó 

Banho de odor desagradável, em cuja composição entram várias ervas.

Abrir a Gira

Iniciar uma sessão ou uma cerimônia em que haverá formação de corrente vibratória.

Amací 

Banho de ervas, feito para lavar a cabeça.

Amalá

Comida que se dá aos Orixás.

Atabaque

Tambor usado para acentuar o ritmo dos pontos.

Baixar

Possuir por parte do orixá ou entidade, o corpo de um filho ou filha de santo.

Banda

Lugar de origem de entidade.

Bater cabeça

É como é chamado o ato de prostração, a reverência dada ao chefe do terreiro, por exemplo. O contexto desse gesto varia de terreiro para terreiro, sendo unânime que seja feito antes da defumação.

Batismo

Como ocorre em muitas outras religiões, só pode ser realizado por líderes religiosos, no caso o Babalorixá ou Iyalorixá.

Burro ou Cavalo

Termo usado pelos exús incorporados para designar o médium.

Calunga Grande

Mar; oceano.

Calunga Pequena

Cemitério.

Cambone ou cambono

Auxiliar ou assistente do Orixá.

Carregado

Cheio de maus fluídos.

Cazuá

Terreiro, Templo, Local.

Dar firmeza ao Terreiro

Riscar ponto na porteira, sob o altar, defumar, cantar pontos, etc. São feitas antes de uma sessão, para afastar ou impedir a entrada de más influências espirituais.

Dar passagem

Ato do orixá ou guia deixar o médium para que outra entidade nele se incorpore.

Dar passes

Até da entidade, através do médium incorporado, emitir vibrações que anulem as más influências sofridas pelos clientes, através de feitiço, olho gordo, inveja, etc. E que abrem os caminhos.

Defumação

É usada para purificar o ambiente, através do seu aroma desfaz no ambiente todo o negativo expulsando os espíritos trevosos.

Descarregar

Livrar alguém de vibrações maléficas ou negativas.

Descarrego

Nome dado a rituais para limpeza espiritual ou livrar-se de cargas negativas, podem ser banhos com ervas especiais como a guiné, a arruda, a espada-de-ogun, o alecrim, etc ou rituais como a Roda de Fogo em que se usa pólvora que é incendiada.

Descer

Ato de orixá ou entidade incorporar.

Desencarnar

Ato do espírito da pessoa deixar o corpo: morrer.

Descarga

Ação de afastar do corpo de alguém ou de um ambiente, vibrações negativas ou maléficas por meio de banhos, passes, defumação, queima ou pólvora.

Despachar

Colocar, arriar em local determinado pelos orixás ou entidades, as guias, ou os restos de oferendas.

Despachar Exu

Enviar a exu por meio de oferendas (de bebidas, comidas, cânticos e sacrifício animal), para impedir de perturbar a cerimônia.

Despacho

Oferenda feita a exu com a finalidade de enviá-lo como mensageiro aos orixás e de conseguir sua boa vontade, para que a cerimônia a ser feita, não seja perturbada. Oferta feita por terreiros de Quimbanda com a finalidade de pedir o mal para alguém, geralmente colocado em encruzilhada.

Desenvolvimento

Aprendizado dos iniciados para melhoria de sua capacidade mediúnica; com a finalidade de incorporação de entidades.

Ebó

Presente, oferenda.

Encarnação

Ato de vir um espírito à vida terrestre, tomando um corpo, ou voltar num corpo novo e continuar sua evolução espiritual.

Encosto

Espírito de pessoas mortas, que se junta a uma pessoa viva, conscientemente ou não, prejudicando-a com suas vibrações negativas.

Encruza

Local onde habitam os exus; é o cruzamento dos caminhos, vias férreas, ruas, etc.

Encruza

Ritual realizado pelo dirigente espiritual antes do início das sessões e que consiste em traçar cruzes com pemba na testa, nuca, no peito, nas costas, na palma das mãos e na sola dos pés.

Engira

O mesmo que gira, trabalho, sessão.

Entidades

Seres espirituais na umbanda.

Espírito de Luz

Espírito muito desenvolvido, superior e puro.Espírito sem Luz: Espírito inferior, pouco evoluído, apegado à matéria.

Espíritos Obsessores

Espíritos sem nenhum desenvolvimento espiritual, que se apossam das pessoas, fazendo-as sentirem doentes, prejudicando-as em todos os sentidos.

Fechar a Gira

Encerrar uma sessão ou uma cerimônia em que tenha havido formação de corrente vibratória.

Fechar a Tronqueira

Fechar o terreiro às más vibrações dos quiumbas, por meio de defumação e aspersão de aguardente nos quatro cantos do local onde se realizará o culto.

Feitiço

Irradiação de forças negativas, maléficas contra alguém, despacho, objeto que contém vibrações maléficas.

Filho de Fé

Designação do médium iniciante ou não.

Filho de santo

Médium com batismo na Umbanda, com o Guia Identificado.

Firmar Porteira

Riscar a entrada do templo, um ponto especial para protegê-lo de más influências ou fazer defumação na entrada.

Firmar

Concentrar-se para a incorporação.

Firmar Anjo da Guarda 

Fortalecer por meio de rituais especiais e oferendas de comida votivas e orixá patrono do médium.

Firmar Ponto

Cantar coletivamente o ponto (cântico) determinado pela entidade que vai dirigir os trabalhos para conseguir uma concentração da corrente espiritual.

Firmeza

O mesmo que segurança, conjunto de objetos com força mística (axé); que enterrados no chão protegem um terreiro e constituem sua base espiritual.

Fundamentos

Leis de umbanda, suas crenças.

Fundanga

Pólvora.

Giras

Como são chamadas as sessões onde se reúnem os espíritos de várias categorias. As giras podem ser festivas, de trabalho ou de treinamento. Sessão religiosa, com cânticos e danças para cultuar as entidades espirituais.

Guia

Protetor do médium; colar de contas, pedra ou metal.

Guia de Cabeça

Orixá ou entidade principal do médium.

Mãe de Santo

Mulher dirigente do terreiro, ou médium coroada.

Mãe ou Pai pequeno

Auxiliar imediata da Mãe ou Pai de Santo. Segundo no comando da Casa.

Marafa ou marafo

Aguardente, qualquer tipo de bebida alcoólica.

Oferendas

São a prática de dispor comida ritual e objetos específicos nos templos ou locais ao ar livre, em dias e para fins especiais. As oferendas são agradecimentos aos Guias e Orixás. As vertentes com mais influência dos cultos africanos como a Umbanda de Nação se utiliza de ebós que são para finalidades próprias como reequilibrar aspectos da vida da pessoa, porém, diferente de alguns cultos africanos, a Umbanda não se utiliza do sacrifício de animais.

Oferenda a exu

Oferenda feita a exu com finalidade de desfazer trabalhos maléficos.

Passe

Gesto de imposição de mãos presente também no kardecismo. Pai de Santo – homem dirigente do terreiro, ou médium coroado.

 

Patuá

Talismã usado para dar sorte ou proteção.

Pemba

Giz especial com que se riscam os pontos.

Perna de calça

Homem na linguagem dos pretos velhos e exus.

Ponto de Abertura

Cântico de abertura de uma sessão.

Ponto de Chamada

Cântico que invoca as entidades para vir ao terreiro trabalhar.

Ponto de Defumação

Cantado enquanto é feita a defumação do ambiente e dos presentes.

 

Pontos cantados

São as músicas e cantos entoados como forma de louvor ou invocação.

 

Pontos riscados

São diagramas desenhados no chão como ângulos, retas, símbolos Porteira: Entrada do templo.

Preceito

Determinação. Prescrição feita para ser cumprida pelos fiéis. Representativos, desenhos geométricos, pontos cardeais, etc representando a assinatura do Guia.

Puxar o Ponto

Iniciar um cântico. É geralmente feito por um ogan, em seguida acompanhado pelos médiuns.

Quebrar as Forças

Neutralizar o poder de qualquer feitiço seja para o bem ou para o mal.

Rabo de Saia

Mulher na linguagem dos pretos velhos e exus.

Riscar Ponto

Fazer desenhos de sinais cabalísticos que representam determinadas entidades espirituais e que possuem poderes de chamamento das mesmas ou lhe servem de identificação.

Saravá

Cumprimento comum e geral na Umbanda, o mesmo que. Salve.

Sessão de Umbanda

Cerimônia que realiza rituais geralmente com a finalidade de cura física e espiritual. Por meio de guias, após dança e toques, com o uso do ponto cantado e riscado, pólvora, aguardente, defumações. Também sessão de desenvolvimento, de aprendizado e aperfeiçoamento dos médiuns, sessões festivas, públicas, com toque de atabaque e danças.

Toco 

Vela, charuto, cigarro, banco.

Tomar Passe

Receber das mãos dos médiuns em transe vibrações da entidade, as quais retiram do corpo da pessoa os males provocados por vibrações negativas, provenientes de mau olhado, encosto, castigo das entidades, etc.

A Mediunidade na Umbanda

A Umbanda é uma religião de caráter ecumênico e agregador.

Isso significa que é universal e, apesar de possuir algumas diretrizes próprias, incorpora elementos e matrizes de diversas outras crenças e doutrinas, dentre elas a Espírita Kardecista.

Dois dos principais preceitos umbandistas são as crenças na reencarnação e no fato de todos os seres humanos serem, em maior ou menor escala, médiuns e sensitivos por natureza, com dons variantes como a incorporação, a intuição e a psicografia.

A mediunidade na Umbanda geralmente está relacionada à ligação estabelecida com entidades e guias espirituais, cuja missão é trazer mensagens de conforto e orientação.

A mediunidade é um recurso utilizado por espíritos de luz para cumprirem missões de auxílio no plano físico, utilizando médiuns como interlocutores.

A mediunidade na Umbanda é uma oportunidade de crescimento pessoal e espiritual pelo resgate cármico, uma forma de equilibrarmos erros e acertos de vidas passadas no constante caminho evolutivo da alma.

As capacidades e dons mediúnicos todos possuem, de forma mais ou menos acentuada não é algo ao qual decidimos nos candidatar, uma vez que isto é definido pelos guias espirituais antes mesmo de cada encarnação.

A mediunidade na Umbanda utiliza-se da abertura de determinados canais energéticos (chakras) para que seja estabelecida a ponte entre o plano físico e o espiritual.

Se o médium estiver alinhado harmoniosamente com espíritos de luz não há problema nenhum, mas se eventualmente acontecer qualquer desvio, seres de sombra poderão se aproveitar. Portanto é sempre importante ter cuidado.

Para evitar esses problemas, é preciso tomar medidas simples porém efetivas, como os banhos de descarrego e as orações aos anjos da guarda, embora a melhor prevenção seja mesmo sempre cultivar a conexão com espíritos iluminados, por meio de pensamentos, escolhas e ações.

A Iniciação dos Fiéis

A simplicidade da Umbanda também se encontra presente nos rituais de Enquanto no Candomblé exige-se do iniciante a submissão a uma extensa

 

série de cerimônias preparatórias, na Umbanda é costume exigir-se do iniciante apenas o conhecimento dos princípios fundamentais do culto, a honestidade de propósitos e o desenvolvimento de suas habilidades mediúnicas.

Para isso, as Tendas organizam cursos especiais de doutrinação, onde os adeptos iniciantes aprendem os fundamentos do culto, enquanto paralelamente, em sessões apropriadas e denominadas de “trabalhos de desenvolvimento”, aprendem a libertar seus dotes mediúnicos naturais, permitindo a ocorrência dos fenômenos de incorporação ou outros, de acordo com as características inerentes a cada mediunidade individual.

Não há prazo definido para esse aprendizado, diferindo o período para cada indivíduo, tanto em função de sua maior ou menor aplicação, como em função do grau de desenvolvimento natural de sua própria mediunidade.

Ao cabo desse aprendizado, oportunidade em que o adepto já compreende os mecanismos de funcionamento da Casa e já se encontra de posse do domínio de suas faculdades mediúnicas, ele recebe o convite para participar dos trabalhos habituais da Tenda, passando as entidades que recebe ao exercício das funções espirituais que lhe são correspondentes.

Da dedicação do adepto às obrigações que então assume, no sentido de respeitar as regras da Casa, e de manter-se disponível e dedicado para o trabalho nas sessões que lhe foram determinadas, a par de seu próprio comportamento individual, e, de acordo com o aprimoramento que venha a obter em sua evolução mediúnica, decorre a outorga ao praticante, dos graus hierárquicos, que são chamados de “corôas”, dentro da Casa.

 

O praticante recebe, ao início de sua atividade a graduação de “Iaô”, que lhe é outorgada quando assume, definitivamente, seu compromisso de trabalho, seguindo-se os demais graus, “Vodum”, “Ebani” e “Babalaô”. que lhe são atribuídos a períodos determinados, sempre sob a aprovação do guia espiritual da Casa.

Além dessas “coroas”, há uma última e maior graduação, a de “Babalorixá”, ou “Yaloxirá” que corresponde ao chefe maior de toda a comunidade, tal seja ele homem ou mulher.

A Incorporação na Umbanda

A Umbanda nem sempre foi uma religião organizada como é hoje, e uma das grandes evoluções que a ela conquistou foi a possibilidade de doutrinar as entidades que desejassem trabalhar em parceria com os médiuns.

A incorporação sempre aconteceu mesmo nas religiões mais tradicionais, como é o caso do catolicismo. Entretanto, a incorporação na Umbanda foi adotada como uma forma de permitir que espíritos em busca de luz pudessem se manifestar.

Tudo isso em benefício dos irmãos que precisassem carmicamente trabalhar como “cavalos”, bem como em benefício dos irmãos necessitados que procurassem um terreiro, e, ainda, em benefício dos próprios espíritos que também evoluem pela prática dos trabalhos que exercem quando realizam a incorporação.

A falta de informação e de direcionamento para uma bibliografia adequada faz com que muitos filhos de santo que sentem “vibrações” tenham medo de incorporar. Isso por conta das histórias que ouvem sobre sair do próprio corpo, desmaiar, serem acometidos por visitas noturnas, serem possuídos para sempre e até mesmo fazerem passagem por conta de incorporar uma entidade ou um obsessor.

A incorporação é o nome dado ao processo mediúnico onde um “aparelho”, ou seja, um médium se comunica com um espírito trabalhador da luz. No entanto, não há real incorporação, pois se uma alma abandonasse um corpo, o mesmo morreria.

O que existe é um contato entre a mente do médium e a mente do espírito, e por isso muitos relatam que, por vezes, contra o seu desejo mental, percebem que suas bocas estão falando aquilo que as entidades sopram na mente. Portanto, esse processo é telepático e o nome que se dá é psicofonia.

O fumo e a bebida são veículos espirituais de descarrego e transmutação de energias negativas na Umbanda. Por isso, em centros sérios, não é permitido o uso irrestrito do álcool ou do fumo: esse uso deve ser consciente e somente direcionado para a limpeza.

Muito do exagero no uso se deve a desequilíbrios de ordem psico- espiritual do próprio médium, e não da entidade. Por isso, é preciso estar preparado física, emocional e espiritualmente para iniciar o desenvolvimento.

O processo de incorporação é complexo, tanto quanto a elaboração de uma fórmula matemática ou a construção de um prédio, e por isso exige atenção por parte dos chefes de terreiro e dos médiuns.

É fundamental seguir as preparações que são praxe na Umbanda: resguardo no dia anterior, banho de descarrego, defumação da Casa, apoio dos guardiões, firmamento de velas e pontos riscados, pontos cantados sob a firmeza do atabaque.

Sem essa proteção, incorporar pode sim ser um processo arriscado, pois pode dar passagem a um espírito zombeteiro que não está interessado em evoluir espiritualmente.

A mediunidade é uma dádiva espiritual, mas também uma dívida que uma alma assume ao reencarnar em nosso planeta.

Existem diversas formas de mediunidade, ou seja; várias maneiras de servir espiritualmente: há médiuns que ouvem, que vêem, que psicografam, que intuem, que sonham, que benzem, que oram. Há, portanto, uma infinidade de trabalhos possíveis e cada um deles foi oferecido como dom a uma alma que pudesse dar conta do mesmo.

Assim sendo, não há um pior ou melhor; há simplesmente médiuns que precisam trabalhar com esse tipo de processo e assumirem um compromisso espiritual em uma casa de santo.

A organização material da Umbanda

O funcionamento de uma Tenda não se restringe, obviamente, às atividades de natureza puramente espiritual.

Para que estas se processem com normalidade e segurança, faz-se necessário o suporte administrativo da Casa, e, durante a realização dos cerimoniais, da organização material destes, o atendimento aos guias que se apresentam e a orientação do público frequentador.

No setor administrativo membros da Casa se ocupam, voluntariamente, dos aspectos materiais da manutenção da Tenda, do abastecimento, da organização dos serviços rotineiros e do atendimento aos frequentadores da Casa.

Na “Gira”, durante os cerimoniais, participam outros integrantes da comunidade, além dos médiuns de incorporação participantes.

São adeptos já iniciados, médiuns desenvolvidos ou não, que nessa oportunidade não participam das atividades de incorporação, e aos quais cabe atender às necessidades dos guias incorporados e executar as demais funções materiais relativas ao suporte aos trabalhos: são os cambonos.

Os cambonos também se subordinam a uma escala de graduação, identificadas por “corôas” que lhes são atribuídas em função de seus graus de capacidade, antiguidade e dedicação.

Essas “coroas” são, em ordem ascendente: “Equédi”, “Ogan”, “Grande- Ogan”, e “Grande-Ogan-Coloé”.

As funções dos Interventores

As “coroas” atribuídas aos participantes dos trabalhos não se constituem, na verdade, em prêmio ou galardão por sua capacidade, lealdade, antiguidade, ou evolução, embora nesses quesitos se apoiem os critérios para sua concessão.

As “coroas”, mais do que tudo, representam, um compromisso sempre crescente daqueles que as recebem para com seu trabalho, na medida que lhes outorgam maiores responsabilidades - tanto maiores quanto maior for a graduação - e por esse prisma devem ser entendidas pelos praticantes.

Constituem, no entanto o reconhecimento e a medida do progresso e da evolução pessoal de cada qual.

 

A cada “coroa” corresponde uma obrigação. Assim:

 

Ao “Iaô” cabe o exercício do fenômeno da incorporação, permitindo aos guias que se manifestem enquanto ele próprio e os guias que com ele trabalham acumulam experiência e evoluem.

O “Vodum” é, basicamente, um “Iaô” mais experiente, mais evoluído, e seus guias, igualmente. Tal grau é-lhe outorgando após algum tempo de trabalho e fundamentado na evolução que apresente.

O “Ebani”, grau seguinte, já representa um médium bastante e adequadamente desenvolvido, capaz de controlar eficientemente o fenômeno da incorporação. Seus guias aprimoraram seus conhecimentos e adquiriram maior capacidade de direção. O “Ebani”, já reúne condições para exercer o comando de um trabalho, sob a supervisão de um “Babalaô”, podendo, ainda, em condições emergenciais, substitui-lo.

O “Babalaô” se constitui no Chefe da Casa, seu expoente maior, e seus guias são aqueles que dirigem os trabalhos e aos quais se subordinam todas as entidades espirituais, os praticantes e os frequentadores.

Todas essas “coroas” são atribuídas aos médiuns por decisão do guia que comanda os trabalhos da Casa.

 

O “Babalorixá” é o Chefe da Corrente de Trabalho, e Dirigente Maior da Tenda e de todas as demais que lhe sejam filiadas. Os guias que com ele trabalham, tem predomínio correspondente no âmbito espiritual. A escolha do “Babalorixá” seguinte é feita, tempestivamente, pelos guias de seu antecessor entre os “Babalaôs” filiados, e sua ascensão ao cargo se dá pelo falecimento daquele que o antecedeu.

 

Paralelamente, a coroação dos Cambonos obedece aos mesmos critérios. Assim:

 

Os “Equédis” são os atendentes iniciantes, e se incumbem das atividades de atendimento aos guias incorporados e da orientação dos frequentadores.

Os “Ogans”, correspondem aos superiores imediatos dos “Equédis”, cabendo-lhes supervisão do atendimento material desenvolvido por aqueles auxiliares. São os responsáveis pelo bom andamento dos trabalhos, pela organização da “Gira “, pela direção geral dos cerimoniais e pela organização geral da Casa.

Os “Grandes-Ogans”, são os responsáveis por todos os “Ogans” da Casa, função na parte material que equivale àquela exercida pelo o “Balalaô” no que respeita à espiritualidade.

O “Grande-Ogan-Colofé” é o detentor desse título honorífico que na materialidade equivale ao de “Babalorixá” na espiritualidade. É o dirigente de todos os que exercem funções relativas à materialidade, na Tenda e nas que lhe são filiadas. É, normalmente, o dirigente material mais antigo da Comunidade.

Todos esses praticantes que se ocupam da parte material da Casa pódem ser, e em grande parte das vezes o são, médiuns já desenvolvidos ou em processo de desenvolvimento, e participam dos cerimoniais, tanto na condição de “cambonos”, como na de “médiuns” , dependendo de sua disponibilidade, do tipo de cerimonia que tem lugar e das necessidades da Casa.

As linhas de trabalho na Umbanda

Dentro da Umbanda existe uma organização em que espíritos e entidades trabalham por um bem comum seguindo um Orixá, que atua como uma espécie de chefe.

Cada linha tem uma vibração e existe para um propósito, que sustenta e influencia a vida de todos

 

Linha Religiosa

 

O Orixá desta linha é Oxalá, que é seguido por caboclos, povos do Oriente e Santos Católicos. Dentro do sincretismo religioso, ela é representada por Jesus Cristo. A Linha Religiosa é a primeira das 7 linhas da Umbanda, a que comanda as outras e funciona como o reflexo de Deus, o início, a fé e a religiosidade.

 

Linha do Povo d´água

 

Sua líder é Iemanjá, que dentro do sincretismo religioso é representada por Nossa Senhora da Conceição. Atrás dela vem Orixás femininos, sereias, Iaras, ninfas, caboclas dos rios, etc. Esta é a linha mais feminina, que trabalha com o poder do mar e da água salgada, além da gestação.

 

Linha da Justiça

 

Liderada por Xangô e São Gerônio, esta linha coordena a lei kármica e tudo relacionado à justiça e à razão. É sincretizado como São Jerônimo, Santa Bárbara e São Miguel Arcanjo. Este Orixá segue acompanhado por policiais, juristas, advogados, caboclos e pretos velhos.

 

Linha das Demandas

 

Ogum é seu líder, que no sincretismo é representado por São Jorge. São acompanhados por boiadeiros, militares, caboclos e baianos. Esta é a divindade que protege os guerreiros, que nos ajuda com as aflições da fé e nas batalhas do dia a dia. Também estimula o equilíbrio e a ordem.

 

 

Linha dos Caboclos

 

Oxóssi e São Sebastião são os líderes desta linha, que atende na doutrina e na catequese. Também trabalha com o conhecimento. São seguidos por caboclos, caboclas, índios e boiadeiros.

 

Linha das Crianças

 

Liderada por Iori, que dentro do sincretismo é representado por Cosme e Damião, é composta por crianças de todas as raças. São entidades altamente evoluídas que são conhecidas por suas vozes infantis e vivas.

 

Linha dos Pretos Velhos ou das Almas

 

Iorimá e São Benedito são os líderes desta linha, que é composta pelos primeiros espíritos que foram mandados para combater o mal. É composta por pretas e pretos velhos de todas as nações.

Hierarquia na Umbanda

A hierarquia na Umbanda pode variar dependendo da quantidade de membros, de modo que pode se dividir em um grupo administrativo e grupo espiritual, além de variar de acordo com o tipo de Umbanda (de nação, esotérica etc):

 

Babalaô (Pai-de-santo)

Chefe do terreiro. Responsável por toda a atividade espiritual que ocorre no terreiro, como iniciar, conduzir e encerrar as giras e estabelecer as ordens e doutrinas passadas pelo astral.

Babalaôrixá

Chefe supremo do terreiro.

Cambono

Médium designado a auxiliar a entidade trabalhando como um intérprete entre a entidade e o consulente.

Curimba

É o nome dado ao grupo responsável pelos toques e cantos sagrados dentro de um erreiro de Umbanda. Nesse grupo estão obviamente incluídos os curimbeiros. Esses pontos cantados, junto dos toques de atabaque, são de suma importância no decorrer da gira e por isso devem ser bem executados.

Curimbeiro ou atabaqueiro

Responsável por tocar e cantar os pontos cantados nas giras além do ensino a novos ogãs.

Curimbeiro, Tabaqueiro ou Ogã

É a pessoa que bate (toca) o tambor. Na realidade na Umbanda, a concepção de Ogã é totalmente diferente do Candomblé e do Omolocô, onde a pessoa é preparada especificamente para esse fim. A função do tambor é a de ajudar na invocação das Entidades, e deve ter toques harmoniosos e diferenciados para cada Linha.

Ebami

Grau seguinte ao de Ebami

Grande Alufá

Título outorgado a um dirigente máximo de um grupo de terreiros de Umbanda.

Grande Ogã ou Ogã Colofé

Dirigente material da Casa. Grau seguinte ao de Ogan. Chefe dos Ogans.

Grande Ogã Colofé

Dirigente maior da Casa, ao qual se subordinam os demais Ogans e Grandes Ogans.

Iaô

Médium que já passou pelo desenvolvimento, mas que ainda não completou o período de 7 (sete) anos após a iniciação.

Iabalaôrixá

Chefe suprema do terreiro. Equivalente feminino ao Babalaôrixá.

Iailaorixá (Mãe de Santo)

Chefe de terreiro. Equivalente feminino ao Babalaô.

Médium em desenvolvimento

Médiuns em processo de desenvolvimento. Portanto, ainda não dão consultas, mas, dependendo a orientação da Casa podem, eventualmente, incorporar em uma ou outra linha de trabalho.

Médium iniciante

Médiuns que ainda não incorporam, sendo às vezes colocados como cambonos até adquirirem experiência. A eles, em geral, são atribuídas as tarefas de atendimento às entidades que incorporam nos médiuns de trabalho, acendendo seus charutos, cachimbos e velas, quando necessário, bem como esclarecendo os consulentes com relação ao que dizem as entidades incorporadas.

Médium de trabalho

Médiuns que prestam consultas nas giras de atendimento e já passaram por todos os preceitos e obrigações (batismo, amaci e coroação). Conforme a Casa também são chamados de Médiuns Prontos ou Médiuns Feitos.

Ogã

Dirigente material da Casa.

Ogã ou alabê

Responsável pela curimba e instrutor dos toques de atabaques.

Pai Pequeno e Mãe pequena

São os futuros Babalorixás ou Ialorixás; e tem a função de auxiliarem o Babalaorixa ou Ialaorixa que comanda a Casa. São os responsáveis na ausência do pai ou mãe de santo. Têm os mesmos ensinamentos e participam de todos os rituais.

Transa

É a pessoa encarregada de distribuir as fichas de atendimento (quando é o caso), e de coordenar a entrada, na Gira, dos consulentes.

Vodum

Grau seguinte ao de Iaô

Mandamentos na Umbanda

São sete os mandamentos da Umbanda:

 

 

  1. Não faças ao próximo o que não queres que te façam.
  2. Não cobices o alheio.

  3. Socorre o necessitado, sem perguntar.

  4. Respeita todas as religiões, porque vêm de Deus.

  5. Não critica o que não entendes.

  6. Cumpre tua missão, mesmo com sacrifício.

  7. Defende-te dos malvados e resiste ao mal.

©2020 by Sylvio Pires Gachido. Todos os diretos reservados. WebDesigner Adriana Cruz