Xangô

PERFIL

 

 

Xangô é o Orixá da Justiça, da sabedoria, do conhecimento, do equilíbrio e da neutralidade.

É o Deus do raio e do trovão.

Miticamente, o raio é uma de suas armas e o trovão, o ruido de sua voz colérica: o raio representando o castigo e o trovão e a cólera sua capacidade de punir, com justiça, o infrator.

Esse equilíbrio e firmeza identificam Xangô, no mundo material, com uma rocha, duro e estável, ao contrário da força móvel e agressiva de Ogum ou do vento dificilmente moldável e de impossível controle de Iansã.

Xangô traz nas mãos o Oxé, machado de dois lados representando o peso igual nos julgamentos.

Traz também o xerém, espécie de chocalho usado para despertar a ira dos raios e das trovoadas.

Seu “axé” está concentrado nas formações rochosas, nas pedreiras, nos maciços.

Xangô é pesado, íntegro, indivisível e irremovível, o que lhe permite ser admitido como poderoso e pleno de credibilidade.

É o Orixá que decide sobre o bem e o mal.

É o árbitro, e suas decisões não são contestadas por serem sempre sábias, ponderadas, hábeis e corretas.

Xangô é entidade madura, não se deixando empolgar pela paixão e pelos destemperos.

Representa o homem adulto, assentado na vida, que tem discernimento e experiência para julgar, mas que possue também a maturidade para, com ponderação, fazer justiça.

Não tem a complacência do idoso, podendo punir quando necessário, mas não se esquecendo de absolver, quando justo.

A austeridade de um grande juiz que define Xangô, contudo, não o afasta dos pontos fracos humanizadores, sempre comuns aos Orixás de origem nagô: é vaidoso e sensual e, consequentemente, mulherengo, existindo inúmeras lendas a respeito de suas peripécias com os Orixás do sexo oposto.

Outro dado interessante sobre Xangô é seu relacionamento com a morte: enquanto Iansã é dos Orixás aquela que melhor se entende com os espíritos dos seres humanos mortos, os Eguns, Xangô é o que mais os detesta - ou teme.

Xangô é considerado um Orixá comilão, de sorte que seus filhos não estão sujeitos a qualquer “ehô”, a não ser o feijão branco, pela vinculação com o incidente com Obá.

Xangô e o Orixá dos reis, dos justos e dos poderosos.

Ele próprio foi um rei guerreiro que conquistou reinos e enriqueceu seu povo.

O seu trabalho entre os homens é cobrar de quem deve e premiar a quem merece, agindo sempre com sabedoria, justiça e poder.

Na mitologia romana Xangô é Júpiter, o pai e mestre dos deuses.

Para os gregos é Zeus, aquele que usava seus raios para punir os mortais, esta correspondência pode ser feita pelo poder supremo que ambos encarnam.

No Tarô há uma lâmina que contém o principal arquétipo de Xangô, é a Justiça representada pelo arcano VIII, que é quem encarna a recompensa justa, a distribuição do prêmio e do castigo.

A espada de ouro que a Justiça carrega assim como o Orixá em sua representação simboliza as lutas necessárias para se conseguir o equilíbrio, que a balança na outra mão indica ser possível.

A palavra de Xangô é a Justiça.

 

 

 

 

 

MITOLOGIA

 

 

Como personagem histórico, Xangô, filho de Oxalá e Yemanjá, teria sido o terceiro Rei de Oyó.

Xangô cresceu em Kossô, onde os habitantes não o aceitavam por causa de seu caráter violento e imperioso, e por isso, transferiu-se para Oyó, onde reinava seu irmão Dadá, que ele destronou.

Xangô teve três esposas: Iansã, Obá e Oxum.

Era um valente guerreiro e empreendeu diversas investidas contra as tribos vizinhas, estendendo suas guerras, inclusive, contra o povo habitante dos lugares onde havia sido criado.

                

 

 

 

XANGÔ NA ÁFRICA

 

 

Xangô era sem dúvida um dos mais importantes Orixás nagôs.

Era um deus dicotômico, ou seja, tinha duas formas: Xangô Ogodô, que é idoso, e Xangô Oganjú, que é mais novo.

Havia uma terceira forma, Xangô-Dadá, que na realidade era seu irmão e não se manifestava em seus filhos, pois “os queimaria”.

Xangô era o Deus do trovão, que era tido como sua voz, bem como era o Deus das tempestades e do relâmpago e do raio, tendo íntima ligação com as forças ígneas da Terra, como as pedras, os metais, os sais, etc.

Castigava os mentirosos, os ladrões e os malfeitores, e, por esse motivo, a morte pelo raio era considerada, pelos negros africanos, como infamante.

Assim, uma casa que fosse atingida por um raio era marcada pela cólera de Xangô, e seus proprietários deviam pagar pesadas multas aos sacerdotes, que vinham procurar entre os escombros as “pedras de raio” lançadas por Xangô.

 

 

 

 

 

XANGÔ NO  BRASIL

 

Na Umbanda, Xangô é considerado o Orixá da sabedoria, e por isso como objeto ritual  é-lhe atribuído, entre outros, um livro.

É o Orixá justiceiro.

Protege os assuntos sérios e os negócios.

É viril, galhardo e violento.

Seus fluidos identificam-se com a mais alta e nobre espiritualidade, com a caridade e com aqueles que desejam praticar o bem.

É o purificador das Almas, e o Orixá que comanda a Linha do Oriente.

No sincretismo os africanos o ligaram a São João Batista, a São Pedro e a São Jerônimo.

Conforme a região do Brasil, Xangô é sincretizado a um destes três.

No Rio de Janeiro, a dois simultaneamente (São João Batista comemorado a 24 de junho e São Jerônimo comemorado a 30 de setembro).

Na Bahia existem doze Xangôs: Dadá, Oba-Afonká, Obalaubé, Ogodô, Oba Kossô, Jakutá, Aganjú, Baru, Oranian, Airá Intilé, Airá Igbonam e Airá Adjaosi. 

                                                   

Xangô é sincretizado com São Jerônimo.

O dia da semana dedicado ao Deus do Trovão é a quinta-feira, e sua festa se realiza a 30 de setembro.

 

 

 

ARQUÉTIPO

 

O arquétipo de Xangô é o das pessoas voluntariosas e enérgicas, altivas e conscientes de sua importância, quer real, quer suposta.

São pessoas que podem ser grandes senhores e são corteses, mas não toleram qualquer contradição ou contrariedade, não raro deixando-se possuir, nesses casos, por intensa cólera, violenta e incontrolável.

São sensíveis ao charme do sexo oposto e se conduzem com tato e encanto no decurso das reuniões de que participam, mas que, por qualquer motivo, podem perder o controle e ultrapassar os limites da conveniência.

São pessoas que possuem um elevado sentido da própria dignidade e das suas obrigações, o que as leva a se comportarem com um misto de severidade e benevolência, segundo o humor ou a exigência do momento, mas sabendo guardar, em geral, um profundo e constante sentimento de justiça.

O filho de Xangô não costuma ser muito alto, tem tendência a calvície e seu porte é altivo transmitindo vigor e sensualidade.

Gosta de comer e beber bem, é um apreciador das coisas boas da vida e gosta de compartilhar tudo com aqueles a quem estima, pois faz parte de sua natureza agradar os amigos.

A ambição do filho de Xangô é enorme, desde jovem ele procura o sucesso e a fortuna, mas às vezes gasta as suas energias em atividades que não são as mais indicadas, nestas ocasiões deve ser deixado à vontade, pois é através dos erros e tentativas que vai encontrar sua vocação.

É difícil um filho de Xangô admitir que esteja errado, ele é inflexível e intratável quando contrariado.

Seus inimigos serão tratados com rigor e ele fará tudo para desacreditá-los frente aos outros.

Mas por maiores sejam as provações que ele tenha que passar haverá sempre uma sorte fantástica a protegê-lo que o anima e encoraja a prosseguir.

Apesar de autoritário a bondade do filho de Xangô é grande, ele concilia severidade com justiça, exigência com reconhecimento, cobrança com recompensa.

É franco, não esconde seus sentimentos, não finge nem dissimula.

Sua franqueza faz com colecione alguns inimigos durante a vida, o que não o impede de continuar agindo desta forma.

As emoções desta pessoa são variáveis: por vezes é orgulhoso, impulsivo, mutável, rebelde em outras ocasiões é cortês, generoso e diplomata.

Alguns seguem o caminho da filosofia e teologia, mas a grande maioria deles prefere usufruir apenas da vida material.

Os filhos de Xangô têm boas aptidões para ganhar dinheiro, mas também tem grande capacidade de gasta-lo. Esbanjam com bens pouco duráveis, sem preocupação de criar um patrimônio sólido que o garanta na velhice.

Sua capacidade de aprendizagem está mais ligada aos aspectos práticos do que aos teóricos.

Adquire conhecimentos que lhe sejam úteis no desempenho de suas atividades e é muito rápido nisto. Mas não será o pai de uma criação totalmente inovadora.

O filho de Xangô não gosta de pessoas pessimistas, ele quer alguém ativo e dinâmico, com vontade de manter a relação nova sempre.

Encantador e envolvente sabe conquistar, mas o desafio da conquista pode fazer com que ele (a) use a pessoa sem se preocupar com os sentimentos dela.

A competição para ele é importante e vencê-la mais prazeroso ainda, o problema é que ele (a) não sabe o que fazer com o troféu e sentir por causa disto frustração no amor.

Para manter um relacionamento estável com o filho (a) deste orixá è necessária boa harmonia mental, bom humor, perspicácia e sensibilidade.

A vida tem que ser levada com diversão e inovação bem dosadas.

O filho de Xangô nem sempre è fiel a companheira, mas sempre se mantém fiel ao casamento, esta instituição e sua função legal e social são extremamente respeitadas por ele.

Discussões e desentendimentos são comuns numa ligação com um (a) filho (a) de Xangô, ele não gosta de ser cobrado ou vigiado, embora considere seus esses direitos, è zeloso como que considera seu e não aceita traições.

Quando mais maduro e vivido torna-se muito mais estável e sincero, é nesta faz da vida que suas relações se tornam duradouras.

Sua vida profissional começará cedo, tem a sua disposição carreiras que o coloquem em contato com o público, tais como, vendas, política, advocacia e tudo que seja ligado à justiça, mercado financeiro e administração de bens de terceiros também lhe cabem.

 

 

 REGÊNCIA

 

                                                                                                                                                        

 

                              

Orixá masculino, regente da linha da justiça.

Xangô envolve a justiça e razão, O equilíbrio entre o sentimento e a razão interior.

Seu ponto de força são as pedreiras.

 

 

 

 RESUMO

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