Yemanjá

PERFIL

 

 

Comparada  com   outros  Orixás,  Yemanjá  é  uma  figura   extremamente singela.

 

Não é fogosa como Iansã, passional como Ogum, retraída como Ossaim, nem mesmo impetuosa como Xangô.

Ela personifica a paz e a ausência de conflitos, em oposição ao contexto colorido, rico, passional e até mesmo selvagem dos demais Orixás.

Yemanjá representa uma figura passiva: é a mulher madura que assume sua condição de dona-de-casa, de administradora do lar e da prole, de mãe por excelência e de mulher em tempo integral.

É o Orixá da harmonia em família.

Rainha das águas salgadas, mora no mar, onde recebe as oferendas de seus devotos. Sendo a Senhora da Calunga Maior (Mar), é, por excelência, absorvedora das energias negativas.

Sua vibração é plena de paz e harmonia.

É a protetora da família e dos laços familiares.

Divide com Oxum o domínio da maternidade: enquanto Oxum prevalece sobre a maternidade no período da fecundação, gestação e criação do bebê, Yemanjá assume essa maternidade a partir do momento em que a criança começa a demonstrar sinais de independência, no instante em que principia a falar, enfim, do momento em que a criança começa a receber sua educação.

Yemanjá é, portanto, a mãe de criação: não oferece o peito para o bebê mamar, mas é, isto sim, a mãe do jovem e do adulto, a figura materna que acompanha o ser humano por toda a sua vida.

Yemanjá é a responsável pela socialização, pelo aprendizado das regras de comportamento, pelo encaminhamento do processo de assimilação do próprio destino.

É a mãe do homem crescido.

É a figura matriarcal, profundamente astuta, que não contesta a autoridade patriarcal masculina, mas que também não se limita ao contexto de mãe pacata e submissa: quando necessário, luta por seus filhos e emprega todos os meios ao seu alcance para mante-los junto de si.

É a padroeira dos marinheiros, e estende sua proteção a todos os seres viventes, já que é a Grande-Mãe do astral.

 

 

 

MITOLOGIA

 

Yemanjá é filha de Olokun ou Odudua, o Criador da Terra, irmão de Oxalá. Contam as lendas que Yemanjá foi primeiramente casada com Orumilá, o Senhor das Advinhações, e depois com Oxalá, Rei de Ifé, que foi o pai de seus filhos.

 

Segundo uma das lendas, Yemanjá, em certa ocasião, foi violentada e perseguida por Aganjú, o Deus dos Ventos, seu filho, e na fuga, tanto correu que tombou exausta e morreu.

De seu ventre, que se abriu, nasceram os Orixás do Panteão Nagô: Xangô, Oxóssi, Yansã, Ogum, Oxum, Obá, Ibeiji, Xamponam, etc. à excessão de Logunedê, que é filho de Oxóssi e Oxum.

Depois, Yemanjá ressuscitou e ocultou-se no fundo do mar, onde Nhanhã, a Sereia Velha, a acolheu e protegeu.

 

Em outra lenda, a filha de Olokum e deusa do mar, era casada com Olofim- Odudua com quem tinha dez filhos orixás e, por amamentá-los, ficou com seios enormes.

 

Impaciente e cansada de morar na cidade de Ifé, ela saiu em rumo oeste, e conheceu o rei Okerê; logo se apaixonaram e casaram-se.

Envergonhada de seus seios, Iemanjá pediu ao esposo que nunca a ridicularizasse por isso.

Ele concordou; porem, um dia, embriagou-se e começou a gracejar sobre os enormes seios da esposa.

Entristecida, Iemanjá fugiu.

Desde menina, Iemanjá trazia numa garrafa uma poção, que a mãe lhe dera para casos de perigo.

Durante a fuga, Iemanjá caiu; quebrando a garrafa; a poção transformou-a num rio cujo leito seguia em direção ao mar.

Ante o ocorrido, Okerê, que não queria perder a esposa, transformou-se numa montanha para barrar o curso das águas.

Iemanjá pediu ajuda ao filho Xangô, e este, com um raio, partiu a montanha ao meio possibilitando o rio seguir para o oceano e, dessa forma, a Orixá tornou-se a rainha do mar.

 

Outra lenda conta que Iemanjá teve muitos problemas com os filhos: Ossain, o mago, saiu de casa muito jovem e foi viver na mata virgem estudando as plantas.

 

Contra os conselhos da mãe, Oxossi bebeu uma poção dada por Ossain e, enfeitiçado, foi viver com ele no mato. Passado o efeito da poção, ele voltou para casa, mas Iemanjá, irritada, expulsou-o.

Então Ogum a censurou por tratar mal o irmão.

Desesperada por estar em conflito com os três filhos, Iemanjá chorou tanto que se derreteu e formou um rio que correu para o mar.

 

 

 

 

YEMANJÁ NA ÁFRICA

 

 

Yemoja (nome nagô de Yemanjá) era o Orixá padroeiro dos Egbás, povo da nação iorubá que habitava a região entre Ifé e Ibadan, onde ainda corre o Rio Yemojá, primitiva morada dessa Iyebá.

Os Egbás, por força das guerras que travaram com outras tribos iorubás, emigraram para oeste, chegando até Abeokutá, onde existe o Rio Ogun (nada a ver com o Orixá Ogum), que atravessa a região.

Alí se instalaram e o Rio Ogun tornou-se a nova morada de Yemanjá.

O principal templo africano de culto a Yemoja situa-se em Ibará, bairro de Abeokutá, e seus fiéis todos os anos vão buscar a àgua sagrada, não no Rio Ogun, mas no Rio Lakaxa, seu afluente, para lavar os axés do templo, numa grande procissão composta por pessoas que carregam as jarras de água, esculturas de madeira e um conjunto de tambores.

 

 

 

YEMANJÁ NO BRASIL

 

 

Yemanjá ou Iemanjá é no Brasil a deusa do mar e das ondas.

Personifica a criação e a maternidade, vez que é mãe de inúmeros Orixás. Seus fluidos identificam-se com a Linha das Almas.

É a senhora da beleza e da sedução, governante maior de tudo que, na vida humana, se relaciona com os líquidos e de todas as manifestações hídricas do mundo.

É moça pacífica e sonhadora, porém ciumenta e ciosa de seus domínios e pertences, razão porque não se deve entrar no seu reino, os mares, antes de sauda-la, assim como não se deve retirar conchas e semelhantes, sem pedir-lhe a devida licença.

Iemanjá representa todos os mistérios e protege os lares, as esposas, as mães, as viagens e as emoções.

Seu culto é geralmente feito à beira das águas e nas praias, onde recebe com prazer as oferendas de seus filhos.

É representada por uma sereia ou por uma jovem bonita, alta e morena, com longos cabelos encimados por uma estrela, vestes longas, azuis ou brancas, e andando sobre o mar com as mãos abertas, das quais saem seus dons: pérolas, flores, etc.

Foi sincretizada inicialmente na Bahia com Nossa Senhora da Conceição da Praia, embora também seja associada a outras santas: Nossa Senhora da Candelária, Nossa Senhora das Candeias, Virgem de Lourdes, Imaculada Conceição e outras.

Comanda sete Falanges: a das Sereias, a das Ondinas, a dos Caboclos do Mar, a dos Marinheiros, a do Mar, a dos Rios e a dos Calungas.

Seu dia consagrado é a segunda-feira, embora muitos adeptos considerem o sábado como seu dia da semana.

Sua festa é dupla: 2 de fevereiro e 8 de dezembro.

 

 

 

ARQUÉTIPO

 

 

As filhas de Iemanjá são voluntariosas, fortes, rigorosas, protetoras, altivas e, algumas vezes, impetuosas e arrogantes.

Têm forte sentido de hierarquia, fazem-se respeitar e são justas e formais.

Costumam por à prova as amizades que lhe são devotadas, e custam muito a perdoar uma ofensa e, mesmo perdoando, não esquecem jamais.

Preocupam-se com os demais e são maternais e sérias.

Sem possuirem a vaidade das filhas de Oxum, gostam do luxo, das fazendas vistosas e das jóias caras.

Têm tendência para a vida suntuosa, mesmo que as possibilidades do cotidiano não lhe permitam tais faustos.

 

 

 

 

 

REGÊNCIA

 

Orixá feminino, regente da linha da geração.

Iemanjá envolve a criatividade e a geração.

Seu ponto de força na natureza são os mares

RESUMO

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